A SUSTENTABILIDADE NO REVEZAMENTO DA TOCHA

Começou o Revezamento da Tocha Olímpica em solo brasileiro. A chama, acesa na Grécia, levará para todo o país o significado do calor humano, levando nossas histórias, cultura e tradições. Vamos transmitir os valores Olímpicos durante toda a viagem até chegar ao Rio de Janeiro, passando por 323 cidades brasileiras durante três meses, cruzando estradas, cidades e campos. Vamos unir povos, raças e crenças.
Entre outros indicados, o Comitê Organizador escolheu 28 brasileiros envolvidos com a sustentabilidade no país para carregar a Tocha Olímpica. Essas pessoas foram escolhidas pelo papel que representam em suas comunidades e agora têm a missão de contar suas histórias em prol de um Brasil mais sustentável.
Com a ajuda dos parceiros institucionais do Programa Abraça, conseguimos encontrar personagens que vão trazer à tona as questões que envolvem a sustentabilidade no nosso país.

Explore o nosso mapa interativo e acompanhe os nossos personagens desta história.
José Macedo – Cuiabá / MT - Nascido em 1951 em São Paulo, José Aparecido Macedo é mato-grossense de coração. Há mais de 30 anos chegou ao município de Reserva do Cabaçal e desde então trabalha com recuperação de nascentes e áreas degradadas. Entre 2009 e 2012, foi parceiro do WWF-Brasil na recuperação de uma grande erosão que comprometia a quantidade e a qualidade das águas do rio Cabaçal. Graças ao seu apoio foi possível recuperar 12 nascentes e criar um viveiro de mudas de espécies nativas no município. Todo esse movimento gerou na época 20 empregos diretos, capacitação de técnicos e moradores, além de evitar que mais de 1,5 milhões de m³ de sedimentos chegassem até os rios e, consequentemente, ao Pantanal.
Cacique Valda Wajuru – Porto Velho / RO - Wajuru é o povo do “poder do sangue da chicha”. A Cacique Valda recebeu de seu avô Antonio seus ensinamentos e preparação para assumir a liderança de seu povo quanto tinha vinte e seis anos. Desde então, vivendo em Porto Rolim, começou a se envolver na defesa de seu povo, na preservação de seus costumes, rituais, sua cultura e de seu território. Sua trajetória tem sido de muita luta, muitas vezes com ameaças para sua própria família. Em 2016 a Cacique Valda foi eleita Vice Presidente da Comissão Nacional para Políticas Indigenistas – CNPI. Nos últimos anos o Povo Wajuru tem conseguido ganhar o apoio o reconhecimento de instituições nacionais e internacionais, o que vem auxiliando em sua luta em defesa do seu território e cultura.
Almir Suruí – Porto Velho / RO - Desde criança o chefe Almir Suruí vem defendendo a bandeira da floresta em pé e o uso sustentável dos recursos naturais e minerais a partir do plano de gestão participativo e responsável de um determinado território de florestas. A origem da sua formação e sabedoria são herança da educação de seus ancestrais, mas Almir também adquiriu conhecimento ocidental a partir dos ensinamentos da educação formal, a escola. Sua tenacidade, inteligência, sensibilidade e amor, são qualidades excepcionais que conseguiram levar seu povo a refletir e a alcançar uma unidade de pensamento cujos ideais se voltam para o verdadeiro bem estar social, igualitário, justo, de amor, responsabilidade e respeito pela natureza e por sua cultura ancestral.
Rogério Cunha de Paula – Foz do Iguaçu / PR - Rogério Cunha de Paula, é biólogo, doutor em Recursos Florestais. Atualmente está à frente do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/MMA). Supervisiona e executa diversas estratégias e projetos para a conservação dos carnívoros brasileiros, como o Plano de Ação Nacional da Onça-Pintada, de âmbito nacional. Ainda, é pesquisador associado do Instituto Pró-Carnívoros, desenvolvendo projetos de pesquisa em diferentes ecossistemas. Dedica-se a colocar em prática ações estratégicas para equilibrar a conservação da onça-pintada entre outras espécies, a preservação das áreas naturais e as atividades humanas, buscando conscientizar a sociedade da importância desses animais no mundo em que vivemos.
Neiva Guedes – Rio Brilhante / MS - Doutora em Zoologia pela UNESP/Botucatu, criadora e executora do Projeto Arara Azul, exemplo de conservação e referência no Brasil e no mundo, Neiva estudou as araras azuis em vida livre e passou a manejar o ambiente, testando e produzindo ninhos artificiais, manejando ovos e filhotes, e acima de tudo, envolvendo a população e divulgando a importância de se manter as araras-azuis livres e voando na natureza. As aves que nas últimas décadas estavam ficando raras, tornaram-se comuns e abundantes em várias regiões do Pantanal e Estado de Mato Grosso do Sul.
Helder Nascimento – Sobral / CE - Francisco tem 28 anos, é morador de uma comunidade com diversos problemas sociais e sua história de vida é carregada de ressignificação e superação. É acadêmico do curso de pedagogia e tornou-se educador social voluntário e presidente da associação dos moradores do seu bairro, ao qual quando adolescente participava dos projetos sociais. Exerceu a função de professor durante quatro anos e foi educador do programa Pro-Jovem atuando no Centro de Referência de Assistência Social da sua comunidade. Atualmente é educador social e se consolida como um jovem emancipado e empreendedor das transformações sociais de sua vida e sua comunidade.
Nhoket Kaiapo – Belém / PA - Nhokety Kayapó lidera 1400 índios e reside na aldeia Kubenkare, desde a infância, foi preparado pelos avós para ser um bom cacique, de caráter respeitoso, com habilidade para manter seu povo sempre unido. Na adolescência, realizou a primeira experiência de transferir o grupo para outra localidade, junto com lideranças mais antigas. Hoje a luta continua, mas principalmente pela defesa e preservação dos territórios florestais, que estão cada dia mais ameaçados.
Eliane Menin – Gravatá / PE - Natural de Santa Catarina, Eliane cresceu na comunidade do Rio Bugre, onde morou e trabalhou na agricultura até os 33 anos. Atualmente trabalha em uma empresa fabricante de painéis onde tem uma função importante no âmbito do programa de mitigação da pegada de carbono dos Jogos Rio 2016, parte integrante do Abraça Sustentabilidade. Seu trabalho contribui para que essa tecnologia seja implementada além das obras dos Jogos Olímpicos, em outras localidades do Brasil, ajudando na adoção de tecnologias de construção civil mais sustentáveis como um legado para o país.
Ivanês Alexandrino – Mossoró / RN - Professor de Física e Matemática em escolas públicas do Rio Grande do Norte, Ivanês trabalha com reaproveitamento de resíduos eletrônicos para construir próteses e protótipos que possibilitassem mais acessibilidade às pessoas com deficiência na escola Tristão de Barros. Os alunos coletam lixo eletrônico e orientados pelo professor, criam novos produtos para atender os alunos com deficiência, que frequentam a própria escola. Com essas iniciativas foi vencedor de vários prêmios, como o “Respostas para o amanhã”, coordenado pela Samsung.
José da Fonseca – Maceió / AL - José Roberto, 64 anos, é sócio fundador e presidente da ONG Instituto Ecoengenho que desenvolve modelos de inclusão sócio produtiva para comunidades rurais de pobreza extrema com base em tecnologias sociais e uso de energias limpas. Os projetos beneficiam centenas de famílias que vivem abaixo da linha de pobreza tendo na força de trabalho das mulheres rurais o combustível para um conceito inovador de inclusão social, fundamentado na geração de renda para muito além das culturas de subsistência.
Mário Mantovani – Paraguaçu Paulista / SP - Ambientalista desde os anos 80 na luta em defesa da Juréia e especialista em bacias hidrográficas, Mário Mantovani é diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, ONG criada em 1986, que atua na conservação das florestas mais ameaçada do país e dos ambientes costeiros e marinhos associados, em busca do desenvolvimento sustentável e da qualidade de vida humana. Tem como meta promover a defesa da biodiversidade por meio de ações de educação e conhecimento acerca da Mata Atlântica e dos ecossistemas que estão sob sua influência.
André Portella – Boa Vista / RR - Eu sou André Luiz e tenho 13 anos, Dos gêmeos, sou o caçula. Gosto muito de participar dos jogos de rede, principalmente online, sou comunicativo e gosto muito de fazer amigos. Sou cadeirante e isso não me faz diferente, me sinto amado e aceito por todos. Minha família me apoia em tudo, me ensinaram a crer que somos capazes de tudo... E só querer. A minha limitação me faz crer que com coragem e treino tudo será possível. Fiquei muito feliz de poder participar do revezamento da Tocha Olímpica!
Felipe Portella – Boa Vista / RR - Meu nome é Luiz Felipe, Mas sou conhecido como Lipe. Tenho 13 anos e dos gêmeos, sou o mais velho. Gosto muito de vídeo games, principalmente os de futebol e artes maciais. Esportes me fascinam muito. Sou cadeirante, mas esse ponto, não se torna uma barreira em minha vida. Me sinto amado e feliz. Minha gargalhada e meu registro. Fui criado para ser feliz acima de tudo, do meu jeito. Estou achando incrível ser condutor da Tocha Olímpica. Quanto orgulho.
Marco Ciampi – Serra / ES - Marco Ciampi, tem uma trajetória pessoal que se confunde com a própria história da proteção da fauna em nosso país. Fundador da ARCA Brasil – Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal, atua profissionalmente desde 1992, criando e conduzindo trabalhos em praticamente todas as áreas das interações homem-animal. Entre outras, contribuiu decisivamente para a implantação de práticas mais humanas que beneficiaram milhões de animais criados para consumo humano. É reconhecido como um dos principais organizadores da consciência pela ética e respeito aos direitos dos animais no país.
Francisco da Mota – Montes Claros / MG - Francisco Correa da Mota, é da Comunidade Quilombola da Onça, nasceu e se criou no Peruaçu. Foi Presidente até recentemente da Associação Quilombola da Onça e adjacências, e atualmente faz parte do grupo que recém-fundou a Cooperativa de Agricultores Familiares e Extrativistas do Vale do Peruaçu Ltda. Francisco está muito feliz com a criação da Cooperativa e em ver os produtos que ele e seus parceiros beneficiam ganhando o mundo “Antes era cada um por si, cada um na sua Associação, hoje juntamos oito associações, treze comunidades e criamos a nossa Cooperuaçu, com apoio do WWF Brasil e dos parceiros. Agora tem produto nosso indo para Januária, Montes Claros, Belo Horizonte, Santa Maria no Rio Grande do Sul, Brasília, e até pra São Paulo”.
Raimundão Mendes – Rio Branco / AC - Raimundo Mendes de Barros, mais conhecido como "Raimundão", é atualmente um dos mais importantes líderes vivos do movimento de defesa das florestas do Acre, e um grande exemplo de morador da floresta, que usufrui de seus recursos sem destruí-la. Iniciou sua atuação junto com seu primo Chico Mendes, e desde o início da resistência dos seringueiros, foi seu braço direito. Aos 72 anos, tem um impressionante vigor para atuar nos movimentos sociais e sindicais em defesa das populações tradicionais da Amazônia. Sua luta por atividades alternativas de renda, que possam frear o aumento da pecuária e do desmatamento dentro e fora da RESEX, continua.
Francisca Inês – Brasília / DF - Francisca Inês veio do Nordeste em busca de uma melhor condição de vida, menos árida e mais promissora. Trabalhou em grandes propriedades rurais no cultivo de grãos, muitas vezes afastada de seu sonho de uma agricultura mais sustentável. As coisas começaram a mudar quando conquistou seu pedaço de terra e em seu terreno, colocou toda a sua inspiração e energia. Dona Inês instituiu práticas sustentáveis de produção agrícola e em parceria com a WWF, através do Programa Água Brasil, tem inspirado a muitos de seus vizinhos, que buscam cada vez mais o plantio de alimentos em harmonia com a natureza.
João Gonçalves – Ilhéus / BA - João tem 57 anos, 5 filhos e 7 netos, é pescador artesanal cuja pesca se baseia no uso sustentável tradicional, ele pesca robalo, aratu e caranguejo. Vive em Campinhos, comunidade localizada na Reserva Extrativista de Canavieiras e hoje é uma liderança comunitária que luta pelos direitos dos pescadores artesanais do Brasil. Também é presidente da Associação Mãe da Resex, destaca-se entre os seus objetivos a implementação de ações que fortalecem a cultura e os modos tradicionais de extrativismos, destacando a pesca sustentável. “Nos pescadores devemos nos organizar para poder ter nossos direitos e viver sem ganancia com a natureza”.
Rubens Gomes – Manaus / AM - Inconformado com a situação de violência juvenil nas periferias de Manaus, Rubão decidiu criar uma alternativa positiva para tirar parte destes jovens das ruas, com a criação da Oficina Escola de Lutheria do Amazonas (OELA), instituição que ensina como usar, de maneira responsável, os recursos naturais para inclusão social. Por meio do curso de lutheria, jovens de baixa renda aprendem a fabricar instrumentos de corda com madeira certificada da Amazônia. Essa iniciativa além de tirar crianças e jovens das ruas, tem estimulado alunos a seguir a profissão e se tornar multiplicadores em outras cidades. Rubens é um militante dos direitos dos povos e comunidades tradicionais, sua história de vida e luta se destacam no cenário socioambiental.
Pedro Fernandes – Piracanjuba / GO - Pedro Paulo nasceu em 1997 com uma lesão medular nível T-4 e iniciou seu caminho com a cadeira de rodas com 01 ano e 03 meses. Influenciado por seu pai se apaixonou pelo tênis em cadeira de rodas ainda pequeno e aos seis anos já praticava o esporte. Iniciou competindo na categoria juniores, sendo bicampeão e convocado para a seleção brasileira participando dos Jogos Parapanamericanos Juniores 2013 em Buenos Aires, conquistando medalha de bronze, atualmente participa das etapas nacionais da ITF e se dedica aos estudos no curso de administração.
Miriam Prochnow – Araranguá / SC - A catarinense Miriam Prochnow é uma ambientalista em tempo integral, trabalhando para proteger a natureza e a biodiversidade. Ajudou a criar a Associação de Preservação do Meio Ambiente (Apremavi), onde coordenou projetos de educação ambiental e planejamento de paisagens. Foi coordenadora da Rede de ONGs da Mata Atlântica, participando da discussão e aprovação da Lei da Mata Atlântica e da luta pela criação de unidades de conservação. É secretária executiva do Diálogo Florestal, iniciativa que promove ações de proteção e uso sustentável do meio ambiente. Trabalha no combate às mudanças climáticas, um tema onde todos devem arregaçar as mangas se a humanidade quiser continuar vivendo neste Planeta.
Lilia Martins – Paraíba do Sul / RJ - Lilia Pinto Martins, é brasileira, nascida no Rio de Janeiro e aos dois anos de idade teve poliomielite, tornando-a paraplégica. Iniciou ativismo político no Movimento das Pessoas com Deficiência na década de 1970, com influência nos avanços conquistados por uma sociedade mais inclusiva. Em 1988, foi uma das fundadoras do Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro (CVI-Rio), organização não-governamental, visando promover o fortalecimento pessoal das pessoas com deficiência e sua inclusão social, reconhecendo a diversidade humana. Assumiu a presidência da instituição, de 1997 a 2012, dando continuidade ao seu planejamento. Atualmente ocupa a Vice-presidência da organização.
Eduardo Guadagnin – Lajeado / RS - Filho de agricultores, Eduardo começou desde muito cedo a trabalhar com erva-mate. Sua consciência ambiental e o cuidado com a saúde de sua família, de seus funcionários e dos consumidores da erva-mate que produz, o levaram a ser o primeiro agricultor no mundo a obter a certificação internacional para produtos florestais não madeireiros da Mata Atlântica. A erva-mate que sai da Ervateira Putinguense, seja como chimarrão ou em forma de folhas secas para a produção de cosméticos, é uma conquista de Eduardo. Na comunidade onde vive, ele deixa o exemplo que é possível produzir de forma natural, beneficiando a saúde de quem produz e de quem consome. “Cuidar dos recursos naturais não significa pensar somente em nós, mas principalmente pensar em nossos filhos, netos e no futuro do nosso planeta”.