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Um mundo novo

Movimento Paralímpico vai pra galera

Por Rio 2016

No Pan, Brasil foi primeiro lugar disparado. Nos Jogos Rio 2016, o objetivo é ficar entre os cinco melhores

Movimento Paralímpico vai pra galera

Felipe Gomes e o guia Leonardo Lopes, após vencer os 200m na classe T11, em Londres 2012 (Getty Images/Scott Heavey)

Rio2016.com quis saber por que, apesar do alto rendimento dos atletas Paralímpicos brasileiros em competições internacionais, ainda há no Brasil uma certa resistência dos amantes do esporte em relação aos Jogos Paralímpicos. Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), enumerou no artigo a seguir como o movimento está vencendo essa resistência.
 
"O Brasil vitorioso, referência internacional, que chama a atenção pelo seu planejamento, competência e resultados, sem abrir mão da alegria e da emoção que nos une e nos identifica, é real. Ele já existe e estará em exibição daqui a pouco mais de sete meses no Rio de Janeiro. O Brasil Paralímpico é um Brasil que vence, que supera os obstáculos do esporte e os da vida, que muda o impossível e nos enche de orgulho.

Nosso país é uma potência no esporte Paralímpico, está entre os dez primeiros lugares do quadro de medalhas desde os Jogos de Pequim em 2008. Na verdade, naquele ano nós terminamos em nono lugar. Em Londres 2012, o Brasil foi o sétimo do quadro de medalhas. Para o Rio, no ano que vem, nossa meta é um inédito quinto lugar. Chegar a este objetivo significa ter que superar ninguém menos do que Estados Unidos e Austrália, que ficaram à nossa frente em 2012.

"Não podemos ter vergonha de dizer que estamos, sim, entre os melhores"

Você já sonhou ver atletas brasileiros ocupando todos os lugares do pódio na maior competição do mundo? Isso já aconteceu nos Jogos Paralímpicos, e não foi em qualquer prova. Em Londres, tivemos um pódio triplo brasileiro na final dos 100m feminino da classe T11. Um pódio não com três, mas seis brasileiros pois os atletas cegos correm acompanhados de guias. Ouro para Terezinha Guilhermina, ao lado do guia Guilherme Santana; prata para Jerusa Geber, acompanhada de Leonardo Lopes; e bronze para Jhulia Karol dos Santos, tendo Fábio Dias ao seu lado. Foi um dia histórico, inesquecível para quem teve a chance de acompanhar de perto. A boa notícia é que momentos como este nunca estiveram tão próximos da gente.

Terezinha Guilhermina, corredora cega

Terezinha Guilhermina e o guia Guilherme Santana também ganharam o ouro nos 200m T11 (Foto: Getty Images/Mike Ehrmann)

Os ingressos para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 estão à venda. Modalidades como bocha e esgrima em cadeira de rodas, em que temos campeões Paralímpicos como Dirceu Pinto e Jovane Guissone, respectivamente, têm ingressos a R$ 10. Vai dizer que você não sabia que o Brasil tem um melhor do mundo na esgrima? Por esse mesmo preço, você também pode assistir a uma partida da seleção brasileira de goalball, modalidade exclusivamente paralímpica e disputada por atletas cegos em que o Brasil é campeão mundial no masculino.

Torcer pela velocista cega mais rápida da história, a Terezinha Guilhermina, custa a partir de R$ 20. Por R$ 40, você pode assistir ao maior medalhista da história do esporte brasileiro, o nadador Daniel Dias. Quem sabe você não verá um recorde mundial dele dentro de casa? Esse ano, no Mundial de Natação na Escócia, Daniel Dias ganhou sete medalhas de ouro. No Parapan de Toronto, menos de um mês depois, ele levou outras oito medalhas de ouro. Lembrando que pessoas com deficiência e pessoas acima de 60 anos têm direito ao desconto de meia-entrada em todas as categorias de ingressos. Estudantes e professores da rede municipal de ensino do Rio têm direito à meia-entrada na categoria de preços mais acessíveis em todas as sessões.

Futebol em dose dupla

Os Jogos Paralímpicos são tão incríveis que têm até duas versões do esporte mais popular do planeta. No Rio, você vai poder ver o futebol de 5, para jogadores cegos, e o futebol de 7, para atletas com paralisia cerebral. No futebol de 7, o Brasil tem uma equipe jovem que vai lutar pelo ouro lá em Deodoro. No Mundial disputado esse ano, na Inglaterra, ficamos com a medalha de bronze. No Rio de Janeiro estão os principais nomes da seleção, que vão se sentir mais do que em casa com o apoio da torcida.

No futebol de 5, ninguém é melhor do que o Brasil. Somos tricampeões Paralímpicos, tetracampeões mundiais e temos os dois melhores jogadores do mundo, Ricardinho e Jefinho. Dois craques cegos, que, pelas regras da modalidade, jogam vendados e que fazem golaços contra goleiros que enxergam. E adivinha quem é o maior rival do Brasil no futebol de 5? A Argentina. Na final do último Mundial, disputado no Japão, no ano passado, a seleção brasileira venceu por 1 a 0 na prorrogação. Se um momento como este se repetir no Rio, prepare seu coração. Como os jogadores são guiados pelo som de uma bola com guizo, os torcedores precisam fazer silêncio. É incrível.

"Para alguns, o esporte paralímpico talvez seja novidade. Não há oportunidade melhor para conhecer as modalidades e os atletas do que aqui, dentro da nossa própria casa"

Há atletas brasileiros saídos de diferentes cantos do país e tendo em comum, além da nacionalidade, o fato de serem vitoriosos. Um piauiense, como o canoísta Luis Carlos Cardoso, e uma sul-mato-grossense, como a saltadora Silvania Costa, ambos campeões mundiais e que no dia 9 de dezembro foram eleitos os melhores do ano no Prêmio Paralímpicos, realizado no Rio. Um paraense, como o velocista Alan Fonteles, ou uma potiguar, como a nadadora Joana Neves... Heróis não faltam.

Como dizia o vídeo da campanha lançada pelo Rio 2016, quando você vê um atleta Paralímpico de perto não dá pra explicar. Tem que ir. Não perca essa chance. O Brasil que dá certo agradece."

Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro

Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), no lançamento da tocha Paralímpica (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

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No vídeo, o nadador Daniel Dias, o maior medalhista brasileiro nos Jogos: