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Um mundo novo

Voluntários são elogiados no encerramento do evento-teste da bocha, no Riocentro

Por Rio 2016

Apesar da competição ter sido realizada em local diferente de onde acontecerá nos Jogos Rio 2016, foi possível testar várias ações importantes

Voluntários são elogiados no encerramento do evento-teste da bocha, no Riocentro

Brasileiro Maciel Santos obteve duas medalhas de ouro no Torneio Internacional de Bocha (Rio 2016/Alex Ferro)

Com ouro por equipes para o Brasil, mais outro individual na classe BC2 com Maciel Santos, campeão Paralímpico em Londres 2012, terminou neste sábado (14.11) o Torneio Internacional de Bocha, evento-teste do esporte para os Jogos Rio 2016, no Riocentro. O trabalho desempenhado pelos voluntários do evento foi muito elogiado, tanto por dirigentes como por atletas – foram 22 competidores, representando cinco países (além do Brasil, Grã-Bretanha, Rússia, Portugal e Israel).

Com duas medalhas douradas no peito, Maciel disse que na parte de testes com a organização, tudo foi “perfeito”. Pessoalmente, falou que fecha a competição com a certeza de que está “no caminho certo” para o ano que vem.

“Para mim é sempre um orgulho levar o nome do Brasil ao alto do pódio. Já estou imaginando como será em 2016!”, disse o atleta, que estará defendendo seu título de Londres 2012. “Tecnicamente também foi muito bom, até mais forte do que estava esperando, o que também ajudou bastante", assinalou.

"Agora é consolidar a prática"

Três dias de competições deram chance a um aprendizado enorme, tanto da parte dos organizadores como dos voluntários, que será imprescindível nos Jogos Paralímpicos, de 7 a 18 de setembro de 2016, como destacou Joaquim Viegas, delegado-técnico da Federação Internacional de Bocha (BISFed, na sigla inglesa). “Mesmo não sendo no local onde serão as disputas da bocha nos Jogos Paralímpicos, no caso a Arena Carioca 2, no Parque Olímpico, tivemos condições semelhantes, como o piso, a estrutura em geral, o ‘look’. Tivemos a facilidade de estar muito perto do hotel, o que facilita muito para nossos atletas, inclusive para a chance de um descanso mais longo”, disse o dirigente.

O único aspecto que não pôde ser testado foi o sistema de resultados e o software do programa de competição, já que alguns critérios da classificação da bocha mudaram. “Mas isso aconteceu para todos os esportes. Não haverá problemas, porque volto em abril para ver justamente esse ponto com o pessoal da Omega e da Atos", explicou.

Para Joaquim Viegas, a organização foi bem, com uma equipe de voluntários muito boa. “Isso é muito importante no caso dos Jogos Paralímpicos. Aqui, tivemos gente jovem, empenhada em aprender, e aprender bem e que cresceu muito em três dias, o que nos facilita demais. Agora é consolidar essa prática, em termos de estrutura, para os Jogos", falou o dirigente.

Participaram das competições atletas com restrição de movimentos por paralisia cerebral (e justamente sem comprometimento de raciocínio, porque a bocha é um jogo altamente tático) das classes BC1 (com auxiliares para colocar as bolinhas em suas mãos), BC2 (que não têm auxiliares), mais BC3 (a que tem mais restrição de movimentos e requerem o auxílio de uma calha e um acompanhante, o calheiro, para direcionar o equipamento e colocar a bolinha para o atleta arremessá-la, na maior parte das vezes com movimentos da cabeça). A bocha Paralímpica tem ainda a BC4, com cadeirantes cujas sequelas não têm origem na paralisia cerebral.

Campeão na classe B3, Hygor Santos recebe a medalha no pódio (Foto: Alex Ferro/Rio 2016)

 

Dinâmica sem falhas

Gustavo Nascimento, diretor de gestão de instalações do Comitê Rio 2016, falou da dinâmica de competições “sem falhas” e destacou: “Fez parte da nossa decisão organizarmos o evento, mesmo sendo no Riocentro, porque nos atendia para os testes. Não é apenas acessibilidade, mas rotas e deslocamentos. O tempo destes atletas é bem particular e tem de ser levado em conta na gestão da competição.“

O diretor comentou que a bocha é um esporte maduro no Brasil e que “é preciso ouvir as pessoas que têm esse conhecimento do esporte, porque sempre vamos ter maneiras de melhorar o que fazemos”. Sobre os voluntários, além de ganharem elogios, Gustavo disse que “eles mesmos adoraram!”.

Técnico da Grã-Bretanha, Chris Wagg considerou importante a vinda da equipe para o evento-teste, mesmo não sendo no local onde serão as competições Paralímpicas, porque "deu para dar uma olhada" em tudo.

"Por exemplo, a viagem de avião, de 12 horas e meia, a acessibilidade para os atletas, a comida, o trabalho dos voluntários... Eles fazem todo o esforço possível para agradar os atletas, tudo o que é importante para eles. No geral, tivemos uma boa experiência."

Wagg destacou um ponto fundamental para os cadeirantes: "Pudemos ver, lá do alto do hotel onde estamos, toda a disposição do Parque Olímpico, da Vila dos Atletas e a distância entre as arenas".

Alegria, vida...

Os atletas, de modo geral, comemoraram muito a participação no evento-teste, como Hygor Santos, campeão da classe BC3. Acompanhado da mãe, Egnônia, Hygor disse: “Na quadra, me sinto alegre! Jogando, sinto que tenho liberdade".

Se Hygor foi convidado e gostou também pelo aprendizado e a chance de conhecer mais pessoas, o britânico David Smith joga desde os 6 anos de idade. É um profissional da bocha Paralímpica na Inglaterra, aos 26 anos, e também professor em um clube. A diversidade de participantes se estendeu aos russos, que consideraram muito boa a ida, gostaram da comida, do calor e das pessoas. Dimitri Kozmin, de apenas 16 anos, gostou das pessoas "sempre sorrindo". Sobre a bocha, disse que é, simplesmente, “a minha vida”.
 

O brasileiro Hygor, que foi convidado, o britânico David, que é atleta profissional, e o russo Dimitri, com a mãe Svetlana Kozmina