Último evento-teste tem sucesso do Brasil e recordes no atletismo Paralímpico
Pista passa pelo desafio da chuva intensa e recebe elogios. Equipe do Brasil fecha Open Internacional com 49 medalhas de ouro
Pista passa pelo desafio da chuva intensa e recebe elogios. Equipe do Brasil fecha Open Internacional com 49 medalhas de ouro
Com três medalhas de ouro, Felipe Gomes se apresenta como candidato a astro nas competições em setembro (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
Recordes mundiais, elogios a uma pista que enfrentou condições extremas e histórias inspiradoras marcaram o Open Internacional Caixa Loterias, evento-teste do atletismo Paralímpico que encerrou a maratona de atividades oficiais preparatórias para os Jogos Rio 2016. Quem participou das disputas no Estádio Olímpico ou acompanhou a ação das arquibancadas até este sábado (21) teve a certeza de que as competições Paralímpicas, em setembro, prometem momentos épicos.
No primeiro dia do Open, quarta-feira (18), uma chuva torrencial caiu durante as provas noturnas. Foi um grande teste para a pista, que mostrou confiabilidade e permitiu que o cronograma seguisse conforme o planejamento inicial. “Estava um pouco aflito porque já caí em pista molhada, mas me senti bem. Ela está muito veloz”, elogiou Alan Fonteles, que competiu nos 100m e venceu os 200m classe T44 (amputados e pessoas com outros tipos de deficiência como má formação congênita). “A pista estava muito boa e a chuva não atrapalhou”, disse a estrela cubana Omara Durand, que venceu nos 100m e 200m classe T12 (deficientes visuais) e também encarou os efeitos do aguaceiro.
Chuva não impede atletas como Fonteles, que usa prótese, de competir (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
Astro e campeão dos 400m classe T54 (para atletas que competem em cadeira de rodas) no sábado (21), o suíço Marcel Hug aprovou a versão seca da pista. “Ela está ótima, as condições de competição aqui são muito boas”, elogiou o heptacampeão mundial, que ainda persegue seu primeiro ouro Paralímpico. “A pista é uma delícia. Sabendo usar, ela retorna fácil”, concordou a brasileira Terezinha Guilhermina, que foi prata nos 100m classe T11 (deficientes visuais), mas assustou a torcida ao sentir a coxa na disputa dos 200m e abandonar a prova. Segundo informação do coordenador do atletismo do Comitê Paralímpico Brasileiro, Ciro Winckler, o problema não ameaça sua participação nos Jogos.
Daniel Martins bate recorde e acredita que pode melhorar sua marca (Foto: MPIX/CPB/Fernando Maia)
Um dos recordes mundiais do evento-teste foi do brasileiro Daniel Martins nos 400m classe T20 (pessoas com deficiência intelectual), 47s48. “Acho que nos Jogos vai dar para baixar esse tempo”, afirmou o atleta, um dos destaques da delegação brasileira, que no evento-teste totalizou 124 medalhas, 49 de ouro. Felipe Gomes, que venceu os 100m, 200m e 400m classe T11 (pessoas com deficiência visual), mostrou sua força. “Nunca tinha conseguido três ouros em uma competição internacional antes”, comemorou. O outro recorde mundial foi do dinamarquês Daniel Jorgensen no salto em distância classe T42 (amputados e pessoas com outros tipos de deficiência como má formação congênita), 6,77m.
Omara mostra seu brilho ao vencer no Estádio Olímpico (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
“O evento foi um sucesso”, disse Craig Spence, diretor de comunicação do Comitê Paralímpico Internacional (IPC). Faltam pequenos ajustes, segundo o dirigente, apenas na acessibilidade. “Mas nada que preocupe. Para isso servem os eventos-teste e estou certo de que tudo estará em ordem em setembro".
O diretor de Esportes do Comitê Rio 2016, Agberto Guimarães, disse que já conversou com dirigentes do IPC sobre a questão. “O que a gente puder fazer para minimizar o transtorno dos atletas será feito”. O dirigente complementou que a pista de aquecimento para as provas de corrida estará pronta em breve, assim como a área exclusiva de aquecimento para as provas de arremesso, que já teve as obras iniciadas.
Os eventos-teste terminaram, mas ainda há uma atividade prevista em junho no Velódromo. “Ainda vamos conversar com a Federação Internacional de Ciclismo (UCI), mas a ideia é trazermos alguns atletas do exterior para um treino que nos permita avaliar a pista, talvez a o sistema de cronometragem e o nosso pessoal”, complementa Guimarães.
Esmeralda de Jesus participou de duas edições dos Jogos Olímpicos – Montreal 1976 e Los Angeles 1984 - e chegou a ter a melhor marca do mundo no salto triplo antes que a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) passasse a registrar recordes mundiais. Nos Jogos Rio 2016 é voluntária, e nos eventos-teste trabalhou diretamente com os atletas Olímpicos e Paralímpicos coordenando a área de aquecimento. “Às vezes é tanto trabalho que não dá para sentir emoção”, brincou. “O atletismo Paralímpico é um aprendizado. A força, a garra que os atletas têm é uma coisa que me emocionou".
Esmeralda se impressiona com a força do esporte Paralímpico (Foto: Rio 2016/Gabriel Nascimento)
Victor Wang Fernandez e João Batista Maia da Silva passaram quase despercebidos como fotógrafos, a não ser por detalhes. O primeiro é paraplégico e usa cadeira de rodas, e o segundo tem uma deficiência conhecida como baixa visão. Como atletas, atuaram no basquetebol em cadeira de rodas e atletismo Paralímpico, respectivamente, e atualmente, depois de estudarem fotografia, trabalham juntos para uma organização não governamental (ONG) chamada Mobivisão.
Vitão e João mostram a inclusão que vai além das pistas (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
“Acho que a vantagem que trago para a minha fotografia por ter sido atleta é o fato de que eu tenho uma noção melhor do tempo de ação de cada esporte e consigo antecipar os movimentos para fazer melhores fotos”, conta Vitão, que já fotografou em dois Jogos Paralímpicos. A parceria com João envolve troca de conhecimento. “Ele me ajuda porque, como ex-atleta, conhece melhor as raias”, explica. “Ao trabalharmos juntos, fico muito mais esperto porque preciso pensar na minha fotografia e na dele. Mas depois que dou as dicas de ângulo e luz, ele se vira sozinho".
A relação próxima com ex-companheiros de esporte, segundo João, é útil. “E eu fotografo não só aqueles atletas famosos, mas os outros também. Eles ficam muito alegres e essa emoção não tem preço". Seu projeto é usar as fotos do evento-teste em uma exposição totalmente acessível – que terá informações em braile e áudio-descrição. Com Vitão dando as dicas da ação em andamento, João usa seus conhecimentos de enquadramento, ângulo e luz para captar boas imagens. “Quero uma foto perfeita. Não estou aqui para brincar, mas para que meu trabalho seja reconhecido."
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