Número 1 antes e depois: Lena Schöneborn e o novo velho esporte
Campeã olímpica aos 22 anos, alemã fala do início da carreira, da adaptação às novas regras e da expectativa para o Pentatlo Moderno em Londres 2012 e Rio 2016™
Campeã olímpica aos 22 anos, alemã fala do início da carreira, da adaptação às novas regras e da expectativa para o Pentatlo Moderno em Londres 2012 e Rio 2016™
Medalha de ouro na primeira participação em Jogos Olímpicos (Foto: ©Getty Images/Clive Rose)
O Pentatlo Moderno experimentou transformações significativas para o ciclo que culmina com Londres 2012. O topo do pódio feminino, entretanto, é o mesmo. Mudar para continuar como antes é o foco de Lena Schöneborn, atual campeã olímpica e número 1 do ranking mundial neste novo velho esporte, que comemora seu centenário olímpico nos Jogos da Grã-Bretanha.
Prestes a completar 26 anos, a alemã de Berlim busca a segunda medalha de ouro em sua segunda participação no maior evento esportivo do planeta. Seria um feito inédito. Na competição que estreou em Estocolmo 1912 para os homens e só incluiu as mulheres em Sydney 2000, nenhuma delas conseguiu defender sua conquista até hoje.
De passagem pelo Rio de Janeiro, onde disputou uma das etapas da Copa do Mundo de Pentatlo Moderno, realizada no mesmo palco que receberá as provas no Rio 2016™, Schöneborn falou sobre o início da carreira, os impactos das mudanças de regras que modernizaram o esporte e as expectativas para os próximos desafios olímpicos. Confira a entrevista:
Conte um pouco sobre seu início no esporte. É comum que a origem dos pentatletas seja a natação. Foi o seu caso, certo?
Eu era uma nadadora antes. Tive uma família muito ligada ao esporte, todos os tipos de esporte. Quando tinha 14 anos, comecei a praticar um pouco das outras disciplinas, mas ainda estava focada na natação. Primeiro, foi a esgrima. Depois, o tiro. Depois, o hipismo. Só com 15 anos, fui me concentrei mais no Pentatlo.
Qual a melhor forma de incentivar uma criança a praticar o Pentatlo, um esporte complexo e que exige uma série de equipamentos que nem sempre estão acessíveis?
Primeiro de tudo, você pode começar aos poucos. Você não tem que comprar todo o material no início, de uma vez só. Para mim, demorou uns dois ou três anos para ter todo meu equipamento próprio para todos os esportes. É muito importante também que você tenha um bom técnico, que te estimule a treinar e a desenvolver suas habilidades em todas as disciplinas, que incentive e torne as coisas mais divertidas. O esporte pode te levar a muitos lugares interessantes, te permite conhecer muita gente diferente. São muitos os atrativos para os jovens.
Por onde começar?
Acho que é importante apresentar os diversos esportes às crianças, trabalhando com uma variedade deles. Em Londres, por exemplo, você tem clubes que permitem a elas praticar diversos esportes em um mesmo espaço. Apresentam os esportes a cavalo, mas também o atletismo e a natação, por exemplo. Nós, na Alemanha, trabalhamos, no início, com a prática de dois ou três esportes por vez, aumentando conforme a idade. Os jovens vão descobrindo seus talentos em vários esportes, formando uma boa base na natação, que é essencial para o Pentatlo, e assim têm sua oportunidade de se desenvolver.
Com 22 anos, você estreou em Jogos Olímpicos da melhor forma possível. O que mudou depois do ouro em Pequim 2008?
Para mim, foi algo incrível. Muita coisa mudou desde então, especialmente em termos de parceiros e patrocinadores. Agora, posso praticar o esporte profissionalmente. Antes, tinha apenas uma bolsa de estudo e meus pais me ajudavam. Era ótimo também, mas agora consigo os recursos por mim mesma.
Para o novo ciclo olímpico, o esporte experimentou duas mudanças significativas nas regras, com a inclusão da pistola a laser e do evento combinado (Tiro e Atletismo são disputados na mesma prova). Como percebe essa transformação?
Nosso esporte mudou bastante a partir de 2009. Agora, todos precisam começar tudo de novo, aceitar o desafio. E não foram só as regras que mudaram. Passamos a ter pessoas trabalhando com o Marketing e uma equipe de TV cobrindo as etapas da Copa do Mundo, por exemplo. Muitas medidas foram tomadas, é difícil analisá-las separadamente. Com certeza, atraíram muito a atenção da mídia. É uma coisa boa para o esporte.
E pelo lado do atleta, como foi a adaptação?
Para mim, como atleta, as mudanças vieram muito de repente. Não tive a chance de ter um período de adaptação no início. Houve e ainda há alguns tipos de problemas acontecendo aqui e ali. Está melhorando a cada dia, mas ainda estamos progredindo. Algumas vezes, para mim, é frustrante. Por vezes, você se vê em situações em que não sabe se o problema é com você, com seu desempenho, ou com o material. Acho que é muito interessante de assistir agora, mas, para mim, como atleta, ainda existem algumas dificuldades.
Mesmo com essas dificuldades, você terminou 2011 como a número 1 do ranking mundial. Como projeta o caminho até Londres 2012?
Será minha segunda participação em Jogos Olímpicos. Estou com a mente aberta para viver coisas novas e poder comparar. A primeira foi muito impressionante para mim, por tudo que vi em Pequim e, claro, por ter ganho a medalha de ouro logo na estreia! Londres tem um grande desafio pela frente e estou muito curiosa para ver o que eles vão fazer. Acho que a organização britânica é muito detalhista. Isso vai ser ótimo. Encontraremos tudo em perfeitas condições.
A Europa reúne os países mais tradicionais no Pentatlo Moderno...
Todos os ingressos para o Pentatlo Moderno foram vendidos muito rapidamente! Estou realmente ansiosa para ver isso. Muitos europeus viajarão para Londres para acompanhar as competições. Vai ser bom para minha família e meus amigos, que não terão que viajar para tão longe. O único problema será conseguir ingressos (risos).
Você competiu no local que receberá as disputas do Rio 2016™, na região de Deodoro. Para os Jogos, ainda será contruído um estádio temporário, mas o que já pode dizer do espaço e das instalações já existentes?
As instalações são boas. O calor é intenso para nós europeus, mas este não é o ponto. O local aqui é um pouco longe do Centro, mas, com escolta da polícia, levamos algo em torno de 35 minutos de ônibus. Isso é ótimo. Sobre a organização, aqui você encontra pessoas que te dão todo suporte. Não é fácil receber um evento deste nível. As coisas tendem a ser mais difíceis no início. Vão melhorando dia após dia para estarem perfeitas no fim. O importante é que aqui as pessoas querem ajudar. Além disso, os brasileiros torcem para todo mundo! Isso é incrível! É isso que precisamos para os Jogos Olímpicos.
De que forma os Jogos Olímpicos podem auxiliar o desenvolvimento do Pentatlo Moderno no Brasil e na América do Sul?
Você consegue isso com a comunicação certa. É um grande desafio aumentar a atenção do público para este tipo de esporte, que chama atenção apenas de quatro em quatro anos, durante os Jogos Olímpicos. É uma chance muito boa, muito importante. O Pentatlo precisa tirar o máximo que puder disso. Com certeza, competições como a Copa do Mundo, que teve uma etapa aqui em 2012, são uma preparação. Apresentam o esporte para o público local como algo que pode ser interessante para praticar e, claro, interessante de assistir em 2016.