Sete grandes questões que 2016 vai responder
O Brasil finalmente consegue o ouro no futebol masculino? Sai ou não sai o 'triple triple' de Bolt'? Vai ter ouro na volta de Phelps? Especialistas dos Jogos do Rio dão seus prognósticos
O Brasil finalmente consegue o ouro no futebol masculino? Sai ou não sai o 'triple triple' de Bolt'? Vai ter ouro na volta de Phelps? Especialistas dos Jogos do Rio dão seus prognósticos
Getty Images/Rio 2016/ICF
Ele já é considerado por muitos o maior velocista de todos os tempos. Vai chegar aos prováveis últimos Jogos Olímpicos de sua carreira com chance de se posicionar entre gigantes como Muhammad Ali e Pelé, atletas que transcenderam seus esportes. Se completar um inédito "triple-triple" (três ouros nas mesmas provas - 100m, 200m e 4x100m - em três Jogos Olímpicos seguidos) no Rio, Usain Bolt estará muito perto de chegar lá.
Onze vezes campeão mundial, o jamaicano vai fazer 30 anos em 21 de agosto, dia da cerimônia de encerramento. No último Mundial de Atletismo, em agosto de 2015, Bolt calou os críticos ao derrotar o americano Justin Gatlin - que vinha sendo mais rápido que ele o ano todo - nos 100m e nos 200m. Bolt já declarou sua intenção de correr os 200m em menos de 19 segundos, e não é prudente apostar contra um atleta tão focado em seus objetivos.

PROGNÓSTICO: "Talvez o revezamento seja a prova mais fácil para Bolt. Os EUA devem exigir muito dos rivais, mas a Jamaica tem excelentes velocistas. Nos 100m e nos 200m, Bolt estará em confronto direto com Justin Gatlin, serão paradas duras. Mas eu acredito no Bolt, porque ele sempre brilha nos momentos mais importantes."
Martinho Nobre, gerente de atletismo do Rio 2016
Ele é o maior vencendor entre os atletas Olímpicos de todos os tempos, tem 22 medalhas (18 de ouro). Como o próprio Phelps admite, porém, teve de passar por "tempos sombrios" depois de Londres 2012. A condenação por dirigir embriagado em 2014, a batalha contra a depressão e uma estadia em centro de reabilitação tornaram mais humana a figura que era vista como semideus das piscinas. Por isso mesmo, fãs do esporte no mundo todo vibraram muito em abril de 2015, quando ele finalmente confirmou que deseja competir no Rio.
Phelps terá 30 anos quando começar sua quinta participação em Jogos Olímpicos, mas já demonstrou que os tempos de forma majestosa não ficaram no passado. Em agosto de 2015, no mais recente campeonado americano, venceu os 100m borboleta deixando para trás o arquirrival Chad le Clos (que dias antes tinha se sagrado campeão mundial). Podemos esperar, sim, um capítulo final glorioso.

PROGNÓSTICO: “Acredito que ele consegue. Eu apostaria nele nos 100m borboleta e nos 200m medley. Também acho que ele estará na equipe americana do revezamento 4x100m, que é medalha quase certa."
Ricardo Prado, gerente de natação do Rio 2016
Não é por acaso que a China é considerada imbatível neste esporte. Nas últimas duas edições dos Jogos Olímpicos, seus atletas faturaram todas as medalhas de ouro em disputa. Desde que o tênis de mesa entrou no programa Olímpico, em Seul 1988, levaram para casa 24 das 28 medalhas distribuídas. Durante o evento-teste no ano passado, quando Rio2016.com perguntou a técnicos e jogadores se os chineses poderiam ser batidos, alguns expressaram esperança... mas não muita.

PROGNÓSTICO: “Vai ser muito difícil para os outros países, mas o alemão Dimitrij Ovtcharov tem chances, assim como a japonesa Ai Fukuhara. Os dois estão em quarto lugar no ranking, atrás de jogadores chineses. Nas competições por equipes, vencer a China é praticamente missão impossível no momento."
Carlos León e Edimilson Pinheiro, gerentes de tênis de mesa do Rio 2016
É o único título internacional que falta ao futebol masculino do país, renomado no planeta pelos cinco triunfos em Copas do Mundo. No torneio de futebol Olímpico, os meninos do Brasil foram prata em três ocasiões - 1984, 1988 e 2012 - e tiveram de se contentar com o bronze duas vezes (1996 e 2012). A expectativa para 2016 é ter Neymar - o astro do Barcelona já expressou sua intenção de buscar o título histórico - comandando uma equipe forte. O ídolo Romário acredita que chegou, enfim, a hora de ganhar esse ouro Olímpico.
O problema é que há dois grandes adversários se agigantando no horizonte brasileiro: Argentina, a vizinha e maior rival, que levou o ouro em 2004 e em 2008 (depois de vencer o Brasil por 3 a 0 na semifinal) e Alemanha, que na Copa do Mundo de 2014 humilhou os anfitirões com uma histórica goleada por 7 a 1. Em 2016, teremos mais lágrimas ou uma festa pela redenção do Brasil?

PROGNÓSTICO: "O Brasil tem chances muito grandes de ser campeão tanto no masculino quanto no feminino. Eu apostaria nos dois ouros.”
Mauricio Waknin, gerente de futebol do Rio 2016
A volta do esporte aos Jogos Olímpicos após uma ausência de 112 anos certamente será um dos fatos mais comentados no Rio 2016, com a maioria dos jogadores de elite brigando no Campo Olímpico de Golfe, na Barra da Tijuca. O americano Jordan Spieth, atual líder do ranking, aposta que o torneio Olímpico será um dos grandes momentos da temporada. O #3 do ranking, Rory McIllroy, que optou por representar a Irlanda em vez da Grã-Bretanha, também deve ser uma das atrações.
A americana Michelle Wie, estrela do golfe feminino, já expressou sua vontade de participar, mas está atualmente fora da zona de classificação - quem lidera o ranking Olímpico agora é a neozelandesa Lydia Ko.

PROGNÓSTICO: “Eu diria que Jordan Spieth leva o título masculino. E Inbee Park [sul-coreana, segunda do ranking] vence entre as mulheres."
Claudia Guedes, gerente de golfe do Rio 2016
Considerado por muitos o maior tenista de todos os tempos, Roger Federer é o recordista em títulos de Grand Slam (17, três mais que Rafael Nadal e Pete Sampras). O suíço, atual #3 do ranking, foi campeão nas duplas em Pequim 2008, mas não esconde que ainda sonha com o ouro no torneio de simples (em 2008, caiu nas quartas; em 2012, perdeu para Andy Murray na final) .
Ele já expressou seu desejo de buscar a medalha no Rio, onde também deve disputar o torneio de duplas ao lado de Stan Wawrinka, no recém-inaugurado Centro Olímpico de Tênis. Aos 34 anos, sem vencer um Grand Slam desde 2012, Federer pode não ter mais o mesmo vigor. Mas a classe, como dizem, é eterna.

PROGNÓSTICO: “Federer vai fazer tudo que puder para vencer no torneio de simples. Nessa estágio da carreira, um jogador corre atrás dos títulos que lhe faltam. Ganhar três ouros é improvável, mas, em se tratando de Federer, tudo é possível."
Eduardo Frick, gerente de tênis do Rio 2016
Dois novos esportes vão estrear no Rio de Janeiro, em dois dos mais belos cenários da cidade. A canoagem velocidade será disputada na Lagoa Rodrigo de Freitas, e o triatlo, em Copacabana. Os eventos-teste mostraram que os dois esportes têm tudo para proporcionar drama e emoção.

PROGNÓSTICO: “Dois atletas que se destacam na paracanoagem são Jeanette Chippington, da Grã-Bretanha, e Markus Swoboda, da Áustria. Outros países com bons nomes são Alemanha, Brasil, Polônia, Canadá, Austrália, França, Rússia, Itália e Hungria."
Sebastián Cuattrin, gerente de canoagem do Rio 2016
PROGNÓSTICO: “São poucos os países particularmente fortes em paratriatlo. Austrália, Grã-Bretanha e Brasil têm boas equipes e devem estar entre os medalhistas.”
Rychard Hryniewicz, gerente de triatlo do Rio 2016