Enquanto a Regata Internacional de Vela, primeiro evento-teste dos Jogos Rio 2016, invade as águas da Baía de Guanabara, uma exposição de velas decoradas colore a área externa da Marina da Glória. Quem assina as obras de arte em grafite são cerca de 200 alunos de cinco escolas da rede municipal de ensino do Rio, integrantes do Tranforma, programa de Educação Rio 2016. A mostra - inspirada em temas ligados à sustentabilidade - pode ser vista até este sábado (09), quando termina a regata.
A iniciativa faz parte de uma série de ações realizadas pelo Comitê Rio 2016, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, que já incluiu o Transforma no sistema de políticas públicas da cidade.
“O primeiro evento-teste de vela está sendo um ensaio geral não apenas para os atletas, mas também para nossas ações de educação e de sustentabilidade ligadas às competições. No projeto, promovemos uma aproximação entre alunos e professores das escolas do Transforma com atletas de vela, artistas de grafite e profissionais de sustentabilidade. Esse é o verdadeiro espírito dos Jogos”, explica Mariana Behr, gerente de Educação do Comitê Rio 2016.
As velas estão expostas na área externa da Marina da Glória, no Parque do Flamengo (Foto: Rio 2016 / Delphine Moulin)
Para montar a exposição, os alunos participaram de palestras sobre história do grafite, processo criativo e a importância da água em esportes aquáticos. Assistiram ainda ao documentário “Lixo Extraordinário” e debateram com Tião Santos, protagonista do filme, o destino do lixo no Brasil e a importância da reciclagem. Após a palestra, os alunos pintaram as velas, inspirados em temas como: importância da água, ciclo de vida, escassez, preservação e esportes aquáticos.
“Nós encontramos no grafite a oportunidade de trabalhar sustentabilidade de uma forma lúdica e envolvente. A inspiração da pintura das velas veio a partir da reflexão que os alunos tiveram sobre a temática da água, lixo e reciclagem. É interessante ver que as mensagens que surgiram já mostram o quanto eles estão conscientes a respeito da importância desses temas", explica Sabrina Porcher, especialista em Engajamento para Sustentabilidade do Comitê Rio 2016.
Para realizar as pinturas, os alunos contaram com a orientação dos artistas da GaleRio (Foto: Rio 2016 / Delphine Moulin)
Nesta quarta-feira (06), cerca de 40 alunos da Escola Municipal Guimarães Rosa, na Zona Oeste da cidade, visitaram a exposição e assistiram de perto à movimentação das primeiras regatas. A escola foi a segunda colocada no desafio "Jogo Limpo", outra iniciativa do Programa de Educação Rio 2016.
“Nunca tinha visto uma competição de vela tão de perto assim, só na televisão mesmo. É muito legal. Trabalhamos muito no desafio na nossa escola e é muito bom ver que o nosso esforço valeu a pena. Hoje vamos poder relaxar e curtir a nossa recompensa”, conta a estudante Ana Caroline, uma das agentes jovens do programa.

Desenhos são inspirados no ciclo da água e nos esportes aquáticos (Foto: Rio 2016 / Delphine Moulin)
Os professores também destacaram a importância de trazer novos esportes para a realidade dos alunos.
“Sempre tentamos apresentar novos esportes para os alunos, pois muitas vezes, os jovens ficam ligados apenas ao futebol e quase nao têm conhecimento das outras modalidades que existem. É sempre bom fazer com que eles vejam de perto e, pelas experiências que tivemos, as crianças e adolescentes são muito receptivos a essas novidades. Foi assim quando mostramos o rugby, que era totalmente novo para eles e hoje já faz parte da nossa escola. O esporte é uma ferramenta poderosa de educação e tentamos sempre desmistificá-la e torná-la acessível para todos os alunos”, afirma a diretora Jorgina Teixeira.
A exposição foi organizada em parceria com a Plataforma de Arte Urbana GaleRio, e todas as velas usadas foram doadas por atletas, como o proeiro Eduardo Penido, campeão Olímpico na classe 470 nos Jogos Moscou 1980.
Confira no vídeo abaixo os bastidores da ação: