Museu do Amanhã: o legado já é
Com esporte no DNA inspirador, espaço inaugurado marca revitalização impulsionada pelos Jogos Rio 2016
Com esporte no DNA inspirador, espaço inaugurado marca revitalização impulsionada pelos Jogos Rio 2016
O Museu do Amanhã chega como um dos símbolos da revitalização do Centro do Rio (Rio 2016/Daniel Ramalho)
Texto: Thiago Minete
Nem só de arenas esportivas são feitos os Jogos Olímpicos. Aproveitar as oportunidades de desenvolvimento e deixar legados são preocupações fundamentais do Rio 2016. Nesta quinta-feira (17), mais que um marco de modernização, a inauguração do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, concretiza: a menos de sete meses do começo do maior evento esportivo do mundo, o futuro já chegou à cidade.
Santiago Calatrava, espanhol, autor do projeto arquitetônico do Museu do Amanhã
O Museu do Amanhã impressiona tanto pela grandiosidade como pela suavidade. As estruturas de ângulos improváveis contrastam com curvas surpreendentes – e a predominância da cor branca confere ao local uma leveza quase que sobrenatural. Autor de renomadas obras pelo mundo – inclusive o estádio Olímpico de Atenas –, o espanhol buscou inspiração em diversos aspectos do Rio de Janeiro. E o esporte, claro, não poderia ter ficado de fora do inspirador DNA da cidade.

“O esporte é uma inspiração, é uma coisa extraordinária. É algo saudável, educativo, jamais prejudica. É um dos instrumentos mais antigos que existem para educar, sobretudo os jovens. E é também um grande gerador de beleza. Basta ver, por exemplo, os 100m rasos, a ginástica, ou a intensidade e da emoção de ver duas equipes competir”, disse.
A forma, os ângulos pouco convencionais, a tecnologia sensorial... tudo foi pensado para apontar para o futuro, com objetivo de causar impacto nos visitantes. A proposta do museu é que ninguém saia dali indiferente.
Para Calatrava, é muito importante que todo o entorno esteja integrado ao museu. No Rio, ele encontrou um ambiente com um grande leque de opções para seu projeto. “O Dedo de Deus, a baía de Guanabara, as plantas aqui instaladas, típicas da Mata Atlântica... tudo interage com a cidade como um todo, com seus moradores e sua geografia”, disse.
Encantado com o Rio e apaixonado por esqui, escalada e ex-praticante de vela, Calatrava afirma que estará no Rio para acompanhar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos no ano que vem. E já sabe o que quer assistir:
“Quero ver a final dos 100m! É uma grande emoção. Muito curta, pouco mais de 9s, mas extraordinária!”.
Conheça o Museu do Amanhã e faça um tour virtual pelas instalações preparado por O Globo
A inauguração do Museu do Amanhã é um marco de revitalização do centro do Rio de Janeiro. Chegando a bordo do novíssimo VLT (veículo leve sobre trilhos) , a presidente da República Dilma Rousseff, o governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Eduardo Paes enfatizaram a importância histórica do lolcal e os frutos que serão deixados para o amanhã.
“Os Jogos Olímpicos são uma alavanca de transformação para a cidade, e a Praça Mauá é um grande símbolo disso”, afirmou o prefeito, voltando-se também ao museu do outro lado da praça, o MAR (Museu de Arte do Rio).

Após uma breve visita à exposição do museu, autoridades políticas e personalidades da cultura carioca (como Fernando Meirelles e Vik Muniz, líderes de cerimônia Rio 2016, e o jornalista Marcelo Tas) se acomodaram no auditório do museu – também moderno, em formato oval e ornamentado com estruturas verticais nas paredes – para os discursos de inauguração. Agradecimentos, bom humor e discursos sobre a importância do legado para a população carioca marcaram as falas da cerimônia.
“O prefeito estava certo quando dizia que o Rio estava de costas para o que tinha de mais bonito”, lembrou a presidente Dilma Rousseff. Ela lamentou não poder ter ficado todo o tempo que queria nas exposições do museu, devido á pressa do prefeito Eduardo Paes. “Vamos logo, vamos embora, temos uma inauguração a fazer”, reproduziu, sorrindo, o que ouviu do prefeito.
Caraca, que boné maneiro #MuseuDoAmanha
Posted by Marcelo Tas on Thursday, 17 December 2015
A cerimônia foi seguida por um breve coquetel para convidados e trabalhadores da construção do museu, realizado no lado externo. Nada mais justo para quem ajudou a erguer uma estrutura de 55 mil toneladas de concreto, 4,3 milhões de kg de metal, 76 mil litros de tinta – em 20m de altura e 338m de comprimento.
“Ver o museu pronto e sendo inaugurado por tanta gente importante é muito gratificante. Pegamos pesado de verdade, mas é uma grande honra ver tudo pronto e tão bonito agora”, disse o operário Evandro Pereira, de 35 anos, um dos responsáveis pelas instalações elétricas do museu. Assim como seu colega Marcos Antônio Natividade, que não vai demorar muito a voltar para a obra que ajudou a erguer: “Vou trazer minha família toda aqui para conhecer nosso trabalho, com certeza”.
