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Um mundo novo

Quatro vezes Antônio Tenório: o herói paraolímpico

Por Rio 2016

Aos 40 anos, judoca buscará a quinta medalha de ouro em Londres 2012 e já pensa em 2016

Quatro vezes Antônio Tenório: o herói paraolímpico

Antonio Tenório em combate contra Mycola Lyivytskyi (©Getty Images/Jamie McDonald)

A carreira de Antônio Tenório, judoca brasileiro, é de cinema, mas sua vida não caberia em um longa metragem. Talvez quatro. Dominante na categoria B1 – para atletas totalmente cegos – até 100kg, venceu os mais diversos desafios para chegar ao tetracampeonato paraolímpico. E não está disposto a sair de cartaz.

Em Pequim 2008, resolveu documentar em vídeo o caminho até o ouro.

“Cada uma das quatro medalhas nos Jogos Paraolímpicos tem seu sabor, tem sua história, suas lembranças. Só que a última, em Pequim, ainda teve um tempero a mais, que foi a gravação do documentário. Filmamos durante toda a trajetória. Na luta final, pensava que podia fechar com chave de ouro não só a competição, mas também o filme. Foi uma grande conquista para o paradesporto brasileiro e para mim”, lembra Tenório, personagem de “B1 – Tenório em Pequim”, dirigido por Felipe Braga e Eduardo Hunter Moura, lançado em 2009 e premiado em festivais ao redor do mundo.

Aos sete anos de idade, Antônio Tenório perdeu a visão do olho esquerdo após uma brincadeira de estilingue com sementes de mamona. Aos 19, uma infecção gerou um descolamento de retina no olho direito, que acabou por deixá-lo completamente cego. Seu contato com o judô, porém, já vinha de longa data. Aprendeu os golpes quando ainda enxergava.

“Fui convidado a participar de competições paradesportivas com 21 para 22 anos, em 1991/92, mas também competia em campeonatos regulares, para atletas sem deficiência. Em muitos casos, era o único deficiente visual na competição”, conta ele. “Em 1995, fui para o Mundial e, no ano seguinte, conquistei meu primeiro ouro em Atlanta [na categoria até 86kg]. Não sabia o que seria dali para frente, não sabia se continuava a treinar, se dava aula... Voltei a treinar em 1998 e em 2000 fui bicampeão paraolímpico [na categoria até 90kg]. Foi a partir desta época que a mídia e os patrocinadores começaram a dar uma atenção maior”, relembra.

Rumo ao Rio 2016

Em 2004, Tenório competiu com um centímetro de rompimento do menisco do joelho esquerdo e em uma nova categoria, até 100kg. Mesmo assim, conquistou o tricampeonato em Atenas. Em declarações da época, demonstrava não acreditar em um novo pódio quatro depois, aos 37 anos. Não só conquistou como o fez vencendo todas as lutas por ippon, o golpe perfeito do judô.

“Procuro fazer o trabalho dia após dia, pensar nos planos aos poucos. Foi o que aconteceu até Pequim e continuará assim. Para Londres 2012, já temos vaga. Eu quero estar no Rio em 2016. É para isso que eu treino e, se tudo der certo, estarei lá”, afirma o judoca, que vem participando de campeonatos de jiu-jitsu para atletas sem deficiência como um novo desafio na carreira.

Questionado sobre o que pensa em fazer após o fim da trajetória nos tatames, diz ter a intenção de “estar do outro lado da mesa”: “Continuarei trabalhando com o esporte, para o desenvolvimento do paradesporto. É nisso que eu acredito, é com isso que eu posso ajudar. Se o pessoal me deixar, vou ter todo o prazer de trabalhar com a gestão do esporte”.

Acessibilidade como legado

Após mais de duas décadas percorrendo o mundo como atleta, Tenório percebe mudanças para melhor no trato com os portadores de deficiência. Para os Jogos Paraolímpicos no Brasil, acredita que conquistas virão como legado do maior evento esportivo do planeta.

“As questões de acessibilidade, como sinais sonoros para os deficientes visuais, ônibus adaptados, acessos para os cadeirantes nas ruas, entre tantas outras, são de extrema importância. Em países que lidam com os lesionados de guerra, isso tende a ter um outro tratamento. No Brasil, não há guerra. A realização dos Jogos permite que nós e os nossos jovens sonhemos com muitas coisas. Com resultados no esporte, mas também com condições melhores. Temos uma legislação boa neste sentido. Acreditamos e apostamos nesse caminho”, diz.

Gravado na história do desporto paraolímpico, Tenório se emociona ao lembrar do hino brasileiro no topo do pódio. Ainda espera ouvi-lo em casa, entoado pelos compatriotas. Na estrofe “gigante pela própria natureza”, diz passar um filme na cabeça. De quatro em quatro anos, a estrela no judô e na vida não se cansa de repetir o final feliz.