Aplicativos Rio 2016

Amplie sua experiência nos Jogos.

Download
Para quem vai a sua torcida?

Para quem vai a sua torcida?

Escolha seus atletas, times, esportes e países favoritos clicando nos botões ao lado dos nomes

Nota: As configurações de favoritos são gravadas em seu computador através de Cookies Se você deseja mantê-las, não limpe seu histórico de navegação

Por favor, ajuste suas preferências

Verifique se as suas preferências estão ajustadas. Você poderá modificá-las a qualquer momento

Expandir Conteúdo

Os calendários serão apresentados neste fuso horário

Expandir Conteúdo
Contraste
Cores originais Cores originais Alto contraste Alto contraste
Ver todos os recursos de Acessibilidade
Um mundo novo

República da Coreia, o país do... tiro com arco

Por Rio 2016

Preparo de comida típica e treinamentos inusitados explicam desempenho de sul-coreanos no esporte

República da Coreia, o país do... tiro com arco

Sensibilidade nos dedos das sul-coreanas viria de gerações amassando o apimentado Kimchi (Getty Images/Brendon Thome)

Texto: Denise Mirás

O sucesso do tiro com arco na República da Coreia - principlamente entre as mulheres - tem raízes milenares. E uma série de ações ajudou a consolidar o país como uma potência do esporte: a introdução de crianças na modalidade ainda na escola primária (com as mais talentosas treinando duas horas por dia – não por diversão, mas para competir), patrocínios de mais de 30 empresas aos arqueiros profissionais - que recebem salários como funcionários -, além de hábitos culturais e folclóricos.

Saiba mais sobre o tiro com arco

Em Jogos Olímpicos, o maior número de medalhas da República da Coreia foi conquistado no tiro com arco: entre a primeira participação, em Los Angeles 1984, e Londres 2012, somam 34 medalhas - 19 de ouro, nove de prata e seis de bronze. E, desde a introdução da competição por equipes, em Seul 1988, as garotas sul-coreanas seguem invictas, com sete medalhas Olímpicas de ouro (os homens têm quatro, nas sete participações).

Da cozinha para o pódio

Esse sucesso depende de treinamento duro, determinação, muita disciplina e foco – o que também faz parte do caráter dos povos asiáticos em geral. Para os Jogos de Londres 2012, por exemplo, os sul-coreanos começaram a treinar um ano antes em uma arena-réplica da utilizada em Pequim 2008, com cinco mil lugares, conhecida como Taeneung Training Centre, em Nowon-gu, distrito da capital Seul. Só que, além de estratégias de treinamentos como essa, os sul-coreanos colecionam uma série de hábitos culturais que favorecem o desempenho no tiro com arco.

Dois hábitos sul-coreanos que facilitam a prática do tiro com arco:

1. A habilidade das sul-coreanas com as mãos teria se acentuado durante gerações com o preparo do tradicional prato kimchi, feito de vegetais picados e uma pasta de farinha de arroz, açúcar e pimenta, que é esfregada nas folhas para fermentar. 


Baek Woong-gi, técnico sul-coreano, disse à BBC antes da viagem da equipe para Londres 2012 que “as mulheres sul-coreanas têm as mãos mais sensíveis de todo o mundo”.

2. A destreza adquirida por causa dos chopsticks, os “pauzinhos” usados como talheres nas refeições coreanas. Em outros países asiáticos, eles são mais compridos, muitas vezes feitos de madeira e mais fáceis de manusear (como os hashi japoneses), enquanto os coreanos (chamados jeotgalag) são de aço, mais finos e escorregadios.

"Nossas arqueiras sabem se atiraram bem ou não logo após a flecha ser disparada"

Baek Woong-gi, técnico sul-coreano

 

Dos campos militares para os Jogos

A ciência também tem sua parte no tiro com arco da República da Coreia. “Comecei a trabalhar diretamente com nosso Departamento de Ciências do Esporte em 1983 e estudamos profundamente como conseguir mais eficiência das técnicas de nossos arqueiros”, disse Lee Ki-sik. Técnico-chefe da equipe nacional entre 1981 e 1997 e depois da equipe norte-americana, Lee disse à BBC que “em cada esporte é importante que as técnicas de treinamento sejam aperfeiçoadas o tempo todo” assim como “se enxergar o esporte de maneiras diferentes” para se evoluir.

Na República da Coreia, os treinamentos físicos são muitas vezes feitos em campos militares, como na Base Naval de Jinhae, com homens e mulheres passando noites em claro, carregando barcos de 80 quilos montanha acima e nadando no mar até a temperatura do corpo despencar. O objetivo é aprender a controlar o corpo, trabalhando sob pressão.


 Da assombração ao centro do alvo

O treino mental é tão importante quanto o físico, como destacou o técnico Baek. Para os Jogos de Sydney 2000, por exemplo, a equipe da República da Coreia treinou em um estádio de beisebol de Seul, com a multidão aplaudindo arqueiros a cada tiro certo e vaiando aqueles que erravam os alvos.

Ainda há histórias bizarras sobre vivências mais radicais para que atletas controlem a mente em momentos de estresse: dormir em cemitérios, visitar necrotérios, casas “assombradas” por atores se passando por fantasmas e até manipulação de serpentes!

Folcore ou não, a República da Coreia segue praticando e colecionando medalhas no tiro com arco.