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Um mundo novo

Ricardo Prado, um medalhista olímpico no Comitê Rio 2016

Por Rio 2016

Ex-recordista mundial conta sua experiência nas piscinas e na organização do maior evento esportivo do planeta

Ricardo Prado, um medalhista olímpico no Comitê Rio 2016

Ricardo Prado no Comitê Organizador Rio 2016 (Foto: Rio 2016)

Tempo, do latim tempus. A sucessão dos anos, dos dias, das horas, que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro. Momento ou ocasião apropriada (ou disponível) para que algo se realize. Época. Período. No dicionário, 14 definições e combinações ao infinito. Intocável. Intangível. Para Ricardo Prado, o tempo é simplesmente relativo.

Atleta olímpico aos 15 anos, campeão e recordista mundial aos 17, medalhista de prata em Los Angeles 1984 aos 19 e aposentado das piscinas aos 23, não demorou para tornar-se lenda do esporte brasileiro. Com 1,69m, agigantava-se com a técnica dentro da água. Dominou os quatro estilos e esteve no topo da prova mais completa da Natação, os 400m medley.

“Para o cara ser um bom nadador, primeiro ele precisa ser um bom atleta. Ser um bom atleta é ter os fundamentos de todas as modalidades, ser um bom corredor, por exemplo. É ser um bom atleta em geral, e um melhor nadador. Hoje em dia, com a especialização, deixou de ser tão importante, especialmente para os velocistas. Hoje, tem atleta que nada só uma prova. Mas, na minha opinião, que sou um cara de outra era, acho que o ideal é o cara saber nadar bem os quatro estilos, ter uma boa base de resistência, ter treinado bastante milhagem quando era menor, para aí chegar com vinte e poucos anos e se especializar mais”.

Confira a galeria de fotos da carreira de Ricardo Prado

Um divisor de águas

“De outra era”, Ricardo Prado popularizou a Natação no Brasil da década de 1980. Foram vinte anos sem medalhas olímpicas, desde o bronze de Manuel dos Santos em Roma 1960. Desde então, oito edições de Jogos e pódios em seis deles.

É considerado o nadador mais completo da história do País e um divisor de águas em um caminho que culminou com o ouro de Cesar Cielo em Pequim 2008, o primeiro de um brasileiro no esporte.

“A estrutura vai aperfeiçoando de acordo com as pessoas que vão passando e vão abrindo caminho. O Manuel dos Santos abriu caminho, o Rômulo Arantes, o Djan Madruga. Foram atletas que desbravaram esse território. Na década de 80, que foi quando eu apareci, acho que a natação nunca teve tanto em moda. O Gustavo [Borges] veio logo depois, o Xuxa [Fernando Scherer]. Acho que tem um pouquinho de todos nós, mas acima de tudo acho que é talento e esforço do próprio César”, considera.

O pós-carreira

A precocidade da aposentadoria, sem meias palavras, veio por falta de motivação. Nos dias de hoje, teria sido diferente. “Atualmente, o esporte proporciona coisas que não proporcionava na época. A natação brasileira é muito melhor hoje, temos melhores treinadores, grandes clubes investindo em treinamento, em estrutura, em viagens internacionais. Tudo que eu não tinha, hoje nossos atletas têm. Se fosse hoje, teria estendido a carreira e talvez conseguido outros tantos resultados. Hoje, um atleta brasileiro tem tudo que precisa aqui. Não precisa sair, nem é indicado na maioria dos casos”.

Sempre acompanhada dos estudos, boa parte nos Estados Unidos, a vida de atleta terminou sem sobressaltos. A transição natural para uma nova profissão poderia servir de exemplo para muitos. Formou-se em Economia, com mestrado, e em Educação Física. Trabalhou como treinador de Natação, comentarista esportivo na TV e gerente de eventos esportivos. Para os atletas atuais, entretanto, os tempos são outros.

“Com o esporte mais profissional, os atletas passam a ganhar dinheiro. Cada vez que você recebe alguma coisa, você é obrigado a dar algo de volta. Sei de atletas de grandes clubes que recebem um bom dinheiro e o clube não quer que eles estudem, por exemplo, para ter dedicação exclusiva. Com a profissionalização, a entrada dos patrocínios, muitos estão deixando para estudar mais tarde, o que eu acho um erro. Antigamente, a gente dizia que treinava de madrugada, porque depois ia para as aulas de manhã. Aí, voltava para treinar de tarde novamente. Hoje, quase não se vê isso”, relembra.

Jogos Pan-Americanos e Jogos Olímpicos

No Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016, como Especialista em Competição Esportiva, Ricardo integra a equipe responsável pela montagem de todas as áreas de treinamentos e competições. Compra dos equipamentos, verificação das especificações técnicas e contato direto com as Federações Internacionais fazem parte do dia-a-dia.

Responsável também pelo calendário das provas, o ídolo tem o tempo em suas mãos. Ao lado do Diretor de Esporte e também ex-atleta olímpico Agberto Guimarães, participou da equipe que botou de pé os Jogos Pan-Americanos Rio 2007, considerada a melhor edição da história.

“O Pan deu uma ideia da grandiosidade e da responsabilidade que a gente tem pela frente. É muito interessante trabalhar em uma instituição como um Comitê Organizador, onde o seu trabalho impacta diretamente no trabalho de muita gente, onde a comunicação é importante, onde você tem que prover um serviço para o seu vizinho e ele para você o tempo todo. É um trabalho de equipe constante”.

No escritório do Comitê Rio 2016, funcionários novos, mas fãs antigos, se surpreendem ao ver o ídolo cruzar os corredores. As imagens de Ricardo Prado nas piscinas do mundo, pela TV, e nas capas de revista da década de 1980 não saem da memória. As vitórias de um divisor de águas, no esporte e na vida, o tempo não vai apagar.