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Um mundo novo

QUEM FAZ: Bernardo Alvarenga, do Departamento de Planejamento e Controle ao Ironman

Por Rio 2016

Confira o perfil do engenheiro-atleta que disputou uma das provas mais tradicionais do Triatlo mundial

QUEM FAZ: Bernardo Alvarenga, do Departamento de Planejamento e Controle ao Ironman

Bernardo Alvarenga cruza a linha de chegada do Ironman (Arquivo pessoal)

O Triatlo é um esporte três em um, mas o coração dos triatletas não tem divisão. Correr, nadar e pedalar sem descanso exige multiplicação. Nos Jogos Olímpicos, cerca de duas horas de pulmão, pernas e braços girando junto ao frio na barriga controlado. No Ironman, prova mais tradicional do esporte, cabeça fria e coração quente são fundamentais para mais de dez horas rumo a um objetivo. Para Bernardo Alvarenga, analista de monitoramento e controle do Comitê Organizador Rio 2016, era um sonho de infância, lapidado em um caminho de somas e subtrações.

“Meu pai foi remador e eu sempre fui muito ligado ao esporte. Comecei a praticar natação, a ganhar, cheguei à Seleção Brasileira Junior, fui campeão brasileiro dos 400m livre e nadei até os 20 anos. Aí, veio a faculdade. Tive que optar, não estava dando para conciliar, não estava fazendo nenhuma coisa bem. Parei em 2000 e, hoje, não me arrependo. Mas, na época, ficava aquela coisa, os amigos indo para os Jogos Olímpicos, ‘será que eu vou para 2004?’. Foi uma frustração enorme”, relembra o engenheiro mecânico de produção, com MBAs em marketing e gerência de projetos na França, que integra o Departamento de Planejamento e Controle do Comitê Rio 2016.

Sem jamais parar de praticar esportes, a ideia de encarar os 3.800 metros de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida do mítico Ironman - competição surgida no Havaí (EUA), em 1978, e que hoje tem etapas ao redor do mundo - criou raízes por dez anos. Em 2010, durante uma conversa com amigos, a decisão foi tomada. Dali a seis meses, estariam em Florianópolis, prontos para o desafio físico e, sobretudo, mental mais duro de suas vidas.

A preparação

A matriz de treinos preparada pelo técnico Alexandre Ribeiro, tetracampeão mundial do Ultraman (competição de 10km de natação, 421km de ciclismo e 84,4km de corrida em três dias) deu a ordem. A disciplina foi determinante. De novembro de 2010 a maio de 2011, atividades diárias na academia, na estrada e na praia. Na matemática da balança, oito quilos perdidos ao fim da preparação, mesmo com seis refeições por dia sob o acompanhamento de uma nutricionista.

“Acordava 5h30 da manhã durante a semana, treinava de manhã e à noite, antes e depois do trabalho. No sábado, levantava 4h30 e eram três, quatro horas de pedal na estrada, subindo a serra. Domingo, mais 30 a 35km de corrida. Você fica viciado no treino”, diz. “A prova é mental. O treino é mais ainda. É extremamente solitário. Se você não estiver totalmente imbuído daquilo, você não faz, não acorda, não treina com sol ou com chuva. Tive a sorte de ter amigos ao meu lado e o Coach Ribeiro e sua equipe dando todo suporte”, comenta.

“Já haviam me falado que os treinamentos são mais difíceis que a prova. Concordo! Apesar de, na prova, você chegar mais doído, nos treinamentos você deve lidar com as outras atividades do dia-a-dia e ser um multiplicador de tempo. Além disso, precisa manter a motivação no nível mais alto. Isso se consegue fazendo aquilo que você ama”, conclui.

A prova

No dia 29 de maio, após 11h50, Alvarenga colhia seus frutos. As palavras do engenheiro-atleta no relato escrito após a prova e enviado a família, amigos e apoiadores resumem as sensações.

“Acordamos 4h30. Ou melhor, levantei a essa hora, porque eu não dormi nada! A sensação momentos antes da largada é uma mistura de realização devido ao treinamento duro, ansiedade para o início da prova, nervosismo pela melhor estratégia de largada e adrenalina, muita adrenalina! Logo antes da largada, o sol nasce. Essa adrenalina atinge o máximo faltando cinco minutos. Larguei tranquilo, me sentindo bem. Quando terminamos a primeira volta e passamos pela areia, foi muito emocionante ouvir a galera gritando e alguns amigos gritando o meu nome! Voltei para água e continuei na esteira da galera, terminando a natação super tranquilo em 49 minutos. Começamos a pedalar num ritmo tranquilo, de acordo com a recomendação do coach. Foi legal também encontrar meus pais no fim da primeira volta e no início da segunda. Minha mãe ensandecida, óbvio! Não sei como ela não me pediu para parar e tirar uma foto! Fechamos em 5h40, uma média muito boa para gente.

Nunca havia feito uma maratona. Na verdade, nunca havia feito uma provinha de 5km de rua, apesar dos treinos longos de corrida terem sido de 21km para cima. Mas o que incomoda e você deve ter consciência é que você sai para correr depois de 7h fazendo exercício. Ter tranquilidade e força mental para encarar a maratona é crucial. Os 3km iniciais parecem não ter fim. É desafiador quando você pensa: ‘Faltam 39km!’. Foi na primeira volta da maratona que recebi a fonte de energia mais contagiante que recebi na vida. Um menino excepcional em uma cadeira de rodas gritou o meu nome em Canasvieiras e, quando eu acenei para ele, deu para ver no rosto dele que ele queria muito estar ali correndo. Foi f***!

Apesar de tudo, estava com a musculatura numa boa, longe de ter câimbra. O problema foi o meu joelho esquerdo, que começou a doer nos 5km. Aí, os problemas começaram... O joelho direito começou também, já que comecei a tentar jogar mais peso para a perna direita. Mas o que você vai fazer? [...] Agora, faltavam só 10km. Tive uma notícia boa e uma ruim. A boa era que meu joelho havia parado de doer, a ruim era que a dor havia parado porque, do joelho para baixo, era tudo dor, da canela aos dedos dos pés! Do ponto de vista muscular e de gás, eu estava sobrando, o que era engraçado. Minhas coxas (anterior e posterior) e panturrilha estavam intactas, mas o resto estava f***, além do frio de uns 12 graus que fazia. [...] Quando faltam uns 100 metros para chegar, forma-se um corredor de gente te incentivando e gritando o seu nome, o que te leva às lágrimas e você até esquece as dores (por uns 0,002255 segundos). Após passar pelo pórtico, o locutor fala o seu nome e umas mil pessoas vibram com a sua chegada. A sensação é simplesmente indescritível”.

De volta à realidade

Momentos após cruzar a linha de chegada, o problema passa a ser lidar com o vazio. Os meses de preparação e expectativa terminam em um suspiro. “Fiquei bem deprimido quando acabou. A prova foi no domingo. Na segunda, voltei para o Rio. Na terça, fui trabalhar e, quando voltei para casa, comecei a chorar”, lembra.

Hora, então, de diferentes desafios. “No Comitê, temos que, basicamente, ser os chatos (risos). Tudo que foi planejado para as áreas funcionais, nós temos que monitorar, para ver se está sendo entregue. Hoje, ainda estamos implementando ferramentas para este acompanhamento, porque chegaremos a 62 áreas e a tarefa é bastante complexa. Estamos envolvidos também em reuniões periódicas de acompanhamento do projeto com o COI e nossa tarefa é estar ao lado das áreas nessas apresentações. Depois do Ironman, temos aí um Ultraman para encarar no Comitê até 2016”, brinca.

Recentemente, Bernardo Alvarenga foi eleito um dos diretores do grupo de incentivo à prática esportiva dos funcionários Rio 2016. A meta é convencer, pelo menos, um colega de trabalho a treinar e competir ao seu lado no Ironman 2013. No coração do triatleta, mais do que do engenheiro, planejamento é fundamental. Trabalhar, correr, nadar e pedalar sem descanso exigem multiplicação.