No barco, quem vai na ponta, quem vai atrás? Na canoagem slalom, um acelera e o outro pilota
E como sincronia é fundamental, várias duplas de irmãos participaram do evento-teste para os Jogos Olímpicos Rio 2016
E como sincronia é fundamental, várias duplas de irmãos participaram do evento-teste para os Jogos Olímpicos Rio 2016
Os irmãos eslovacos Ladislav (à direita) e Peter Skantar vieram de -10 graus para o calor do Rio (Rio 2016/Paulo Múmia)
Se para os atletas de barcos individuais, com mínimo de 3,50 m de comprimento, já não é fácil passar pelas “portas” nas corredeiras da canoagem slalom – descendo ou vindo contra as corredeiras a toda velocidade –, para os barcos duplos da C2, com mínimo de 4,10 m, força e equilíbrio, além da sincronia, são determinantes. Ainda mais em uma pista como a do Circuito Olímpico de Canoagem Slalom, em Deodoro, que abrigou neste domingo (29) as finais do Desafio Internacional evento-teste para os Jogos Rio 2016.
Curiosamente, várias das duplas são formadas por irmãos. No evento-teste, das 22 duplas da C2, cinco tinham irmãos no mesmo barco – e pelo menos três delas eram de gêmeos.
O Brasil ainda teve os gêmeos Welton e Wallan de Carvalho, de 18 anos, testando cada trecho da pista para os competidores, antes das provas (como demo runners), e também descendo para testes de cronometragem, basicamente (como forerunners).
Quem vai na frente e quem vai atrás? Formados no projeto Meninos do Lago de Foz de Iguaçu, no Paraná, os gêmeos brasileiros pensam e afirmam que a decisão aconteceu de forma absolutamente natural, quando entraram no barco, ainda moleques, com Welton na frente e Wallan atrás – e assim seguiram no esporte.
Saiba o que fazem os irmãos gêmeos brasileiros, como demo runners e forerunners
Wallan diz que quem vai atrás “guia mais o barco, endireita para entrar na porta”; e quem vai na frente “dá mais velocidade ao barco, vai na força”. Welton observa que quem vai na frente, além da velocidade, “dá o ritmo e a frequência das remadas”.
Wallan reflete mais um pouco e sorri, quando acha o jeito de explicar: “Quem vai na frente é o motor; quem vai atrás é o volante. Precisa dos dois funcionando juntos, porque senão o 'carro' não anda”.
Wallan de Carvalho, atleta da canoagem slalom
Mais tranquilo que o irmão, Wallan acrescenta que o equilíbrio é o mais importante na prova C2. “Como o barco é maior, é preciso muita inclinação para a gente conseguir passar bem pelas portas, com velocidade".
Quanto a ser irmãos, Welton diz que facilita muito: “Com certeza, porque a gente está o tempo todo junto, conversando. É totalmente mais fácil. Até para mantermos uma alimentação adequada”.

Os gêmeos russos Anton e Artem Ushakov, de 25 anos – que vieram de dez graus abaixo de zero para o calor de Deodoro -, remam em dupla desde os 15 anos. É Anton quem vai à frente e assim foi “porque o técnico decidiu”. O russo também destaca que sua função tem mais a ver com velocidade.
Outros dois que despencaram do frio europeu para o Rio foram os irmãos eslovacos Ladislav, 32 anos, e Peter Skantar, 33, campeões mundiais de C2 em La Seu d’Urgell 2009, na Espanha. Ladislav, mais alto, com 1,93 m, vai à frente; o irmão, 1,78 m, vai atrás. Quem decidiu foi o pai, Lubomir, quando os dois começaram, com oito e nove anos de idade.
“Não, não fiquei na frente porque era mais alto. A gente tinha o mesmo tamanho!”, brinca Ladislav. “Acho que foi porque eu era mais forte”, imagina Peter. “Mas eu sou canhoto!”, lembra Ladislav, imaginando se facilitaria para ele ir à frente.
De toda forma, sincronia é a chave na C2. E mais ainda em uma pista que exige muito do físico e também muito foco nas descidas, como todos os atletas destacaram no evento-teste da canoagem slalom para os Jogos Olímpicos Rio 2016.
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