'Rio 2016 sediará grandes Jogos Paralímpicos’, diz federação de goalball
Em visita à cidade, representante elogia projeto e espera arquibancadas cheias em 2016
Em visita à cidade, representante elogia projeto e espera arquibancadas cheias em 2016
José Oliveira e Romário Marques conquistaram a medalha de prata para o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012 (Getty Images/ Scott Heavey)
Uma bola que pesa quase duas vezes mais que a utilizada no basquetebol é jogada na direção de jogadores vendados, viajando a uma velocidade que pode chegar perto dos 100km/h. É o que encaram os atletas do goalball, esporte Paralímpico praticado por deficientes visuais. Criado em 1946 para a reabilitação de soldados na Segunda Guerra Mundial, o esporte entrou para o programa Paralímpico 30 anos depois e hoje é praticado em mais de 100 países.
Na última semana, Kari Rasanen, diretor Esportivo de Goalball da Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA, em inglês), esteve no Rio para acompanhar de perto os preparativos para as competições de goalball. E, segundo ele, estão no ritmo certo.
“O plano para a instalação de competição mostrado pelos arquitetos é muito bom, assim como o projeto da Vila Paralímpica. As distâncias são pequenas entre os nossos esportes, portanto não devemos ter problemas de logística, e isso é muito bom. Tenho a impressão que os brasileiros vão construir Jogos ótimos. É uma cidade muito bonita e eu acredito que as melhorias no sistema de transporte serão de grande valia”, comentou.

Rasanen, que trabalha com goalball há 22 anos e alega que se tornou árbitro “por acidente”, ficou particularmente interessado na natureza sustentável da arquitetura do Hall Olímpico 4, palco das competições de goalball, no Parque Olímpico da Barra. Após sediar as competições dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, a arena será desmontada para dar lugar a quatro escolas.
“No passado, tivemos a experiência de viver grandes Jogos, mas após o encerramento das competições esses prédios ficavam sem qualquer uso, o que é um desperdício. Em Londres e no Rio, esses empreendimentos continuarão a ter utilidade, e isso é muito bom”, disse.
O crescimento do esporte no país também foi destacado pelo finlandês, que espera ver a arquibancada cheia para as partidas do goalball em 2016.
“Queremos mais pessoas envolvidas, principalmente os jovens. O goalball é muito popular na Europa e aqui no Brasil também, mas queremos pessoas de todo o mundo. Fiquei muito feliz de ver a arquibancada lotada em Londres, esses foram os melhores momentos para mim. Acredito que vamos ver isso aqui no Rio também. E quem sabe veremos o Brasil na final de novo”, completou.
Nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012, a seleção brasileira ficou com a medalha de prata. A líder de competição do Rio 2016, Carla da Mata, que descobriu o esporte na universidade e atuou como árbitra nos Jogos de Pequim 2008 e Londres 2012, afirma que já percebe o impacto da medalha de prata na torcida brasileira.
“Temos uma ampla comunidade de goalball, que cresceu ainda mais desde Londres. Nos desenvolvemos bastante. Temos pessoas em cada estado brasileiro pedindo por clínicas de goalball e cursos para técnicos. Querem aprender e praticar o esporte”.
Um esporte que requer coragem e sentidos apurados
Com dois times formados por três jogadores cada, os atletas devem ser vendados para garantir que a partida seja disputada em nível de igualdade. Um amplo gol é instalado em cada lado do campo e, para defender-se dos ataques, os jogadores usam toda a extensão do corpo para formar uma barreira. A localização da bola é acompanhada por sentidos aguçados, capazes de identificar o som por conta de dois guizos que tilintam a cada movimento. Por isso, a competição deve ser acompanhada em absoluto silêncio.
No vídeo abaixo, você assiste aos jogadores em ação (em inglês):