Projeto social criado no Complexo da Maré recebe prêmio do COI no Peru
Luta pela Paz é exemplo do uso do esporte para o desenvolvimento social em comunidades carentes. Metodologia criada no Rio atravessa fronteiras
Luta pela Paz é exemplo do uso do esporte para o desenvolvimento social em comunidades carentes. Metodologia criada no Rio atravessa fronteiras
Jovem faz pequena demonstração em frente a sede do projeto Luta pela Paz, no Complexo da Maré (Rio 2016™/Alex Ferro)
Fundado no ano 2000 no Complexo da Maré com o objetivo de desenvolver o potencial de jovens em comunidades carentes, o projeto social Luta pela Paz recebeu nesta quarta-feira, dia 24, o prêmio mais importante nesses 13 anos de sua existência. No primeiro dia da 15ª edição da Conferência Mundial Esporte para Todos, do Comitê Olímpico Internacional (COI), realizada em Lima, no Peru, o projeto carioca recebeu o prêmio “em reconhecimento por sua iniciativa e extraordinária contribuição em promover o desenvolvimento do esporte para todos”.
O prêmio foi entregue pelo presidente do COI, Jacques Rogge à gerente de relações institucionais da Academia Luta pela Paz, Gabriela Pinheiro. “Foi emocionante. Fico muito orgulhosa em fazer parte do Luta pela Paz e de todos na comunidade, que trabalham o esporte para o desenvolvimento de tantas pessoas”, disse Gabriela, por e-mail.
O Luta pela Paz começou no Rio de Janeiro e a sua metodologia chegou à Londres em 2007 e avança pelo mundo. O prêmio conquistado em Lima é ligado justamente a essa metodologia que está sendo exportada para mais de 120 organizações mundiais e denominada Programa Luta Pela Paz Alumni Global. Um claro exemplo de transformação social ligada ao esporte na cidade que vai receber a próxima edição dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
“O prêmio que estamos recebendo em Lima está ligado à expansão dessa metodologia iniciada nas favelas do Rio de Janeiro, uma coisa muito criativa, bem brasileira”, afirmou o britânico Luke Dowdney, fundador do Luta pela Paz. “A gente aprende tantas coisas na Maré. Foram 13 anos de muita história e toda essa história está agora avançando pelo mundo”, afirmou, em um português com sotaque carioca.

Placa do prêmio recebido pelo projeto Luta pela Paz, um exemplo a ser seguido no mundo (Divulgação)
O Rio ainda é o endereço principal desse britânico que viaja o mundo levando uma metodologia de trabalho criada na Cidade Maravilhosa. Ele não pôde comparecer à premiação no Peru porque está em Nairóbi, capital do Quênia, conhecendo organizações comunitárias que podem vir a fazer parte do programa Alumni Global.
“Minha função mais recente é treinar 120 organizações mundiais usando a metodologia de trabalho criada na Maré. Na África, vou visitar as cidades com o maior índice de violência armada do continente. Minha vida não tem nada de luxo. Eu só me meto em gueto. Tudo pela minha maior ambição na vida: a transformação pelo esporte”, declarou Dowdney, pouco antes de embarcar para a África.
O projeto Luta pela Paz beneficia diretamente 2250 jovens por ano no Rio e em Londres, sendo 1800 somente na Maré. No Rio, o projeto atende desde crianças de sete anos a adultos de 29 e hoje conta com aulas de boxe, capoeira, judô, luta livre, jiu-jitsu e taekwondo. Na capital da Inglaterra, jovens de 11 a 24 anos recebem aulas de boxe, muay thai, MMA e fighting fit.
Em março, o ex-capitão do All Blacks Sean Fitzpatrick visitou o Luta pela Paz no Complexo da Maré. Confira: