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Um mundo novo

PROGRAMA DE OBSERVADORES: Bruno Souza vive o outro lado da Vila Olímpica

Por Rio 2016

Ex-jogador de handebol, colaborador do Rio 2016™ esteve nas duas últimas edições dos Jogos como atleta

PROGRAMA DE OBSERVADORES: Bruno Souza vive o outro lado da Vila Olímpica

Desta vez, Bruno Souza está na Vila Olímpica como membro do Comitê Organizador (Rio 2016™)

O almoço de Bruno Souza no colossal restaurante da Vila Olímpica de Londres 2012, localizado dentro do Parque Olímpico, na parte leste da capital britânica, é interrompido por um gigante de 2,05m de altura, olhos puxados e um alemão melhor que o de muitos nativos. Com o uniforme de passeio azul da Coréia do Sul, aproxima-se da mesa sorridente e faz saudações ao consagrado ex-atleta de handebol, hoje trajando as vestimentas lilás e vermelhas do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos. Puxa a camiseta com as pontas de dois dedos e aponta para a de Bruno, em tom de gozação, como quem dissesse “roupa bonita!”. Despede-se com um sorriso no rosto e um convite para uma visita ao prédio coreano na primeira brecha na concorrida agenda das duas semanas olímpicas.

Ex-colega de profissão e amigo, Yoon Kyung-Shin, eleito o melhor jogador do mundo em 2001 e que conduzira a bandeira de seu país na Cerimônia de Abertura de Londres, é apenas um dos atletas que param para saudar o maior jogador brasileiro da história do esporte. Em Atenas 2004 e Pequim 2008, Bruno tivera a oportunidade de participar da festa dentro das quadras. Hoje, é membro do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016™ “emprestado” à organização dos Jogos de Londres, em um programa chamado Secondment.

Já está há um mês trabalhando e observando – agora com olhar técnico - o funcionamento do conjunto de prédios que abriga as delegações nacionais para as disputas do maior evento esportivo do planeta.

“Como atleta, a nossa tensão é controlada, em tempos de Jogos Olímpicos ou no dia-a-dia. Dentro da Vila, para o atleta, as facilidades são enormes. Trabalhar nos bastidores é diferente. Para que tudo fique pronto, é muito trabalho. Fazemos tudo para que o ambiente seja propício e passemos despercebidos para o atleta”, afirma o ex-jogador, que se retirou das disputas do handebol em 2011.

Ex-jogador mata as saudades da época de atleta no prédio do Time Brasil (Foto: Rio 2016™)

Perspectiva do competidor no planejamento da Vila Olímpica

Eleito o terceiro melhor jogador do mundo em 2003, Bruno Souza atuou por nove anos na Alemanha, que organiza a liga de handebol mais prestigiada do planeta, e mais três na França. Pela seleção brasileira, participou de três edições dos Jogos Pan-Americanos, vencendo duas, além de disputar dois Jogos Olímpicos. Fala cinco idiomas com fluência. No fim da carreira, participou do Programa de Apoio ao Atleta do Comitê Olímpico Brasileiro, que auxilia os competidores a identificar novas funções e ajudar no desenvolvimento do esporte olímpico brasileiro.

Resolveu, então, candidatar-se a uma vaga no Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016™. Participou de todo o processo seletivo, como qualquer profissional que se inscreve pelo site Rio2016.com. Escolhido pelo Departamento de Relações com os Comitês Olímpicos Nacionais e Vila Olímpica e Paralímpica, foi enviado a Londres, de onde trará extensos relatórios. A vivência “do outro lado do balcão”, como define, vem sendo essencial nas observações e será de grande valia nos próximos quatro anos, para a fase de planejamento e operação da Vila Rio 2016™.

“Dentro da Vila de Londres, já passei por todas as áreas de Serviços. Comecei no Centro de Comunicação, fui para o Centro de Operação, o Welcome Center, o Centro de Passe de Convidados, sempre passando um ou dois dias inteiros com os responsáveis, aprendendo um pouco de cada”, conta Bruno. “Essa experiência e esse know how serão essenciais. Temos outros ‘secondees’ fazendo um grande trabalho aqui e todo esse conhecimento será levado para Rio 2016™”.

Nas horas vagas na movimentada Vila Olímpica, Bruno encontra os amigos da delegação brasileira e, quando em vez, está no prédio do Time Brasil, levando apoio e boas energias. Aposta suas fichas em um ótimo resultado do time feminino verde-e-amarelo, que vem superando as expectativas nas quadras de Londres. Muitas das jogadoras mais jovens o tiveram como inspiração. E não só as brasileiras:

“Quando ando pela Vila e vejo o carinho que as pessoas têm comigo, gente de dezenas de países, treinadores, jogadores que atuaram comigo e contra, na Europa, vejo que tudo que fiz foi na direção certa. Não existe sentimento melhor do que esse. Agora, sou mais um torcedor. É um novo começo, mas com uma bagagem extensa, um motivo de orgulho, por trás”, conclui, sem previsão para o fim da carreira olímpica.