'Transcende o esporte', diz diretor do filme 'Paratodos', sobre altos e baixos de atletas Paralímpicos
Documentário ganha sessões especiais de meia-entrada na terça-feira (21), enquanto estreia oficial acontece na quinta (23)
Documentário ganha sessões especiais de meia-entrada na terça-feira (21), enquanto estreia oficial acontece na quinta (23)
O diretor Marcelo Mesquita filma futebol de 5 em Tóquio (Foto: Divulgação)
“Que silêncio bonito da torcida”. O comentário vem de alguém da equipe brasileira, na final contra a Argentina no Mundial Tóquio 2014. O jogo está prestes a começar, mas por que a torcida silencia? No futebol de 5, é com a colaboração dos espectadores que os jogadores com deficiência visual conseguem ouvir a bola com guizos internos. O placar final é um dos ápices do documentário “Paratodos”, que na terça-feira (21) ganha sessões especiais de meia-entrada em cinemas do Brasil (veja lista ao final do texto).
A estreia oficial acontece na quinta (23), em todo país. O filme também é exibido na rede pública de ensino e deve atingir duas mil escolas e 250 mil alunos.
“Paratodos”, do diretor Marcelo Mesquita, segue atletas Paralímpicos de quatro modalidades em suas jornadas de altos e baixos, muitas vezes não por causa de suas deficiências e sim pelas peculiaridades de cada esporte. Assim, o filme educa quem nunca ouviu falar de futebol de 5 ou paracanoagem, e também mostra os bastidores para quem já é fã.
“Escolhemos filmar em competição. Não queríamos filmar atleta dentro de casa ou em treinamento porque o conflito acontece na hora do vamos ver”, disse Marcelo durante coletiva de imprensa em São Paulo. Ele passou quatro anos no projeto e viajou por seis países com uma equipe enxuta de quatro pessoas. "Não é um filme sobre apenas a questão esportiva, ele transcende o esporte", continua o diretor, que em 2013 lançou “Cidade Cinza”, sobre grafiteiros de São Paulo.
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Coletiva com equipe do filme e atletas protagonistas (Foto: Divulgação)
“Paratodos” estreia a 76 dias dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 e funciona também como um “teaser” pré-competição, já que muitas histórias deixam uma expectativa no ar. Como, por exemplo, o primeiro personagem, o velocista Alan Fonteles, que bateu o favoritíssimo sul-africano Oscar Pistorius nos 200m em Londres 2012, uma imagem que inspirou o diretor a fazer o filme. Alan engordou seis quilos um ano depois e se afastou do esporte, mas voltou, ainda que longe da boa forma, e conquistou medalha de prata no Mundial Catar 2015. O que acontecerá no Rio 2016 paira no ar.
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“Eles vão enfrentar uma pressão tremenda, talvez mais que os atletas Olímpicos”, conta no filme o americano tricampeão Olímpico Michael Johnson, contratado em 2014 para ajudar a equipe brasileira de atletismo. “Isto porque eles são uma das melhores equipes do mundo.”
Terezinha Guilhermina em Londres 2012 (Foto: Getty Images)
A velocista heptacampeã mundial Terezinha Guilhermina é outra que gera curiosidade sobre sua performance no Rio 2016. Na frente das câmeras, ela mostra toda sua fragilidade no Catar, ao ser prejudicada pela lesão na coxa direita de seu guia - deficientes visuais correm acompanhados, uma parceria tão vital que faz a atleta chamar a prova de esporte coletivo. Terezinha, até então dez anos invicta, dá uma entrevista meio mal-humorada e se desculpa depois. “Sou humana. Tenho um monte de qualidades, mas também um monte de defeitos, tenho consciência disto”, diz.
Da natação, Marcelo retrata as trajetórias de Daniel Dias, maior medalhista brasileiro nos Jogos Paralímpicos, e Susana Ribeiro Schnarndorf, pentacampeã brasileira de triatlo que, depois de contrair uma doença degenerativa e ter ouvido dos médicos que não sobreviveria muito tempo, passou a se dedicar ao novo esporte e chegou a Londres 2012.
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No filme, ela luta por uma reclassificação funcional para ter chances reais no Rio 2016. O mesmo acontece com o paracanoísta tetracampeão mundial Fernando Fernandes, ex-modelo e ex-Big Brother, hoje uma potência na modalidade. “Tenho esta doença, não é fácil lidar, não é bom, mas ela me proporcionou coisas que nunca pensei que fosse viver mais”, diz Susana. “Passaria por tudo isto de novo.”
Na terça-feira (23), os seguintes cinemas terão exibição do documentário com ingressos a preço de meia-entrada:
SÃO PAULO
Cinemark - Shopping Cidade São Paulo - 20h30
Cinemark - Shopping Eldorado - 20h30
Belas Artes - Cine Caixa Belas Artes - 21h
Espaço Itaú de Cinema - Shopping Frei Caneca - 21h
Espaço Itaú de Cinema - Shopping Pompéia - 21h
RIO DE JANEIRO
Espaço Itaú de Cinema - Botafogo - 21h
PORTO ALEGRE
Espaço Itaú de Cinema - Bourbon Shopping Country - 21h
SALVADOR
Cinépolis - Sala Bela Vista - horário a confirmar
BRASÍLIA
Espaço Itaú de Cinema - 21h
BELO HORIZONTE
Cineart Shopping Cidade
- horário a confirmar
RIBEIRÃO PRETO - SP
Cinépolis - Sala Santa Ursula - 20h30
MARINGÁ - SP
Cineflix - Shopping Maringá Park – horário a confirmar
SANTO ANDRÉ - SP
Cinema Play Arte - ABC - 20h30
MAUÁ - SP
Araujo Plaza - horário a confirmar
DUQUE DE CAXIAS - RJ
Ponto Cine - horário a confirmar