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Um mundo novo

Maracanã guarda bunker com segredos da cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016

Por Fernanda Ezabella

Diretores criativos Vik Muniz e Marcelo Rubens Paiva falam sobre samba, tecnologia e desafios da festa no dia 7 de setembro

Maracanã guarda bunker com segredos da cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016

Alguns dos itens que serão usados na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos (foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Pelos corredores do estádio do Maracanã, um bunker foi formado para os mais de 400 funcionários que trabalham nas cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. São dezenas de fileiras de mesas coletivas, gente falando inglês e português, além de seguranças de olho em quem entra e sai, protegendo alguns dos segredos mais cobiçados do Rio 2016.

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Um abacaxi e um sutiã tomara-que-cai, ambos de papel branco, descansam na mesa de um designer do show Paralímpico, enquanto a tela de computador de outro profissional mostra a cena de uma coreografia de massa feita no escuro. Numa sala trancada a chave, uma maquete do Maracanã é usada para testar projeções. Mas logo chegam os diretores criativos da abertura Paralímpica, e a reportagem interrompe a bisbilhotice.

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Bunker no Maracanã esconde os segredos das cerimônias dos Jogos Rio 2016 (foto: Fernanda Ezabella)

"O convívio aqui tem sido uma troca muito rica", diz Flavio Machado, produtor executivo das cerimônias Paralímpicas, acrescentando que 20% das pessoas são estrangeiras e com experiências diversas em eventos de grande porte. "Temos os melhores profissionais do mundo, de pirotecnia, de projeção, gente que já fez mais de dez cerimônias, que sabe o que pode dar errado. É um aprendizado que vai ficar com a equipe brasileira, é legado."

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Alguém vai ficar com inveja

O artista plástico Vik Muniz é um dos diretores criativos ao lado do escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva e do designer Fred Gelli. Para ele, a abertura Paralímpica é mais livre para inventar e não tem obrigações de contar a história do Rio ou do Brasil, como a Olímpica. “O que teremos com frequência na cerimônia é uma mescla de deficientes e não deficientes, e você não vai ser capaz de identificar quem é quem”, explica. “Temos uma responsabilidade de amenizar este estigma de o esporte Paralímpico ser uma alternativa ao esporte Olímpico. Não é. Na real, vai ser muito mais interessante, e eles do Olímpico vão ficar com uma inveja danada.”

Da esquerda para direita, Marcelo Rubens Paiva, Fred Gelli e Vik Muniz (foto: Getty Images)

Um dos poucos trechos revelados do show de quase três horas é uma roda de samba formada por Maria Rita, Monarco, Diogo Nogueira e outros. O segmento intimista virá depois de uma apoteose inicial de quase quatro minutos. Marcelo explica que o sambinha faz parte de uma homenagem à invenção da roda. “É uma das criações mais brilhantes da humanidade e uma necessidade de grande parte da comunidade de deficientes para se locomover e praticar esportes”, diz Marcelo. “E quando pensamos no segmento de roda, logo veio a ideia de uma roda de samba, que é a alma carioca.”

Mistura de Las Vegas, Broadway e ópera, a cerimônia terá também um pouco de MIT, um dos centros mais avançados de tecnologia do mundo, em Cambridge (Massachusetts, EUA). Vik visitou os laboratórios de lá algumas vezes e criou um segmento inteiro que lida com percepção visual, com ajuda do designer e artista brasileiro Marcelo Coelho. “Ele desenvolveu um equipamento que será usado numa coreografia de massa com 400 pessoas. Vai ser um grande efeito visual”, diz Vik.

Mas e o tal do abacaxi?

Marcelo, 57 anos e cadeirante desde os 20 anos, conta que sua principal preocupação era fugir da “pieguice”. “Tem muito espetáculo com deficientes que é cafona. O nosso, não. É de altíssimo nível e bom gosto. E não vamos expor nenhuma pessoa ao arquétipo do super heroi, como aconteceu na Rússia”, diz. “Porque o deficiente não é um super heroi, é um cara que está tentando sobreviver como todo mundo. Não vai ter nada forçado.”

Vik, cujo estúdio no Rio de Janeiro virou sede dos encontros dos diretores, acredita que a performance dos atletas brasileiros ajudará na autoestima nacional. “O momento atual é tão complicado, política e socialmente, que vai ser incrível ver um número de pessoas que a gente não esperaria levando o país para frente, demonstrando uma força que a gente não acreditava ter”, diz Vik, lembrando que o Brasil é uma das potências dos Jogos e ficou na sétima posição no quadro de medalhas em Londres 2012.

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Já quanto aos objetos misteriosos em cima da mesa, eles desconversam. “O que o abacaxi tem a ver com o sutiã? Isto só pra quem for à abertura”, provoca Vik. E Marcelo completa: “É o Rio representado. O abacaxi a gente descasca. O sutiã a gente admira. Ou tira, né?”