Tiro com arco se renova e se profissionaliza no Brasil
Liderada por Daniel Xavier, equipe nacional aprimora sua técnica em tempo integral
Liderada por Daniel Xavier, equipe nacional aprimora sua técnica em tempo integral
Marcus Vinícius, de 15 anos, treina para representar a seleção brasileira no Campeonato Mundial 2013 (Arquivo / Evandro de Azevedo França)
Praticado há pouco tempo no Brasil, o tiro com arco vive o melhor momento da sua história. Criada em 1991, a CBTARCO, confederação brasileira responsável pelo esporte, investiu em dois centros de treinamento em parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para desenvolver a disciplina: um em Maricá (RJ), voltado para a formação de jovens atletas, e outro em Campinas (SP), que reúne os dez melhores arqueiros brasileiros, que treinam em tempo integral.
Único representante brasileiro nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, o mineiro Daniel Xavier vibra com a evolução do tiro com arco no país, que vai receber a primeira edição dos Jogos na América do Sul.
“A equipe brasileira está bem renovada e todos os atletas que estão indo ao campeonato mundial fazem parte do Masterplan 2016, um programa criado em 2011 e concebido de um convênio entre COB, CBTARCO e World Archery (Federação Internacional de Tiro com Arco), todos interessados em aprimorar as qualidades técnicas dos atletas brasileiros para 2016 e conseguir medalhas. Completamos dois anos de programa esse ano, ou seja, faz dois anos que o Brasil possui atletas profissionais de tiro com arco”, explicou Daniel.
Em Campinas, a seleção – que conta com cinco homens e cinco mulheres - é treinada pelo britânico Richard Priestman, bronze por equipes em Seul 1988 e Barcelona 1992. Seis destes atletas vão disputar o Campeonato Mundial 2013, em Belek, na Turquia. Além de Daniel Xavier, a equipe masculina contará com Marcos Bortoloto e Marcus Vinícius D’Almeida. Já o time feminino será composto por Sarah Nikitin, Ane Marcelle dos Santos e Marina Canetta.
Marcus Vinícius, de apenas 15 anos, e Ane Marcelle, de 19, são frutos do centro de treinamento de Maricá, inaugurado em 2009, na Região dos Lagos, no Rio. Eles conheceram o esporte por meio de projeto social da CBTARCO com as escolas públicas do município e logo se apaixonaram pela prática milenar de utilizar um arco e flechas para acertar o alvo.
“Comecei no esporte em 2010, com 12 anos, e faço parte da seleção brasileira desde outubro do ano passado. Hoje sou uma pessoa com compromisso e, regras, além de conhecer mais sobre saúde, uma vez que temos um nutricionista e um preparador físico. Sou mais responsável, inclusive na escola”, afirmou.
A competição na Turquia será apenas a sua segunda viagem internacional - a primeira aconteceu há menos de um mês, quando foi para a Polônia disputar a quarta etapa da Copa do Mundo, entre 19 e 25 de agosto.
Ane Marcelle também treina há três anos, mas só em 2013 já participou de todas as quatro etapas da Copa do Mundo (China, Turquia, Colômbia e Polônia), e fala como profissional. Com uma pulseira onde se lê a frase “I Love Archery” (“Eu amo arco e flecha”), ela revela: “É para dar sorte. O esporte para mim é uma paixão. Acho que os jovens deveriam se dedicar mais ao esporte. Acredito que o Brasil se sairá muito bem no Mundial e melhor ainda em 2016”.
O ano ainda nem acabou, mas os atletas da seleção já comemoram o que chamam de uma temporada marcante. Principalmente para Daniel Xavier e a paulistana Sarah Nikitin, os dois remanescentes da equipe que defendeu o país nos Jogos Pan-americanos Guadalajara 2011.
“Esta sendo um ano atípico. Estamos fazendo muitas viagens visando à disputa do Mundial no curto prazo e a preparação para os Jogos Olímpicos.Nosso esporte sempre foi amador aqui no Brasil, mas agora que recebemos um salário é possível se dedicar em tempo integral. Além disso, moramos e treinamos juntos aqui em Campinas. É um projeto que tem como objetivo resultados expressivos em competições e a obtenção de medalhas em 2016”, disse Sarah.
Daniel assina embaixo: “Esse ano está sendo muito importante para nós. Pela primeira vez conseguimos participar de todas as etapas da Copa do Mundo, vivenciamos coisas novas e estamos adquirindo experiência e confiança para enfrentar de igual para igual os atletas de outros países. E os resultados, tanto individuais quanto por equipe, estão cada vez melhores”.