O lado Olímpico da Força
Conheça Bob Anderson, o esgrimista inglês que ensinou Luke Skywalker e foi Darth Vader em cenas antológicas do cinema
Conheça Bob Anderson, o esgrimista inglês que ensinou Luke Skywalker e foi Darth Vader em cenas antológicas do cinema
Bob Anderson (sem o capacete) e Luke (Mark Hamill): disputa olímpica das galáxias
Texto: Pedro Só
É como se Darth Vader tivesse sido padawan (aprendiz mirim, no jargão da saga Guerra nas Estrelas) dele. Há não tanto tempo assim, nesta galáxia daqui mesmo, quando o maior vilão da história do cinema não era sequer uma faísca na imaginação de George Lucas, o esgrimista inglês Robert James Gilbert Anderson (1922-2012) já estava empunhando o sabre com maestria.
Veterano da Segunda Guerra Mundial, Bob Anderson, como ficou conhecido, era reconhecidamente casca-grossa. Sobreviveu sem maiores ferimentos ao naufrágio do navio em que servia, torpedeado pelos alemães no Mediterrâneo.

Nos Jogos Olímpicos de Helsinque, em 1952, sem maiores brilhos, Bob Anderson ficou em quinto lugar nas disputas individuais, então dominadas pelos húngaros (que levaram as três medalhas). Mas foi pouco antes de embarcar para a Finlândia que recebeu o convite para um trabalho que mudaria seu destino: ser dublê do ator Erroll Flynn (1909-1959) no filme Minha espada, minha lei (1953), em Londres. Acabou dando aulas e coreografando as cenas de luta.
Nem um pequeno acidente no set, em que involuntariamente tirou sangue da coxa do astro, impediu que Bob passasse a ser lembrado para as principais produções que envolvessem duelos de espada. Até o fim da vida, levou em paralelo o cinema e a carreira esportiva – foi técnico da equipe britânica por quase trinta anos e diretor-técnico da confederação canadense de esgrima.
Criou sequências de luta e ensinou as artes da espada para múltiplas gerações de astros. Douglas Fairbanks, Tony Curtis, Michael Cain, Sean Connery, Roger Moore, Ryan O’Neal, Christopher Lambert, Antonio Banderas, Charlie Sheen, Johnny Depp, Viggo Mortensen… Todos eles passaram pela espada de Bob.
Fique por dentro das regras e de informações técnicas sobre esgrima
Mas sua contribuição mais lembrada, sem dúvida, foi para dois filmes da saga Guerra nas Estrelas. Nos duelos mais marcantes de O Império Contra-Ataca (1980) e O Retorno de Jedi (1983), quem está por trás da máscara de Darth Vader é o próprio Bob Anderson. Contratado inicialmente para coreografar as cenas de luta de sabres de luz e para dar aulas aos atores, ele acabou tendo que atuar.
O ator David Prowse teve aulas, mas não conseguia fazer os movimentos de maneira convincente. A solução foi chamar o próprio Bob Anderson, que já tinha 59 anos, para usar a máscara e as roupas negras. Usando um salto interno nas botas, para compensar a diferença de altura – Prowse mede 2,02m, e Bob tinha 1,85m -, ele criou os movimentos e atuou em uma das cenas mais impactantes do cinema: o duelo entre Luke Skywalker e Darth Vader em O Império Contra-Ataca.
Assista ao mais famoso duelo entre Luke Skywalker e Darth Vader
“Ali, o Mark Hamill [ator que vive Luke] atua como um esgrimista mesmo. Mais atlético, ágil. Com o Darth na defensiva”, observa Henrique Granado, coordenador-geral do Conselho Jedi Rio, associação de fãs cariocas da saga. “Parte da mística da saga vem dos duelos de sabre. O que no primeiro filme [episódio IV] é mais um duelo de samurais, com o diálogo atuando no psicológico dos oponentes, evolui. Na trilogia prequel [A ameaça fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith], a luta é mais kung fu, mais acrobática”, completa.
Inicialmente, a presença de Bob Anderson em cena seria um segredo da produção. Mas em 1983, Mark Hammill tomou uma atitude cavalheiresca digna do personagem que interpreta, e fez justiça a seu professor: "Bob trabalhou duro pra caramba e merece reconhecimento".
Assista a todas as cenas de duelo de sabre da saga Guerra nas Estrelas
No novo filme da franquia, O Despertar da Força, [alerta de spoiler], a cena de luta envolve personagens que não manejam o sabre com técnica. “É uma luta mais suja”, descreve Henrique. Para criar algo assim, não seria necessária a arte de Bob Anderson, que gostava de comparar as cenas de luta a um balé.
A Força está presente nos #JogosParalímpicos! E é tanta que você vai até acreditar que eles tem super poderes! #ODespertarDosJogos
Posted by Rio 2016 on Quinta, 17 de dezembro de 2015