“Treinar, treinar e treinar”: a estratégia dos campeões a quatro meses dos Jogos
Atletas falam sobre sua rotina de exercícios até os Jogos Paralímpicos Rio 2016
Atletas falam sobre sua rotina de exercícios até os Jogos Paralímpicos Rio 2016
Brasil foi o primeiro colocado no quadro de medalhas dos Jogos Parapan-americanos de Toronto 2015, com 257 conquistas (Foto: CPB/Marcelo Regua)
A quatro meses do início dos primeiros Jogos Paralímpicos da América do Sul, como os atletas se preparam para as competições e de que maneira podem melhorar seu desempenho? A velocista e saltadora Verônica Hipólito, 19 anos, tem a resposta na ponta da língua: “treinar, treinar e treinar”. Segunda no ranking mundial dos 400m da classe T38, terceira no salto em distância e vencedora de três ouros e uma prata no Parapan de Toronto, em 2015, a jovem sorridente garante que sempre é possível melhorar, até mesmo no dia da própria competição. “Quero chegar a setembro em minha melhor forma, para buscar o ouro no Rio 2016”, afirma. Com um AVC e duas cirurgias no histórico médico, Verônica conta que, às vezes, acha que não vai aguentar o ritmo dos treinos. “Mas então sigo por mais um pouquinho”, diz. “Temos de praticar sempre.”
No Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), a psicóloga do esporte Regina Brandão começa a entrar em um trabalho de sintonia fina com o atletismo e o judô. “Vamos aos ajustes: como se preparar para os Jogos e lidar com o momento da competição”, explica. “A ambientação, por exemplo, é um fator importantíssimo.” O ideal, segundo ela, é que os atletas arrumem suas acomodações, na Vila Olímpica, como se fossem as próprias casas, para evitar estresse. “Devem levar o travesseiro particular, alguma roupa especial, fotos da família e dos amigos”, aconselha. “Esses esportistas já passaram por muitas situações difíceis e esse é o momento de transformar a força de vida em força competitiva.”

Assim como Verônica, Jane Karla Rodrigues segue aprimorando a técnica no tiro com arco e ajustando a cadeira de rodas para assegurar o máximo de estabilidade. Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, ela garante que completa 300 tiros diários e, se preciso, treina até o anoitecer com o técnico Henrique Junqueira. “Se está muito escuro, acendemos os faróis do carro para enxergar”, diz.
Nessa reta final até o Rio 2016, várias promessas brasileiras também dedicam-se a outras competições. No Aberto Europeu de Natação Paralímpica, disputado em Funchal, na Ilha da Madeira, o nadador Daniel Dias quebrou seu próprio recorde mundial nos 50m costas da classe S5: alcançou 34s95 na quinta-feira (5), contra a marca anterior de 34s99.

Entre 18 e 21 de maio, o Estádio Olímpico recebe o Open Internacional de Atletismo Paralímpico, que encerra a série de 44 eventos-teste do Aquece Rio promovidos pelo Comitê Rio 2016. Há também duas etapas do Circuito Brasileiro do CPB, em São Paulo: uma entre 24 e 26 de junho (atletismo e natação) e outra de 14 a 17 de julho (atletismo, natação e halterofilismo). De 21 a 31 de agosto, por fim, atletas de 15 modalidades passam por uma aclimatação no Centro Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, com 280 vagas nos alojamentos para atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5, futebol de 7, goalball, halterofilismo, judô, natação, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, triatlo e voleibol sentado.