A carioca Sandra Pires, ao lado de Jacqueline Silva, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, ano em que o vôlei de praia estreou no evento esportivo. Quatro anos depois, junto com Adriana, ela conquista a medalha de bronze nos Jogos de Sydney 2000. Aos 14 anos, iniciou sua carreira no vôlei. Dois anos depois trocou as quadras pela areia, onde se destacou pela velocidade, boa colocação e técnica.
A atleta foi eleita pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) a melhor jogadora de vôlei de praia dos anos 90 e é tricampeã do Circuito Mundial de Vôlei de Praia. Aos 35 anos, sagrou-se tricampeã do tradicional torneio Rainha da Praia, realizado em fevereiro deste ano, na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro.
Qual a sua expectativa em relação à candidatura do Rio de Janeiro à sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016?
Eu acho maravilhoso. Temos que acreditar que somos capazes. Nós temos um povo receptivo e trabalhador e com isso podemos fazer belos Jogos Olímpicos. Todos devem estar unidos: os governos junto com o povo. Com a realização dos Jogos aqui, o Brasil será mais conhecido e respeitado no mundo.
Quais serão os benefícios para a cidade com a realização dos Jogos de 2016?
O esporte pode ajudar muito a melhorar o país com as instalações que ficarão de legado para a cidade e poderão ser utilizadas em programas de desenvolvimento do esporte em parceria com escolas e universidades. Acredito nesta união de esporte e educação. Com os Jogos no Rio, estes jovens poderão estar perto de seus ídolos.
As melhorias no transporte serão um grande legado. A educação no trânsito também será muito benéfica porque como em todos os países que sediam os Jogos, existe uma faixa exclusiva para carros oficiais. Outro benefício é o trabalho em equipe que será realizado.
A dupla de vôlei de praia formada por você e Jacqueline foi responsável por trazer a primeira medalha de ouro feminina do Brasil. O que isso representou para as mulheres esportistas no país?
Eu acredito que foi muito importante. Foi um marco, um ponto inicial. As mulheres passaram a acreditar que elas podiam conseguir com trabalho. Foi um presente para todas as mulheres e serviu como motivação principalmente para atletas que já praticavam outros esportes. Eu lembro que várias mulheres saíram de seus carros para comemorar conosco durante o desfile no caminhão dos bombeiros. Foi uma conquista nossa e das mulheres do Brasil.
Qual a sensação de ser a primeira tricampeã do torneio Rainha da Praia competindo com atletas mais jovens?
Naquele momento, minha maturidade e equilíbrio me ajudaram muito. Estava competindo com jovens que queriam ganhar. Eu já tinha vivido isso 11 vezes e tirei proveito da minha experiência. A minha forma física também foi outra vantagem. Assim como eu, as atletas estavam em começo de temporada, época em que muitas ficam acima do peso por causa das férias.
Eu não engordo durante as férias. Tirei proveito disso. Administrei o cansaço e o calor que sentia, além de não cometer os erros que algumas atletas que estavam ali pela primeira vez cometeram. Me sinto orgulhosa!
Algumas meninas falaram quero chegar bem assim aos 35!
Qual conselho você deixa para as atletas que desejam se profissionalizar?
Não desistir. O caminho não é fácil. É preciso sempre acreditar e dar o seu melhor. A dedicação e o equilíbrio são fundamentais. As jovens atletas devem estar sempre atentas a todas as oportunidades e informações. É importante saber conversar e negociar.