Aplicativos Rio 2016

Amplie sua experiência nos Jogos.

Download
Para quem vai a sua torcida?

Para quem vai a sua torcida?

Escolha seus atletas, times, esportes e países favoritos clicando nos botões ao lado dos nomes

Nota: As configurações de favoritos são gravadas em seu computador através de Cookies Se você deseja mantê-las, não limpe seu histórico de navegação

Por favor, ajuste suas preferências

Verifique se as suas preferências estão ajustadas. Você poderá modificá-las a qualquer momento

Expandir Conteúdo

Os calendários serão apresentados neste fuso horário

Expandir Conteúdo
Contraste
Cores originais Cores originais Alto contraste Alto contraste
Ver todos os recursos de Acessibilidade
Um mundo novo

Oleksandr Petriv, o campeão zen

Por Rio 2016

Ouro olímpico em Pequim, ucraniano aposta no silêncio e na solidão para atingir metas

Oleksandr Petriv, o campeão zen

Petriv em Pequim: o campeão zen (Foto: Quinn Rooney/Getty Images)

Já passavam 30 minutos do fim das eliminatórias do Fogo Central Masculino dos Jogos Mundiais Militares, no Rio, e nenhum dos companheiros de delegação ucraniana fazia ideia do paradeiro de Oleksandr Petriv. A organização do evento tampouco tinha notícias. Assessores, colegas atletas, nem pista. Por todos os estandes ocupados pelas competições, nenhum sinal.

Fazia meia hora, Petriv sentara e recostara contra a parede no último lance de degraus de arquibancadas do único estande vazio do Centro Nacional de Tiro Esportivo. Sozinho, em silêncio, fez anotações em um pequeno bloco por cinco minutos, guardou as notas na mochila e fechou os olhos. Minutos depois, saía de seu mundo particular, descascava uma banana e autorizava a aproximação do repórter.

“Estava fazendo a análise dos meus tiros de trinta minutos atrás. Preciso ficar sozinho e fazer minha análise, escrever no meu caderninho. É muito importante para minha próxima competição”, explica o atirador de 37 anos, atual campeão e recordista olímpico da Pistola de Tiro Rápido 25m.

Tradição soviética

Nascido em Lviv, cidade de 750 mil habitantes no extremo oeste da Ucrânia, fronteira com a Polônia, Petriv cresceu sob a bandeira da União Soviética. As primeiras influências vieram da tradição da antiga potência. O amor pelo esporte não tardou a acontecer.

“Na antiga União Soviética, o Tiro era um esporte muito tradicional, muito popular, até por questões de defesa. Era a época da Guerra Fria. Eu fui para o Tiro porque o estande era perto da minha casa, da minha escola, e eu adorava armas, adorava praticar. Eu tinha 12 anos, era muito interessante para os meninos, muito divertido. Era uma atração. Era uma escola de esportes para crianças a cinco minutos da minha escola andando. Havia muitas destas no país”, relembra.

Ativada a curiosidade, a empolgação infantil foi aos poucos se transformando em frieza e concentração na fase adulta. Até o topo do pódio olímpico em Pequim, foram 21 anos de controle do ritmo de respiração e dos batimentos cardíacos. Para receber o ouro, entretanto, pulou e brincou como nos velhos tempos.

“Tudo no tiro é decidido pelos nervos, pelo emocional. O atirador pode ser muito bom quando está treinando, mas na competição os nervos podem atrapalhar. No Atletismo, nos 100 metros, os nervos podem até ajudar. Não é tão diferente do treino. No Tiro, a competição é totalmente diferente do treino”, analisa o ucraniano.

União pelo esporte

Lviv continua a ser a casa e o local de trabalho. Nos treinamentos para Pistola Rápida, chega a dar 300 tiros por dia, com folga apenas no domingo. Para a Pistola de Ar, por volta de 150. As viagens para competições são constantes e não chegam a ser um problema. Para Petriv, eventos como os Jogos Olímpicos no Brasil são oportunidades únicas, que devem ser aproveitadas ao máximo.

“Muito bom para todas as pessoas do planeta estarem em contato, se conhecerem. É muito interessante que o mundo inteiro possa estar na América do Sul e conhecer as pessoas daqui. É algo totalmente diferente da Europa, dos EUA, da Austrália. É uma experiência nova para muitos e deve ser vivida por todos.”

Na prova em que é especialista, Oleksandr Petriv dispara cinco vezes na sequência em cinco alvos lado a lado. Sem piscar os olhos, apesar do estampido, atinge metas em um mundo próprio. Por alguns momentos, precisa estar só. O silêncio é sua proteção. Para um campeão zen, a paz pelo Tiro é um sonho real.