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Um mundo novo

Yane Marques se 'diverte' na esgrima e vai à final na Copa do Mundo de Pentatlo Moderno

Por Rio 2016

Pernambucana supera problemas na prova de tiro e termina entre as 36 melhores do planeta no Parque Olímpico de Deodoro

Yane Marques se 'diverte' na esgrima e vai à final na Copa do Mundo de Pentatlo Moderno

Yane foi a oitava melhor no ranking round da esgrima na final (Alexandre Loureiro/Rio 2016)

Texto: Thiago Minete

Yane Marques provavelmente não conseguiria destaque se fosse apenas nadadora ou atiradora. Teria menos chances ainda como corredora. "É a minha pior prova", admite. Talvez tivesse algum sucesso como esgrimista ou amazona - mas experimente juntar tudo isto... "A união faz a força", resume a medalhista de bronze em Londres 2012, que iniciou bem a final feminina da Copa do Mundo de Pentatlo Moderno nesta sexta-feira (11), com o oitavo melhor resultado na esgrima.

"Joguei bem, foi uma esgrima solta, consegui me divertir na prova", conta a atleta. Foi um bom início de final para quem levou um susto no primeiro dia de competições. Uma das favoritas ao pódio, Yane Marques teve problemas com a pistola a laser na rodada de qualificação. Segundo ela, a máquina não computava alguns de seus tiros certeiros, o que a fez perder cinco ou seis disparos. Na quarta e última série de disparos, Yane trocou o estande de tiros e utilizou o reserva, desta vez sem problemas, mas já era tarde demais para chegar entre as primeiras.

"O nosso esporte está sujeito a erros como este, nisso a gente perde muito tempo... Vocês viram como a chegada é apertada", disse, referindo-se à pequena diferença de tempo entre as primeiras colocadas da disputa (apenas dois segundos separaram a primeira da quinta colocada). Acabou chegando em 12º lugar, posição suficiente para levá-la à final. 

"Ganhei uma segunda chance com essa classificação. Vou fazer melhor no sábado, na final"

Yane Marques, medalhista de bronze em Londres 2012

Yane Marques teve problemas com a pistola no evento combinado, mas conseguiu avançar à final (Foto: UIPM)


Do sertão ao Rio 2016

Melhor ainda que no sábado para Yane, só em agosto. Com classificação Olímpica já garantida, os Jogos Rio 2016 são a grande meta da pernambucana nascida há 32 anos na pequena Afogados da Ingazeira, cidade de 35 mil habitantes. Aos 11 anos, a pequena Yane se mudou para Recife, onde começou a carreira esportiva na natação. A vocação para o pentatlo só foi descoberta mais tarde, aos 19, quando participou de uma prova de biatlo (natação e corrida). Àquela época, Alexandre França planejava formar a equipe da Federação de Pentatlo de Recife e convidou a atleta. Apesar de nunca ter atirado ou praticado esgrima, a pernambucana arretada aceitou o desafio.

"Eu não tinha a menor idéia do que era quando fui apresentada à modalidade, mas achei interessante e desafiadora. Topei de cara"

O sucesso veio rápido: ouro nos Jogos Pan-Americanos Rio 2007, 18º lugar em Pequim 2008 e 3º lugar no ranking mundial em 2011 - a melhor posição já alcançada por um sul-americano no esporte. O maior resultado da carreira viria no ano seguinte: o bronze em Londres 2012, primeira medalha Olímpica de um país do hemisfério sul no esporte:

“Com certeza, tem um algo a mais quando comparado às outras medalhas que consegui até hoje”

Após o ouro, a carreira continuou em alta. Em 2013, foi campeã da Copa Kremlin, na Rússia, deixando para trás as últimas duas campeãs Olímpicas: Laura Asadauskaite (Londres 2012) e Lena Schonebron (Pequim 2008). Em Toronto 2015, venceu a competição com direito a recorde mundial de aproveitamento de esgrima no pentatlo moderno, com 85% (18 vitórias e três derrotas). 

Agora, o foco é Rio 2016: "Eu quero chegar bem, assim como cheguei em Londres, sendo uma das 15, 20 atletas com chance de pódio. A energia positiva das arquibancadas pode fazer a diferença a nosso favor", diz, na segunda do plural, convocando a torcida brasileira. 

Yane Marques disputa final neste sábado (11) (Foto: UIPM)


Sutilezas como estas mostram a simpatia da atleta de 1,66m e 53kg, sempre com sorriso no rosto, e mascaram a rotina puxada de quem precisa competir em alto nível em provas de cinco esportes.

"Cansei de ver a Yane chorando ao fim dos treinos. Se fosse outra pessoa, já teria desistido"

Michael Cunningham, coordenador técnico da seleção brasileira

Fora do "regime" de treinos, Yane gosta de comer espaguete à bolonhesa e caranguejo. Sem renegar as origens, resume a importância de seu labrador, que também sempre ganha atenção especial nas voltas para casa: "É o meu xodó". São palavras simples e sinceras, de uma atleta que saiu do sertão para chegar ao topo de um esporte pouco conhecido para a maioria dos brasileiros:

"Antes eu era aquela atleta que fazia um monte de esporte. Agora, os brasileiros conhecem mais sobre o pentatlo moderno"


No masculino, favoritos seguem na briga

Assim como na feminina, deu a lógica na qualificação masculina: quase todos os favoritos seguem na briga pelo pódio. Riccardo de Luca, da Itália, treve a pontuação mais alta. Os xarás franceses Valentin Belaud e Valentin Prades também avançaram, assim como o campeão Olímpico David Svoboda. Voltando de contusão, o tcheco enfrentou dificiludades, mas garantiu seu lugar na final deste domingo (12). A grande ausência será a do chinês Cao Zhongrong, prata em Londres 2012, que não conseguiu se classificar para a decisão.

A final masculina acontece no domingo (12) (Foto: Alexandre Loureiro/Rio 2016)