Zico lembra como superou 'trauma' Olímpico e motiva Comitê Rio 2016 em visita surpresa
Ídolo do futebol ressalta que participar dos Jogos foi oportunidade que não teve e reforça o valor do planejamento e da dedicação
Ídolo do futebol ressalta que participar dos Jogos foi oportunidade que não teve e reforça o valor do planejamento e da dedicação
Zico posa para selfie com funcionários do Comitê: ídolo inspirador e atencioso (Rio 2016/Gabriel Nascimento)
A menos de quatro meses da abertura dos Jogos Olímpicos, a reunião mensal da equipe do Comitê Organizador já prometia ser impactante. Mesmo assim, a surpresa preparada por Rodrigo Tostes, diretor de operações do Rio 2016, superou todas as expectativas: Arthur Antunes Coimbra, o Zico, 63 anos, grande ídolo de várias gerações de torcedores brasileiros e nome mítico do futebol intenacional, reforçou o time com uma palestra informal no auditório da sede do Comitê, no Centro do Rio.
Diante de mais de 500 funcionários e colaboradores do Rio 2016, o craque carioca lembrou seu traumático corte da seleção Olímpica que disputou os Jogos de Munique, em 1972, e ressaltou a importância da preparação antes de momentos decisivos. Ao final, passou vinte minutos pacientemente atendendo pedidos de selfies e fotos.

Em dezembro de 1971, aos 18 anos, Zico marcou seu primeiro gol com a camisa da seleção brasileira na vitória por 1 a 0 sobre a Argentina que valeu o título do torneio Pré-Olímpico, em Bogotá, na Colômbia. No ano seguinte, porém, o treinador Antoninho optou por não convocá-lo, alegando que ele não estava atuando pelo seu clube, o Flamengo. O craque não engoliu a decisão - em outras ocasiões, já disse que ficou "fulo da vida mesmo".
Zico acabou dando a volta por cima com dedicação aos treinamentos - incluindo um trabalho físico inovador para a época - e o esforço para se aprimorar mesmo ao fim das atividades coletivas. "Sempre fui conhecido por ficar praticando cobranças de falta depois dos treinos. Mas não eram só faltas, eram chutes a gol e outros fundamentos. As coisas não acontecem por acaso. Quanto mais eu trabalhava, mais as coisas aconteciam para mim."

Zico lembrou que a cultura no Brasil é mais voltada para a criatividade e o talento para o improviso, mas fez questão de apontar a importância de planejamento e treinamento para o sucesso. "Temos que estar preparados para o grande desafio. Individualmente e dentro do esforço coletivo", lembrou, comparando a responsabilidade de cada funcionário do Comitê Rio 2016 com sua visão do que era atuar diante de 150 mil pessoas no Maracanã, nos anos 70 e 80 - é o maior artilheiro da história do estádio, com 333 gols.
"Eu tive a oportunidade de viver em muitos países, de culturas bem diversas. Japão, Itália, Turquia, Grécia, Rússia, Uzbequistão, Iraque, Índia... E em todos eles as pessoas reconhecem no Rio um lugar incrível, especial", contou.
Depois da "preleção" e do cerco dos fãs, o técnico (profissão que exerce desde 1999) Zico deu entrevista ao Rio2016.com. Ele demonstrou confiança nas chances da seleção brasileira masculina no futebol Olímpico, que busca um ouro inédito nos Jogos Rio 2016. O sorteio, marcado para quinta-feira, 14 de abril, no Maracanã, não lhe preocupa.
Brasil, Argentina, Colômbia, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Portugal, Fiji, México, Honduras, Nigéria, Argélia, África do Sul, Japão, Coréia do Sul e Iraque serão divididos em quatro grupos para a primeira fase da competição, que será realizada no Rio de Janeiro e em Manaus, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e São Paulo em agosto.
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O torneio de futebol feminino será disputado por Brasil, Colômbia, Alemanha, Suécia, França, África do Sul, Zimbábue, Austrália, China, Nova Zelândia, Estados Unidos e Canadá.