Lidar com emoções é rotina para Érica Duarte. Voluntária selecionadora dos
Jogos Rio 2016, a psicóloga carioca de 30 anos é uma das responsáveis por entrevistar algumas das mais de 240 mil pessoas que se inscreveram para atuar nos eventos Olímpicos e Paralímpicos, que começam em seis meses. Na segunda-feira (8), porém, é noite do coração bater mais forte: ela entra na Marquês de Sapucaí para desfilar mais uma vez como porta-bandeira da escola de samba São Clemente, ao lado do mestre-sala Marcelo Tchechelo.
“É uma ansiedade diferente para os dois momentos. A do Carnaval está batendo a porta: na segunda já vou estar na avenida fazendo tudo o que ensaiei desde agosto. Já para os Jogos, a ansiedade é de treinar as pessoas, motivar para que elas percebam a importância de ser um voluntário", conta Érica, que desde muito cedo aprendeu a se desdobrar entre várias atividades.
"Como selecionadora, sinto mais do que ansiedade, tenho responsabilidade”
Érica Duarte sobre a função de escolher voluntários para os Jogos Rio 2016

Erica brilha entre voluntários e sambistas na cidade-sede dos Jogos (Fotos: Arquivo Pessoal e Liesa/Marcelo O'Reilly)
Criada no Centro do Rio, a sambista desde a infância se reveza entre o Carnaval e o voluntariado. Aos 8 anos já era porta-bandeira mirim da Vizinha Faladeira, uma das mais tradicionais escolas de bairro da folia carioca, localizada no bairro Santo Cristo. Ali na vizinhança, também aprendeu a fabricar fantasias e chapéus para os desfiles, um hábito comum para quem vive na comunidade.
Envolvida em ações sociais como as festas de Dia das Crianças e Natal em comunidades carentes, Érica percebeu que não poderia ficar de fora dos Jogos Rio 2016. Seu trabalho como voluntária selecionadora será encerrado antes da Cerimônia de Abertura. “Era uma oportunidade de estar na minha área, atuar com recursos humanos, treinar pessoas, mas ainda não havia pensado na dimensão, no tamanho dos Jogos. Quando começamos a atuar na seleção percebi: ‘Gente, na hora que vai acontecer eu não vou participar?' Não posso!”, relembra a sambista, psicóloga e voluntária. Assim, Érica também se increveu para trabalhar durante o período das competições Olímpicas.
Multifuncional
O acúmulo de funções, aliás, parece ser algo natural para quem tem o samba e o voluntariado correndo no sangue. Walter Honorato Gomes, de 50 anos tem a vida dividida entre uma série de atividades. No campo cultural, é compositor do Salgueiro e atua também nos bastidores da Paraíso do Tuituti e da Renascer de Jacarépaguá. No profissional é servidor público e jornalista. No esportivo é ex-maratonista, atualmente faz corridas de 5km e pratica krav magá.

Walter em dois momentos: no evento-teste de luta Olímpica e na Sapúcaí (Foto: Rio 2016/Mathilde Molla e Arquivo Pessoal)
Se já não fosse pouco, arruma brecha na agenda para fazer trabalhos sociais com menores em comunidades e começa a sentir o gostinho de ser voluntário nos Jogos. Na última semana, por exemplo, atuou no
evento-teste da luta Olímpica. “Sempre que pude atuei em trabalhos para melhorar a vida das pessoas, sempre tenho tempo para ajudar”.
Engajadora
Janete Ferreira da Silva Santos se define como engajadora do Carnaval. A arquiteta aposentada, de 60 anos, incentiva amigos e conhecidos a desfilar, a frequentar as quadras e a formar novas gerações de amantes do samba, como voluntária na Estrelinha da Mocidade, escola mirim da zona oeste do Rio. E paralelamente aos ensaios para desfilar por Beija-Flor e Portela, já é uma voluntária pioneira da Rio 2016, ajudando no processo seletivo de candidatos e participando de eventos do Programa de Voluntários dos Jogos.

Janete é alegria e disposição, seja trabalhando nos eventos-teste, seja na Sapucaí (Fotos: Arquivo Pessoal)
Ela vê semelhanças entre os trabalhos no carnaval e no voluntariado Olímpico. “Você vai ao Carnaval porque quer e fica esperando por horas até que tudo funcione bem, assim como acontece no trabalho com o esporte. Um evento dura horas e o voluntário tem de estar atento para que tudo dê certo. O que une os dois é comprometimento”, diz Janete.