QUEM FAZ: Mario Cilenti, Diretor de Relações com CON/CPN, Serviços dos Jogos e Vila Olímpica e Paralímpica
Atendimento aos mais de 200 Comitês Nacionais e operação da Vila são as responsabilidades deste cidadão do mundo
Atendimento aos mais de 200 Comitês Nacionais e operação da Vila são as responsabilidades deste cidadão do mundo
Mario Cilenti é diretor do Comitê Organizador Rio 2016™ (Foto: Divulgação)
Entre os anos de 2008 e 2009, o argentino-canadense Mario Cilenti viajou o equivalente a seis voltas e meia no Planeta Terra. Visitou mais de 50 países em 15 meses. Esteve nos cinco continentes. Conversou com chefes governamentais, dirigentes do Movimento Olímpico, atletas e personalidades. O objetivo era um só: convencer o mundo de que o Rio de Janeiro merecia ser a primeira cidade da América do Sul a receber Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
No dia 2 de outubro de 2009, a campanha de Cilenti e de todo um comitê de candidatura foi premiada com uma vitória histórica. Rio 2016™ virava realidade, assim como o sonho do seu futuro Diretor de Relações com Comitês Olímpicos e Paralímpicos Nacionais e Vila Olímpica. Nos argumentos sólidos e no relacionamento humano, a conquista de todo um continente coroava a trajetória de 15 anos dedicados aos grandes eventos esportivos.
“Comecei como voluntário nos Jogos Pan-Americanos de Mar Del Plata 1995. Queria participar daquele grande momento da minha cidade na época de alguma forma, mas não tinha nenhuma experiência. Fui voluntário da delegação do Canadá, país onde morei dos três aos 14 anos, e me dei conta de que era isso que queria fazer. Acabei voltando para lá, agora para um trabalho remunerado na organização do próximo Pan, que seria em Winnipeg 1999. No fim, recebi um convite para trabalhar nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000 e a carreira deslanchou de vez”, lembra o diretor.
A experiência de um ano e meio na Austrália rendeu propostas de diversos comitês organizadores pelo mundo. Cilenti optou por Manchester, na Inglaterra, onde aconteceriam os Jogos da Comunidade Britânica em 2002. Depois, voltou ao Canadá, desta vez trabalhando para o Comitê Olímpico Canadense. Um convite do Presidente Carlos Arthur Nuzman o trouxe ao Brasil em 2004 para a organização dos Jogos Pan e Parapan-Americanos Rio 2007.
Equipe multicultural para um mundo de diversidades
Atuando nas áreas de Planejamento, Serviços dos Jogos e, posteriormente, como subsecretário geral de operações, o argentino contribuiu decisivamente para o sucesso do Pan do Rio, considerado o melhor da história. Após os Jogos, trabalhou para o Comitê Olímpico Brasileiro como diretor técnico para a candidatura a 2016 e, em seguida, como diretor de relações internacionais da campanha.
No Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016™, Cilenti tem a missão de liderar o atendimento aos mais de 200 Comitês Olímpicos Nacionais (CONs) e 170 Comitês Paralímpicos Nacionais (CPNs). Lidar com a multiplicidade de culturas, línguas, costumes, tradições e necessidades é o complexo desafio que o diretor terá pelos próximos quatro anos, antes, durante e depois dos Jogos.
“Esta área funcional será dividida de acordo com as cinco regiões do mundo. Cada gerência será responsável por uma região. Um ano antes dos Jogos, a estimativa é de que cada profissional esteja atendendo entre 12 e 15 países. Seremos uma equipe de cerca de 50 colaboradores, mais 1.200 voluntários. O número de voluntários designados para o atendimento de cada país será definido de acordo com o tamanho da delegação”, explica o diretor, que destaca o papel fundamental do programa de voluntariado.
“Esses voluntários são os chamados ‘assistentes CON’. Contaremos com uma equipe multicultural para atender a um mundo de diversidades, tanto em termos de línguas, quanto de culturas e das mais diferentes demandas. Essas pessoas receberão seis meses de treinamento. Elas entenderão toda a cadeia de serviços, desde o transporte até alimentação, segurança, a parte esportiva em si, e muitas outras. É um nível de complexidade grande, pois elas atenderão na ponta. Com certeza, terão uma experiência bastante intensa de vivência dos Jogos”, completa.
Uma cidade chamada Vila Olímpica e Paralímpica
Outra grande responsabilidade de Mario Cilenti é a operação da Vila Olímpica, que será também a Vila Paralímpica em 2016. O diretor participa do processo desde o desenho das plantas dos prédios com engenheiros e arquitetos até o pós-Jogos. Ainda em fase de planejamento, a operação da moradia dos atletas olímpicos e paralímpicos envolverá cerca de 18 mil pessoas:
“É uma pequena cidade. As dimensões são gigantescas para tudo que você pensar. É tudo multiplicado por 18 mil. Quando você pensa em cama, são 18 mil camas. Travesseiros, 18 mil travesseiros. Roupa de cama, o dobro disso. O mesmo com os Comitês Nacionais. Se você precisa aprovar bandeiras e hinos, são 200 bandeiras e 200 hinos. Há que pensar em um restaurante com cinco mil lugares, com comidas de diversas partes do mundo, uma policlínica de grandes dimensões, entre outras demandas. Receberemos os prédios sem nada, toda essa montagem é nossa”.
Tratar a todos com o mesmo nível de serviço é um princípio fundamental, apesar das disparidades. Alguns países virão com dois atletas, outros trarão delegações de mais de 500. Os Comitês Nacionais mais sofisticados já iniciam as visitas ao país para estudar seu planejamento e escolher locais de treinamento, sempre com o auxílio da equipe de Cilenti. Outros tantos só virão em 2016, para os Jogos, ou um ano antes, quando o Comitê Organizador Rio 2016™ recepciona todos os chefes de missão para uma assembleia geral.
O imenso desafio de reunir toda a diversidade sob o signo do Movimento Olímpico é uma nova experiência para o Rio, o Brasil e a América do Sul que o diretor de relacionamento com o mundo, cidadão sem fronteiras, ajudou a conquistar. Para Mario Cilenti, o planeta já se convenceu. Sonhos que se realizam são especialidade da casa.