Sardar Singh e o desafio da Índia de retomar a era de glórias no hóquei sobre grama
A um ano para o Rio 2016, capitão da seleção masculina fala sobre o esporte que apaixona seu país e a esperança de encerrar o jejum nos Jogos Olímpicos
A um ano para o Rio 2016, capitão da seleção masculina fala sobre o esporte que apaixona seu país e a esperança de encerrar o jejum nos Jogos Olímpicos
Sardar Singh está confiante que com trabalho duro o jovem time da Índia pode ganhar uma medalha no Rio (Getty Images/Will Russell)
São 1,3 bilhão de pessoas na Índia, e a maioria delas é apaixonada pelo hóquei sobre grama. Por isso, quando a seleção masculina do país entrar em campo nos Jogos Olímpicos daqui a um ano - e, possivelmente, com a melhor chance de conquistar uma medalha no esporte em 36 anos - não se espante se ler por aí notícias falando sobre indianos parando o país, reunidos e assistindo aos Jogos pela televisão. Em entrevista exclusiva ao site rio2016.com, o capitão da seleção masculina da Índia Sardar Singh explicou a paixão do seu país pelo hóquei e falou sobre a expectativa de todos por lá para os Jogos Olímpicos.
"O hóquei é o esporte mais importante para a Índia durante os Jogos Olímpicos, então todo mundo aqui torce muito para que a gente conquiste o ouro. Amigos e família se reúnem para assistir aos Jogos nas suas casas e nos shoppings, às vezes a gente vê muita gente em torno de uma TV só. A mídia fará um cobertura ernome, com certeza. A partir de um ou dois meses antes dos Jogos, não vai se falar em outra coisa por aqui", disse Sardar Singh.
A Índia é o país mas bem-sucedido da história do hóquei sobre grama Olímpico, com oito medalhas de ouro. O jejum atual, no entanto, incomoda - desde os Jogos Moscou 1980 que o país não consegue sequer subir ao pódio. Mas o desempenho recente da seleção é animador: foi a Índia quem conquistou a primeira vaga Olímpica do esporte para os Jogos Rio 2016, acendendo esperanças de que o país possa voltar ao topo do mundo no esporte em 2016. E, segundo o capitão Singh, conquistar o ouro no Rio seria ainda mais importante que apenas acabar com o jejum Olímpico.
"Seria incrível conseguir uma medalha para a Índia no hóquei depois de tanto tempo. Poderia servir de estímulo e inspiração para uma nova geração de indianos praticar o esporte. Quando a Índia venceu a Copa do Mundo de 1975, uma multidão fez uma festa no aeroporto esperando pelos jogadores, teve até desfile em carro aberto pelas principais cidades do país. Foi muito bacana, e imagino que a reação será parecida se conseguirmos uma medalha no Rio", afirmou.

As seleções de Alemanha, Holanda e Austrália têm dominado o pódio Olímpico nas edições mais recentes dos Jogos. Mas, no que depender de Singh e da Índia, esse domínio não vai se repetir no Rio de Janeiro.
"No ano passado a gente treinou muito a nossa defesa e fomos muito bem nos últimos torneios, inclusive nos Jogos Asiáticos. O time está progredindo, temos muitos jogadores jovens que já estão surpreendendo e ainda têm muito a evoluir. Todo mundo se ouve, o grupo se ajuda, estamos treinando muito bem, e nosso maior objetivo é ter um bom desempenho no Rio", disse o capitão.
Liderada pelo capitão e apoiada por sua imensa população, a Índia jogará pelo fim do jejum no Centro Olímpico de Hóquei, no Parque Radical de Deodoro. Segunda maior região de competição dos Jogos Rio 2016, Deodoro ficará marcado como a sede de esportes bastante diversos, como BMX, pentatlo moderno, canoagem slalom e hipismo. Há ainda o rugby, o que certamente vai levar à Deodoro uma torcida digna do carnaval carioca - e Singh garante que a paixão e a cultura da Índia também estarão bem representados na festa pelos torcedores do hóquei.
"Serão muitos torcedores da Índia no Rio, e eles fazem bastante festa, criam um clima muito bom para o jogo. Muitos torcedores já garantiram seus ingressos para o hóquei sobre grama nos Jogos Olímpicos, e não só da Índia, mas do mundo inteiro, como da Grã-Bretanha e do Canadá, por exemplo", afirmou o jogador.
"Temos um ano até os Jogos Rio 2016 e muito a melhorar até lá, mas estamos trabalhando nisso. Essa é a hora de ajeitar tudo para o nosso grande momento. Se conseguimos manter o mesmo time e jogar bem, acredito que voltaremos para a Índia com boas notícias do Rio. Mas com certeza não será fácil, temos que trabalhar muito duro", comentou.
Acompanhe a série de entrevistas com os maiores nomes do esporte Olímpico:
"Conquistar o ouro no Rio seria a cereja do bolo”, diz a campeã Olímpica de atletismo Jessica Ennis-Hill.
“Quero quebrar os recordes mundiais do Michael Phelps nos Jogos Rio 2016”, diz campeão Olímpico da natação Chad le Clos.