Voleibol sentado: promessa de febre dos Jogos Paraolímpicos Rio 2016™
Irã e Bósnia e Herzegovina ensinam os segredos de um dos esportes mais dinâmicos e emocionantes do programa dos Jogos
Irã e Bósnia e Herzegovina ensinam os segredos de um dos esportes mais dinâmicos e emocionantes do programa dos Jogos
Estados Unidos e China duelam em Pequim 2008 (Foto: Adam Pretty/Getty Images)
Se o Brasil é sinônimo de escola vencedora e multiplica conquistas no voleibol olímpico, é ainda um aprendiz no Voleibol sentado, esporte que promete ser uma das grandes atrações dos Jogos Paraolímpicos Rio 2016™. O dinamismo do jogo em uma quadra de 10m por 6m, com rede a 1m15 para os homens e 1m05 para as mulheres, proporciona duelos emocionantes para o público e cobra alto nível técnico dos atletas, que competem em equipes de seis, como no voleibol tradicional, e não podem tirar os quadris do chão durante os pontos.
A segunda modalidade mais popular para os brasileiros, atrás apenas do futebol, certamente lotará as arquibancadas do Hall 3 do Parque Olímpico do Rio, como fez nos históricos Jogos Parapan-Americanos Rio 2007. Na oportunidade, o Brasil venceu a final masculina contra os Estados Unidos de virada, por três sets a dois, e conquistou uma vaga para Jogos Paraolímpicos pela primeira vez na história.
“Foi uma experiência muito legal e é um aperitivo do que vai acontecer no Rio 2016. O Brasil foi para Pequim 2008 e chegou até a disputa do 5º lugar. Perdeu para a China jogando contra uma torcida de oito mil chineses. Entre o terceiro e o oitavo lugares, a disputa é parelha. Apenas Irã e Bósnia e Herzegovina estão um passo à frente”, relata Amauri Ribeiro, técnico da seleção brasileira masculina de 2004 até 2009 e atual presidente da Associação Brasileira de Voleibol Paraolímpico.
Dois países imbatíveis entre os homens
Apenas atletas amputados, paralisados cerebrais, lesionados na coluna vertebral ou com outros tipos de deficiência locomotora podem competir no Voleibol sentado, disputado desde 1980 em Jogos Paraolímpicos. Em um país, porém, a prática do esporte foi além, alcançou pessoas sem qualquer deficiência e tornou-se tradição.
No Irã, a modalidade é sucesso há décadas. Os iranianos não tomaram conhecimento dos adversários por 12 anos consecutivos e ganharam quatro ouros entre Seul 1988 e Sydney 2000. Perderam a final de Atenas 2004 para Bósnia e Herzegovina, mas recuperaram o domínio em Pequim 2008.
Já para a Bósnia e Herzegovina, que sofreu com a instabilidade política, a guerra e a intervenção internacional durante a década de 1990, antes, durante e após o processo de independência da ex-Iugoslávia, o Voleibol sentado proporcionou a única medalha em Jogos Olímpicos ou Paraolímpicos em Sydney 2000 (prata), Atenas 2004 (ouro) e Pequim 2008 (prata).
“No Irã, o voleibol sentado é muito popular. É praticado no país inteiro. A Bósnia formou uma equipe e passou um período no Irã treinando e dividindo conhecimentos”, diz Amauri, que participou de quatro Jogos Olímpicos pela seleção brasileira de voleibol, conquistando a prata em Los Angeles 1984 e o ouro em Barcelona 1992.
China lidera o desenvolvimento do esporte no feminino
O Voleibol sentado abriu as portas para as mulheres em Jogos Paraolímpicos a partir de Atenas 2004. Nas duas primeiras edições, duas medalhas de ouro da China. Os Estados Unidos conquistaram primeiro o bronze, depois a prata. A Holanda ficou com a prata, depois o bronze.
Para Londres 2012, disputado por dez equipes no masculino e oito no feminino, as favoritas e os favoritos se mantém. O Brasil, entretanto, já traça planos ambiciosos. “O objetivo é disputar pela primeira vez no feminino e já buscar uma medalha no masculino. Para Rio 2016, não queremos nada menos que o ouro”, visualiza o comandante brasileiro.
Criado na Holanda em 1956, o esporte cresce em número de praticantes ao redor do mundo. O ranking da Organização Mundial de Voleibol para Deficientes (WOVD, na sigla em inglês) conta cerca de 50 nações no masculino e 30 no feminino. Para Rio 2016, os apaixonados aprendizes da casa terão os tradicionais gigantes sentados pela frente. Além dos quadris, os pés no chão podem levar às alturas.