Rebecca Soni, um fenômeno entre as maiores estrelas das piscinas
Jovem norte-americana ganha destaque no mar de campeãs da maior potência da Natação mundial
Jovem norte-americana ganha destaque no mar de campeãs da maior potência da Natação mundial
Americana Rebecca Soni e a marca dos Jogos Olímpicos Rio 2016 (Foto: Rio 2016)
Uma anedota no Brasil conta que, para alguns, Pelé teria sido o melhor jogador de futebol de todos os tempos, e o segundo melhor do Brasil, logo atrás de Garrincha. Não que haja justificativa para a contradição em termos, mas, no ano de 2008, Rebecca Soni foi a quarta melhor nadadora dos Estados Unidos nos 100m nado peito. E a segunda melhor do mundo.
Após bater em quarto lugar nas Eliminatórias para o Time Olímpico americano, uma das competições mais duras do mundo da Natação, a jovem atleta, na época com 21 anos, conquistou a vaga para Pequim por conta de duas desclassificações. Jessica Hardy caiu no exame anti-doping. Tara Kirk perdeu os prazos de inscrições para substituí-la. Soni foi aos Jogos e levou a prata, atrás apenas da lenda australiana Leisel Jones. Nos 200m, não só bateu Jones para ganhar o ouro como quebrou o recorde mundial. Tudo isso depois de uma recente intervenção cirúrgica no coração.
De lá para cá, a nadadora, filha de pai húngaro e mãe romena, chegou próximo à perfeição. Campeã mundial dos 100m nado peito em Roma 2009 e da mesma prova no Pan-Pacífico no ano seguinte, foi eleita por revista especializada a melhor nadadora do mundo em 2010. É a atual recordista e campeã mundial dos 100m e 200m peito em piscina curta.
No Rio de Janeiro para disputar o Troféu Maria Lenk (Campeonato Brasileiro Absoluto), Rebecca Soni abriu um sorriso ao falar do Brasil. E das anedotas. Confira a entrevista.
Com 24 anos hoje, com certeza, vai estar no Rio em 2016...
(risos) Adoraria. Espero que sim.
De que forma a atmosfera do Rio de Janeiro, de alegria, descontração e celebração, influencia o movimento olímpico?
É a primeira vez que venho aqui, não sabia o que ia encontrar, mas me sinto acolhida neste lugar, me sinto bem-vinda. As pessoas procuram cuidar de você, fazem de tudo para que você se sinta bem. Competir aqui é uma grande experiência, uma ótima oportunidade. O clima dos Jogos será muito bom, tenho certeza, e o Rio só traz coisas positivas para o movimento olímpico.
Qual a importância de os Jogos Olímpicos serem recebidos em um continente novo, pela primeira vez na América do Sul?
Acho bom ver os Jogos acontecendo em outros cantos do mundo. É importante para as pessoas e para os países que recebem e é uma experiência nova para quem compete. Não sabia que os Jogos estão vindo pela primeira vez para cá. Os Jogos inspiram e, se estão em todas as partes, estimulam mais pessoas, o alcance é maior.
Você percebe, no esporte como um todo, e na natação em particular, um processo de democratização, mais países praticando e conquistando resultados importantes? De que forma isto contribui para o esporte?
De certa forma, sim. É bom para os países que estão no topo. Serve para que melhorem também, se esforcem para melhorar sempre. É importante ter novos centros. Quanto mais pessoas praticando o esporte, buscando crescer, melhor. E o esporte é competição. Competimos com pessoas de todo o mundo o tempo todo, inclusive dentro do nosso país. Estamos acostumados.
O avanço das comunicações permite o acesso a competições de toda parte do mundo, todos os dias, pela televisão ou internet, em sua própria casa. Ajuda a criar ídolos globais, fenômenos planetários. Como tornar os ídolos humanos novamente?
Ao mesmo tempo, a televisão pode mostrar a vida dos ídolos fora de suas atividades, em sua casa, no seu dia-a-dia. São pessoas normais, como todas as outras, que se esforçam no que fazem e conseguem os resultados.
O Movimento Olímpico não se limita ao esporte. A educação e a cultura são fundamentais, estão na essência e na natureza do movimento. Qual a importância da educação e, particularmente, da escola na sua formação?
Muito importante. No meu país, o esporte acontece nas escolas, nas universidades. Não é em todos os países que isso acontece. Te dá a oportunidade de formar um time, de desenvolver trabalho em equipe, de experimentar a competição. É um lugar e um tempo onde os atletas não recebem para praticar esporte. A escola e a universidade são uma identidade, fundamental para atletas e não-atletas.