O MAIOR DESAFIO DA CARREIRA: Profissionais que fazem de tudo por Rio 2016™
Pelo projeto, há quem mude de país, troque de profissão, fique longe da família e passe pelas situações mais inusitadas
Pelo projeto, há quem mude de país, troque de profissão, fique longe da família e passe pelas situações mais inusitadas
Bruno Souza, ex-atleta do Time Brasil, esteve em Londres 2012 no programa Secondment (Rio 2016™)
Existe algo de tão especial nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016™ que há quem se mude para a Cidade Maravilhosa depois de anos no estrangeiro, recuse ofertas de trabalho ou fique longe da família só para participar do projeto. Entre os profissionais do Comitê Organizador, essas histórias têm um ponto em comum: as mudanças não são um sacrifício, mas motivo de orgulho.
Um dos apaixonados por esse universo é o ex-jogador da seleção brasileira de handebol, Bruno Souza, que trocou propostas na Europa pela oportunidade de fazer parte da equipe do Rio 2016™.
Aos 34 anos, uma lesão no joelho o tirou da disputa do pré-olímpico da modalidade – e última chance de classificação para os Jogos de Londres – em abril de 2012. Foi então que começou a repensar a vida de atleta. Mesmo em recuperação, o terceiro melhor jogador do mundo em 2003 continuou a receber convites de clubes europeus para atuar como jogador e diretor esportivo.
Na mesma época, foi aberto o processo seletivo para Especialista de Integração da Vila Olímpica e Paralímpica no Comitê. “Precisavam de um ex-atleta com experiência em Jogos e que entendesse a visão do estrangeiro. Como eu tinha vivido quase 13 anos fora, minha formação era mais no estilo alemão e francês do que brasileiro”, comenta Bruno, que participou do Programa de Apoio ao Atleta do Comitê Olímpico Brasileiro, que ajuda na transição de competidores para novas funções.
Pouco tempo depois, o sonho de estar nos Jogos pela terceira vez na carreira se concretizou. Desta vez, por meio do Secondment, programa de observadores do Rio 2016™ em Londres: “Foi uma experiência completamente diferente. Dois meses antes, eu estava me preparando para ser atleta em Londres e de repente me vi trabalhando no evento que eu conhecia tão bem. Tenho muito orgulho do que eu faço hoje”.
A hora do Brasil
O desafio também trouxe de volta ao país a Gerente Administrativo Daiane Ramos, que morava há sete anos em Londres. Com 15 anos de experiência na área, ela deixou um emprego em uma multinacional de equipamentos fotográficos e outro como policial e, em duas semanas, já estava no Rio.
“Eu não conhecia a cidade, fiquei um mês morando em hotel. Minha vida nos primeiros meses foi muito complicada, mas eu apoio todo mundo que queira fazer isso. Gosto e acredito muito no projeto. É a hora do Brasil, e acho que quem mora fora e tem um padrão de alta qualidade de prestação de serviços deve colaborar”, diz.
Para quem está no Brasil por causa dos Jogos, mas deixou a família em outro país, a solução é matar as saudades através da internet, de viagens de férias e das muitas fotos espalhadas pela mesa de trabalho. É o caso de Sylmara Multini, Gerente-geral de Licenciamento, Varejo e Concessões. O marido e as filhas de 18 e 21 anos ficaram nos Estados Unidos, onde ela morou por oito anos. Mas se engana quem pensa que a distância os afastou.
“Temos um núcleo familiar muito forte e muito respeito pelo momento de cada um. Não tenho cobrança nenhuma, eu tenho um time que está torcendo por mim. É fundamental que a família esteja unida nesse projeto”, explica.
“Estar envolvida com os Jogos é algo muito empolgante. Fazer parte desse evento que vai transformar o Brasil é um privilégio. No licenciamento, temos a oportunidade de tocar 100% da população brasileira com os nossos produtos. A responsabilidade é grande”, completa.
Filhos? Só depois dos Jogos
O apoio da família também é essencial na opinião do Especialista em Comunicação Interna Emerson Sanders, casado com a bióloga Camila Coelho, que mora em Curitiba.
Quando entrou para o Rio 2016™, em agosto de 2011, Emerson e Camila estavam noivos. Os preparativos para o casamento foram por telefone ou quando se encontravam nos finais de semana, sempre com a compreensão e paciência da parceira.
"O meu trabalho também é um motivo de orgulho para ela. A Camila sabia desde o início que íamos ficar juntos no final, sabia que nossa relação era sólida e deu muito apoio. Foi fundamental," afirma Emerson, acrescentando que, aumentar a família, somente em 2017.
"Tivemos que planejar quando vamos ter nossos filhos, será depois dos Jogos. Levo essa vida por amor ao Comitê. É um esforço por causa do projeto, que é apaixonante. Eu quero contar essas histórias para os meus netos, que eu tive uma marca no projeto olímpico no Brasil. Não faria isso por outra empresa. Os anéis olímpicos fizeram meus olhos brilharem," explica.
Em 2016, mais de 100 mil pessoas farão parte do Comitê Organizador, entre profissionais contratados, terceirizados e voluntários. As histórias de dedicação também irão se multiplicar. Os desafios de cada um podem até ser diferentes, mas o brilho nos olhos certamente será o mesmo.