Reabastecimento e estratégia: reidratação dos atletas é o "pit stop" das maratonas aquáticas
Do planejamento da prova ao consumo dos compostos, Ana Marcela Cunha e Fernando Possenti explicam tudo sobre a alimentação
Do planejamento da prova ao consumo dos compostos, Ana Marcela Cunha e Fernando Possenti explicam tudo sobre a alimentação
Os compostos de água e carboidratos são essenciais para os atletas durante as maratonas aquáticas (Marcelo Regua/Rio 2016)
Nadar em menos de duas horas uma distância de 10 km sem descanso já é uma missão complicada; em águas abertas, ao lado de peixes, ondas e todos os demais obstáculos que lagos, rios e mares podem oferecer, a tarefa fica ainda mais difícil. Agora imagina fazer isso tudo sem se alimentar. Aí já seria demais, não é mesmo? É por isso que, nas maratonas aquáticas, existem as estações de reidratação dos atletas: locais específicos nos ciruitos em que os atletas podem repor água e nutrientes consumidos durante a prova – uma espécie de “pit-stop” do esporte, mas com uma importante diferença:
“A gente faz a hidratação e continua nadando, não há parada para fazer o reabastecimento”, brinca Ana Marcela Cunha, atleta medalhista de prata no Aquece Rio e classificada para os Jogos Olímpicos Rio 2016.
“Os atletas vêm nadando, viram de costas, nadam com uma mão e apertam a garrafinha com a outra, para não perder tempo. Com a cabeça alta, eles ouvem as instruções que os técnicos têm a passar. E isso tudo não dura nem 10 segundos”, explica Fernando Possenti, técnico de Ana Marcela Cunha.
O composto da hidratação, normalmente líquido ou pastoso (gel), varia tanto em quantidade, como em composição, de atleta para atleta. Pessoti explica que, no caso de Ana Marcela, são cerca de 400ml, dos quais 75% são água, com diluição de carboidratos e nutrientes energéticos – uma bebida hipercalórica para o organismo do atleta, que chega a perder 3 kg durante uma prova de alto desgaste como a de 10 km.
Assim como no automobilismo, o "pit-stop" das maratonas aquáticas é ao mesmo tempo um reabastecimento e uma estratégia de prova. São os próprios atletas que preparam os alimentos um dia antes ou até no mesmo dia da competição, muitas vezes com composições diferentes de acordo com a estratégia pensada para cada volta no circuito – para os últimos metros, por exemplo, podem optar por fazer uso de líquidos mais concentrados com substâncias energéticas, para acelerar na reta final.
“A gente treina o momento da hidratação também, inclusive combinamos o local onde o técnico vai ficar para não ter erro durante a prova”, diz Ana Marcela.
Caso prefiram não pegar a garrafinha, eles ainda costumam carregar dentro da roupa de prova um sacolé com uma quantidade menor e mais concentrada dos compostos: tudo para perder o menor tempo possível de prova. Ou, pelo menos, quase tudo...
“A gente nunca vai saber se é por maldado ou não, mas temos casos de atletas que derrubam a hidratação do outro. Queremos crer que é sem querer que isso acontece...”, afirma Possenti.
