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Um mundo novo

Projeto criado no Rio usa o boxe para levar paz a comunidades de todo o mundo

Por Rio 2016

Campeão universitário inglês dos meio-médios, Luke Dowdney diz que o esporte trabalha valores, regras e o respeito ao próximo

Projeto criado no Rio usa o boxe para levar paz a comunidades de todo o mundo

Luke Dowdney posa para a foto com o Complexo da Maré ao fundo. O britânico usa o esporte como principal ferramenta para ajudar milhares de pessoas (Divulgação)

Fundador do projeto social Luta pela Paz, o britânico Luke Dowdney escolheu o boxe como a principal plataforma para realizar o seu sonho de vida: a transformação social através do esporte. Campeão universitário dos meio-médios na década de 90 no seu país natal, Luke é se formou mestre em antropologia social pela Universidade de Edimburgo, na Escócia. Logo após se formar viajou o mundo para divulgar o esporte e ajudar a melhorar a vida de muitas pessoas.

Ao encerrar a carreira de atleta precocemente, Luke passou a se dedicar à vida acadêmica. Em 1997, ele esteve pela primeira vez no Brasil, onde realizou um trabalho de campo em Recife antes de concluir o mestrado. A paixão pelo Brasil foi tiro e queda. Desde então, passou a viajar o mundo e encontrou o seu refúgio no ano 2000: o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

“Parei de lutar, mas quis me manter ligado ao esporte. Fundei o Luta pela Paz com outros dez jovens de uma associação de moradores. Entre tantos lugares do mundo, escolhi o Complexo da Maré porque era formado por 17 favelas com mais de 130 mil moradores. Não era o maior complexo populacional do Rio de Janeiro, mas era o mais complicado em termos de área armada. Naquela época a guerra era total. Três facções criminosas e um grupo de milicianos dominavam a região”, explicou Luke.

Elevado ao nome de organização não governamental (ONG) em 2007, o projeto Luta pela Paz já tirou milhares de jovens das ruas e trouxe mais paz para a comunidade da Maré, que hoje em dia recebe gente do mundo inteiro para conhecer o trabalho idealizado pelo britânico. Trabalho este premiado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) nesta quarta-feira como grande exemplo de transformação social através do esporte.

“A Maré, mesmo com tanta violência, está trazendo gente do mundo inteiro para conhecer o nosso trabalho. E isso é muito bonito. É importante criar uma rede mundial e para isso trabalhamos valores e nada melhor do que o esporte para unir as pessoas e desenvolver esses valores. Principalmente na vida das pessoas que moram em um lugar violento. Estamos participando efetivamente dessa mudança e eu acredito que esse prêmio vai ligar ainda mais o projeto criado no Rio de Janeiro com os Jogos Olímpicos”, considerou.

Luke passa instruções a um dos jovens atletas do projeto Luta pela Paz (Divulgação)

Segundo Luke, a escolha do boxe como principal plataforma para realizar essa transformação social na Maré foi uma resposta à necessidade dos jovens. “Escolhi o boxe por ser um esporte puro. Um esporte individual, de contato, que educa, porque se não estiver bem preparado, você vai sofrer, vai se machucar. Um esporte que faz você respeitar regras, que te ensina a respeitá-las”, explicou.

Mas só o esporte não bastava, é claro. O esporte é, na verdade, um dos cinco pilares da metodologia utilizada pelo Luta pela Paz que foi criada no Rio de Janeiro e está sendo levada a diversas partes do mundo. Os cinco pilares são: boxe e artes marciais, educação, empregabilidade, serviço de apoio aos jovens e liderança juvenil. Os pilares, por sua vez, estão aliados a cinco valores: abraço, campeão, solidariedade, inspirador e destemido. O desenvolvimento pessoal dos jovens inscritos no projeto social com o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar se tornou exemplo a ser seguido.

“O esporte nunca pode ser sozinho. Por isso temos aulas de reforço escolar, parte jurídica, assistência social e muitos outros serviços”, disse Luke.

Após o sucesso do projeto no Rio, o britânico resolveu levar ao seu país natal a metodologia criada por ele e aperfeiçoada ao longo dos anos. Em 2007, Luke iniciou um trabalho no bairro de Newark, perto do Aeroporto de Heathrow, em Londres, uma das áreas com maior índice de conflitos da capital inglesa.

“É uma zona habitacional com cerca de cinco mil casas e um índice muito alto de gangues de rua. Os jovens de diferentes post-codes brigam por qualquer coisa. Começamos o trabalho com diversos jovens, e hoje eu me orgulho de contar com garotos de todos os post-codes vivendo juntos”, afirmou, sem esconder a emoção.