Com atenção aos mínimos detalhes, sucesso dos Jogos Paralímpicos depende da acessibilidade
Rampas, ônibus adaptados, jardins sensoriais, depósitos, voluntários...Tudo é pensado para facilitar a vida das delegações dos 176 países participantes
Rampas, ônibus adaptados, jardins sensoriais, depósitos, voluntários...Tudo é pensado para facilitar a vida das delegações dos 176 países participantes
Ônibus adaptados permitem o transporte de vários atletas em cadeira de rodas simultaneamente (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
Acessibilidade e logística são questões essenciais nos Jogos Paralímpicos. Meios de transporte adaptados para cadeirantes, depósito para cadeiras de rodas, cardápios em braile ou com sistema de áudio, voluntários para orientar atletas... Esses são apenas alguns dos itens indispensáveis para o sucesso do evento, e o Rio 2016 está pronto para atender à demanda das delegações dos 176 países participantes.
O transporte dos atletas é questão central no caso de esportes coletivos, como o rugby e o basquetebol em cadeira de rodas. No evento-teste de rugby, por exemplo, um sistema de rampas foi testado para acelerar o embarque dos atletas nos ônibus. A medida mostrou-se mais eficaz do que o uso dos elevadores, método mais comum de transporte adaptado.
Rampas aceleram o embarque e desembarque dos atletas em cadeira de rodas (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
A Arena Carioca 1 recebe as duas modalidades citadas, e por isso tem depósitos para um grande número de cadeiras de rodas simultaneamente. Já na Arena do Futuro, que terá o goalball, a prioridade é a sinalização de todas as dependências com pisos táteis, o que facilita o deslocamento de pessoas com deficiência visual. Nem tudo, porém, envolve obras. No triatlo Paralímpico, o trabalho é feito por voluntários, que ajudam atletas na transição entre uma etapa e outra.
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A manutenção dos equipamentos de competição e de uso diário também é planejada. Os serviços técnicos são feitos em um centro principal de reparos, na Vila dos Atletas, além de 14 locais de competição e uma unidade móvel. Segundo a empresa Ottobock, responsável pelo serviço, as instalações contam com uma equipe de 77 técnicos ortopédicos de 30 países. Contêineres com 18 toneladas de equipamentos para manutenção de cadeiras de rodas e próteses chegam ao Brasil vindos da Alemanha.
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A Vila Olímpica é um lugar especial. “Teremos equipamentos na piscina da Vila Olímpica para facilitar a entrada e saída dos atletas com dificuldades de locomoção”, conta o coordenador em acessibilidade do Comitê Rio 2016, Augusto Fernandes. Outras facilidades são a criação de área para os cães-guia fazerem suas necessidades, além de rampas para acelerar a circulação de quem usa cadeira de rodas. Os jardins são sensoriais, projetados para que os atletas possam tocar e sentir as plantas.
Jardins sensoriais na Vila dos Atletas permitem toque para sentir as plantas (Foto: Rio 2016/Divulgação)
Dentro dos apartamentos da Vila, a atenção está nos detalhes. Por exemplo, os degraus na entrada do chuveiro dão lugar a uma peça de borracha flexível, capaz de reter a água e evitar o alagamento do banheiro. A entrada do deck da varanda é plana, ainda que tenha peças de metal na base das portas corrediças. E as barras de apoio nos banheiros, fixadas no revestimento das paredes, aguentam até 150 kg de peso.
Peça de borracha evita alagamento do banheiro sem necessidade de degrau (Foto:Rio 2016/Divulgação)
Flávia Albuquerque, gerente de alimentos e bebidas da Vila dos Atletas do Comitê Rio 2016, conta que os bufês são rebaixados para facilitar o acesso dos usuários de cadeiras de rodas, e a distribuição de produtos nas gôndolas é pensada para atender a esse mesmo público. “As placas contendo as informações sobre os alimentos têm as letras aumentadas para facilitar a leitura dos atletas com baixa visão”, diz ela. “Para os cegos, duas opções são estudadas: cardápios em braile ou descrição em áudio nos idiomas inglês e português".