Marta Vieira da Silva começou jogar futebol aos 12 anos, em sua cidade natal, Dois Riachos, em Alagoas. Aos 14 anos foi para o Rio de Janeiro, onde jogou pelo Vasco da Gama. A atleta coleciona conquistas: campeã e artilheira do Campeonato Brasileiro Sub-19, em 2001; quarto lugar na Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2003; bicampeã pan-americana. O título mais recente é a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Aos 22 anos, a meia atacante já atingiu a incrível marca de 191 gols em 189 jogos e após cinco temporadas no futebol sueco, ela vai participar do campeonato nacional feminino mais disputado do mundo, o Women's Professional Soccer (WPS). A meia atacante faz parte do seleto grupo de jogadores que conquistaram por três vezes o título de melhores do mundo (além dela: o francês Zinedine Zidani, a alemã Birgit Prinz e o "fenômeno" Ronaldo Nazário).
Como é ser eleita pela terceira vez a melhor jogadora do mundo pela FIFA?
É o mesmo sentimento da primeira vez. Sempre foi o meu objetivo e, todo o ano, coloco como uma meta na temporada: ser a melhor do mundo.
Qual a sua expectativa para a candidatura Rio 2016?
Muito grande. Estive conversando com os organizadores e soube que as concorrentes são muito fortes. Mas eu confio no Rio. Será incrível disputar os Jogos Olímpicos no Rio.
Você jogou no Vasco da Gama no início de sua carreira. Como foi viver no Rio de Janeiro?
Foi um período de dificuldades, mas fundamental para a minha carreira. Não largo mais o Rio.
No dia da final do futebol feminino dos Jogos Olímpicos de 2016, você terá completado 30 anos. Daqui até lá, quais os seus objetivos pessoais e o que você idealiza para o futebol feminino brasileiro?
Olha, não adianta idealizarmos. Quem precisa idealizar são as pessoas que tem condição de fazer acontecer. Até lá, quero ter conquistado um ouro olímpico e um Mundial com a Seleção.
A participação da Seleção Brasileira de Futebol Feminino foi espetacular. Como foi ganhar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008?
Foi a segunda vez consecutiva que não conseguimos o ouro, mas realmente sabemos que somos vencedoras.
Como foi sua infância em Alagoas e o que te motivou a jogar futebol e iniciar sua carreira?
Foi uma infância boa para mim, mas difícil para minha mãe. Ela trabalhava o dia inteiro para colocar comida na mesa. Hoje, tudo que eu ganho, é por ela e para ela.
A Suécia e os Estados Unidos são dois países com grandes diferenças. Após cinco temporadas no futebol sueco, o que você espera desta mudança para os Estados Unidos, onde atuará no Los Angeles Sol?
Espero poder ajudar a divulgar o futebol feminino americano e também poder ajudar o meu time a conquistar títulos.
O futebol feminino vem ganhando popularidade, principalmente após as conquistas da seleção brasileira de futebol feminino. Você acredita que o esporte pode servir como ferramenta de inclusão social?
Com certeza. Dentro de campo, não há diferença social. Somos iguais. Amamos o futebol. Somos mulheres brancas, negras, magras, fortes. Somos iguais porque o esporte é a nossa vida.
Qual conselho você daria para as jovens que sonham seguir carreira esportiva?
Jamais desistir de um sonho.