Bom e barato
Web e solidariedade: bons caminhos para achar hospedagem
O ato de colaborar move os voluntários. A dedicação ao próximo, a energia sem fim e o sorriso no rosto são as marcas de quem faz o bem por uma causa pessoal, uma escolha que indepe...
O ato de colaborar move os voluntários. A dedicação ao próximo, a energia sem fim e o sorriso no rosto são as marcas de quem faz o bem por uma causa pessoal, uma escolha que independe de receber por isso. Ações que, muito antes do início dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, já são demonstradas por quem vem ao Rio para os Jogos.
Um monte de gente, por exemplo, já faz o trabalho de formiguinha para ajudar quem vem de fora da cidade para trabalhar durante agosto e setembro. Um batalhão silencioso que procura hospedagem acessível e mais barata para os colegas voluntários.
Porque procurar um espaço para passar os dias necessários para se trabalhar como voluntário no Rio de Janeiro é uma missão que não é tão simples. E é aí que entra no circuito alguém como Bruno Lima, potiguar de 31 anos que já está garantido como voluntário que atuará na área de protocolo e idiomas.
Um dos mais ativos membros do grupo de voluntários no Facebook, o engenheiro eletricista de Natal que eventualmente vem ao Rio a trabalho percebeu que seria necessário unir forças para que quem venha aos Jogos tenha um lugar. E começou a acionar os colegas da rede social em busca de apartamentos, quartos e hostels.
“A preocupação ficou mais urgente quando chegou o email de confirmação dos 50 mil aprovados. Aí bateu. A gente sabe que o Rio é uma cidade cara, e pela minha experiência de ida ao Rio já tinha ideia de custo de hotel e pousada. Aí veio opção de alugar casa pelo Airbnb para diluir custo entre um monte de gente. Juntei a galera, umas 15, 20 pessoas e começamos a formar novos grupos”, diz Lima.
A busca de Bruno logo deu resultado. Procurando pela página do Airbnb, ele chegou a um apartamento em Copacabana, disponível para dividir com outros cinco colegas. A diária por pessoa não sairá por mais de R$ 60. “Quanto mais tarde você for procurar menos apartamentos com preços bons estarão disponíveis. Foi o que fiz e deu certo”.
Opções baratas não faltam, como mostra Antônio Luis Rio Apa, 63 anos, contador aposentado dono de um apartamento de dois quartos em Niterói – e que também foi aprovado pelo Programa de Voluntários. Para facilitar as condições para os seus colegas voluntários, estipulou um valor para cobrir apenas os custos da hospedagem (roupa de cama e banho, alimentação, faxineira e energia). “E se a pessoa trouxer roupa de cama e banho, não comer em casa e não ligar o ar condicionado sai de graça”, brinca o voluntário.
Apa tem experiência em compartilhar hospedagem. Velejador, muitas vezes ficou na casa de colegas de competição. E sabe que não é fácil achar um lugar bom e barato. “Vi a dificuldade dos voluntários conseguirem um apartamento, porque o Rio está muito caro, por isso decidi disponibilizar o apartamento para quem vai trabalhar nas proximidades. Mas a maioria está procurando lugar para ficar na Barra. Aqui só é indicado para quer for trabalhar em Copacabana ou no Maracanã”, alerta Apa.
Um alerta, aliás, que é fundamental para quem ainda não encontrou lugar para ficar durante os Jogos: saber a distância e qual meio de transporte mais indicado para ir do local de hospedagem até um dos quatro complexos de competições – Barra, Copacabana, Deodoro e Maracanã.
Ficar por dentro da rede de transportes das proximidades da instalação selecionada pelo Programa de Voluntários é outra dica de Bruno Lima no grupo de voluntários no Facebook. “Damos dicas avaliando as instalações, procurando lugares próximos ao Metrô e às conexões com o BRT”.
Para quem vai atuar no Parque Olímpico da Barra, por exemplo, pode considerar na busca bairros da zona oeste, como Jacarepaguá e Campo Grande, além da própria Barra e do Recreio, por exemplo. Importante também se informar sobre a forma de chegar caso esteja partindo da zona sul, utilizando o Metrô até a futura estação Jardim Oceânico, o BRT e os ônibus que saem do Terminal Alvorada.
Os voluntários alocados em Deodoro - que poderá ser acessado via trem da Supervia – não podem descartar as imediações de Bangu e bairros da zona norte, como Madureira e adjacências, região que também pode ser indicada para quem for trabalhar no Estádio Olímpico.
Localizado em meio a estações de Metrô e de trem, o Maracanã tem ligação para a zona norte e fica próximo de bairros como São Cristóvão, Méier, Tijuca e Vila Isabel. Enquanto Copacabana é servida por três estações de Metrô (Cardeal Arcoverde, Siqueira Campos e Cantagalo) e uma encorpada frota de ônibus.
“O pessoal se preocupa primeiro com o preço, depois se preocupa com localização, por isso passamos informações para auxiliar na busca destacando outros pontos que devem ser considerados antes de fechar um lugar”, explica Lima.