QUEM FAZ: Regina Oliveira, Diretora de Transporte
Comandante de uma das operações mais complexas dos Jogos tem 25 anos de experiência no setor trabalhando no Rio
Comandante de uma das operações mais complexas dos Jogos tem 25 anos de experiência no setor trabalhando no Rio
Regina Oliveira é Diretora de Transporte do Comitê Organizador Rio 2016 (Foto: Marcelo Vallin)
“O maior legado tangível dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 vai ser em transporte”. É com esta frase, e esta responsabilidade, que Regina Oliveira resume seu trabalho à frente de uma das operações mais complexas da organização do maior evento esportivo do planeta. Diretora de Transporte e responsável também pela área de City Operations, ela terá a missão de garantir a mobilidade de milhares de pessoas, entre família olímpica, atletas, equipes de apoio, mídia e autoridades.
Por terra, mar e ar, com carros, ônibus, motos, lanchas e bicicletas, contará com o apoio dos três níveis de governo e das concessionárias em portos, aeroportos, rodovias e sistemas sobre trilhos para, em suas palavras, “operar uma cidade olímpica dentro de uma cidade”.
Desde 2010, ela comanda uma equipe que, além de planejar a operação dos Jogos, tem a missão de acompanhar o cumprimento dos compromissos governamentais assumidos ainda na candidatura. Para isso, a experiência de 25 anos no setor, sempre trabalhando no Rio de Janeiro, é de grande valia.
“A oportunidade encheu meus olhos. O que me motivou a trabalhar no Comitê Organizador foi acreditar no sonho de mudar e melhorar a cidade, a qualidade de vida das pessoas. Nestes 25 anos, pude conhecer o Rio como ele é, pude ir a regiões distantes, de dia, de noite, ver como as pessoas vivem”, diz a diretora, que ocupou cargos gerenciais na SuperVia – concessionária do serviço de trem de passageiros da Região Metropolitana do Rio - durante oito anos, além de cinco anos na concessionária Metrô Rio.
Trabalho por regiões
Ainda na fase conceitual, o planejamento desenvolvido pelo Departamento de Transporte Rio 2016 é dividido por regiões. Cada uma delas (Barra, Deodoro, Copacabana e Maracanã) é liderada por um gerente, que trabalha em constante interação com as áreas de Instalações e Segurança.
Os números da operação serão revisados após Londres 2012 e estão sujeitos a alterações nos próximos anos, mas a ordem de grandeza já impressiona. Estima-se que uma força de trabalho de mais de 15 mil pessoas estará sob o comando da área de transporte e City Operations, entre voluntários, terceirizados e contratados. Serão 1.500 ônibus e mais de cinco mil carros a serviço dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Apesar de as competições olímpicas se estenderem por 17 dias e as paraolímpicas por 11, o impacto na cidade é de 60 dias.
Ainda não há um cálculo consolidado em termos de quantidade de combustível a ser utilizado, mas entregar Jogos sustentáveis em termos ambientais é prioridade.
“Em Transporte, principalmente em relação a nossa frota, temos a oportunidade de fazer os Jogos mais limpos possíveis, até pela matriz de energia limpa que o Brasil dispõe, com biodiesel e álcool”, analisa Regina. “Além disso, no compromisso de candidatura, são citados pela Prefeitura os ônibus adaptados para pessoas com necessidades especiais e o combustível limpo. A Prefeitura está fazendo os melhores esforços neste sentido”.
Transformação da cidade
Pelo Censo 2010, a cidade do Rio de Janeiro conta mais de 6,3 milhões de habitantes, com quase 12 milhões na Região Metropolitana - no escopo da equipe de Transporte, os municípios do entorno são importantes pelos espectadores e pela força de trabalho, que se deslocarão todos os dias em direção à cidade olímpica. Neste sentido, a racionalização da quantidade de veículos em trânsito é um dos principais objetivos, tanto para os grandes eventos quanto para o legado.
“Você pode fazer gerenciamento de carros durante os eventos, pois o Rio ainda é uma cidade onde as pessoas usam bastante transporte público. São 70% público e 30% privado. Em São Paulo, por exemplo, são 51% privado e 49% público. Porém, com a expansão do crédito nos últimos anos, aumentou o número de carros. Os costumes também mudaram. Acabamos por seguir o modelo norte-americano da cidade para carros”, relata a diretora.
“Nos próximos quatro anos, com as intervenções em curso, estamos falando de um aumento de 13% para 46% de passageiros que se movimentam em transporte de massa no Rio de Janeiro. O ônibus comum não é entendido como transporte de massa. Falamos principalmente do BRT, do trem recuperado e com mais composições e do metrô com mais composições, diminuindo o tempo de viagem. Será uma rede integrada. O transporte público de qualidade incentivará as pessoas a deixarem o carro em casa. Com essas transformações, o maior legado tangível dos Jogos vai ser em transporte”, conclui.
Nos próximos meses, um técnico do Departamento de Transporte se mudará para Londres, onde trabalhará em período integral no Comitê Organizador local. Em seguida, trará a experiência e os conhecimentos de volta ao Rio 2016. Enquanto isso, grupos de trabalho do Comitê com os governos municipal, estadual e federal mantém reuniões periódicas. A operação de uma cidade olímpica dentro de uma cidade é trabalho em várias frentes. Intenso. E para sonhadores.