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Um mundo novo

Manu Dibango aposta na 'magia' e na diversidade como diferenciais do Rio 2016

Por Rio 2016

Lenda da música africana visita a cidade para selar parceria entre o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e entidade de francofonia

Manu Dibango aposta na 'magia' e na diversidade como diferenciais do Rio 2016

Manu Dibango, um mestre da música sem fronteiras, confia no sucesso dos Jogos Rio 2016 (Rio 2016/Alex Ferro)

Texto: Pedro Só

 

"Que le meilleur gagne" ("que vença o melhor"), resume, em bom francês, o saxofonista Emmanuel Dibango, nascido em Douala, na República dos Camarões, há 82 anos. No terraço do hotel em que está hospedado em Copacabana, o autor do hit mundial "Soul Makossa" fala de modo otimista sobre os Jogos Olímpicos Rio 2016 e aposta na "magia" da cidade que o encantou em 1960, ao assistir ao filme "Orfeu do Carnaval", de Marcel Camus (Palma de Ouro no festival de Cannes e Oscar de Melhor Filme em língua estrangeira). "Não existe risco zero, mas creio que estes Jogos Olímpicos, e depois, os Jogos Paralímpicos, vão ser um marco. A magia vai funcionar e o esporte vai falar mais alto", avalia o músico, nomeado Grande Testemunha da Francofonia para os Jogos Olímpicos Rio 2016.

À espera do inesperado com Hermeto Pascoal

Manu Dibango, como é conhecido globalmente (como figura legendária da música africana, seja em vertentes pop, funky ou jazzísticas), participa de um show nesta quinta-feira (17) às 21h, na Maison – Espaço Cultural do Consulado da França no Rio de Janeiro, com o baixista Arthur Maia e a cantora Valerie Lu. Nesta sexta (18), às 10h,  vai tocar com Hermeto Pascoal e outros músicos brasileiros no Jardim Botânico, em evento fechado que celebra a parceria entre o Comitê Organizador Rio 2016 e  a Organização Internacional da Francofonia. "Não sei muito o que esperar do Hermeto. Conheço sua música e sei que ele tem esse jeito meio assim (faz gestos agitados com as mãos), mas gosto de interagir com pessoas de formações diferentes, ideias diferentes. O Brasil tem essa diversidade que torna tudo mais interessante, tanto na música quanto no clima de um evento esportivo", elogia.

Confira como foi a visita de Manu Dibango ao Rio 2016, em novembro

Samba antes da bossa nova, nos cabarés belgas

Dibango é um exemplo de cidadão multicultural: com pai e mãe de etnias diferentes( ele, yabassi; ela, douala), só foi aprender formalmente o idioma francês (que sua mãe não falava) aos 8 anos, quando foi enviado para "a escola dos brancos". Foi tentar a sorte na França aos 15, levando pouca coisa além da roupa do corpo e três quilos de café (vem daí o nome de sua autobiografia, "Trois Kilos du Café"). Os estudos perderam para o jazz de Louis Armstrong e Sidney Bechet, e o jovem Manu se tornou músico profissional, tocando em boates e cabarés. "Foi aí que conheci a música brasileira, antes da bossa nova e do filme 'Orfeu'. Como samba, como música de festa, que os europeus já apreciavam", lembra.

Rumba congolesa e twist no retorno à África

Depois de estabelecido em Bruxelas, na Bélgica, com a banda Anges Noirs, ele voltou à África, para morar no Congo Belga (hoje República Democrática do Congo), a convite de Joseph Kabaselé, mais conhecido como Le Grande Kallé (1950-1983), cantor e band-leader considerado fundamental para a história da música africana moderna. Além de tocar com Kallé e o grupo African Jazz, lançou-se em carreira solo, emplacando até um twist de sucesso, "Twist à Léo". "Fui para passar um mês, em 1951, e fiquei dois anos. Queria aprender a tocar a rumba congolesa. Quando me interessei por música jamaicana, fiz um disco na Jamaica ("Gone Clear", de 1980), com os músicos de lá. Eu procuro sempre fazer assim."

"A melhor forma de aprender a música de um país é ir ao país. Aprender com os músicos, observar os acentos, o ritmo. E também ver as pessoas dançando, isso faz diferença"

 

Sucesso acidental

Depois da temporada em Léopoldville (hoje chamada Kinshasa), Manu tentou morar em Camarões, mas não ficou nem um ano. Sua boate faliu e ele teve de recomeçar a carreira na França, como músico da orquestra de Dick Rivers e, depois de Nino Ferrer. A carreira solo foi retomada a partir de 1969, e foi lhe abrindo portas novamente no continente africano. Até que, em 1972, veio "Soul Makossa", lado B de um disco voltado para o mercado de Camarões que acabou estourando nos Estados Unidos e no resto do mundo. No ano seguinte, Manu estava tocando no Olympia, em Paris, e no Apollo, em Nova York, reduto dos grandes ídolos da música negra americana.

A partir daí, sua carreira deslanchou e vieram incursões por diversos gêneros, novas aventuras internacionais (quatro anos na Costa do Marfim, discos com músicos de Gana e da Nigéria) e inovações como "Electric Africa" (de 1985). Em dezembro de 2015, Manu voltou a ser celebrado no teatro Apollo de Nova York, como astro principal de  Je Suis Soul: A Salute To French And African Jazz And Soul. Antes disso, em milênios diferentes, pop stars como Michael Jackson e Rihanna se utilizaram de "Soul Makossa" sem dar o devido crédito, e pagaram por isso, depois de processos judiciais. Na entrevista a seguir, Manu comenta com bom humor sobre o fato e conta um pouco do que aprendeu ao longo de sete décadas como músico.

 

 

O seu maior sucesso, “Soul Makossa”, era o lado B de uma canção feita para incentivar a seleção de futebol de Camarões. Conte um pouco mais da sua história com música associada ao esporte.

Sim, o futebol me fez famoso, mas não por jogar (risos). Era um lado B mesmo, de um compacto de vinil, a outra face de um disco, essa coisa que hoje as pessoas não compram mais, os mais novos nem associam música a isso. A face A era a mais importante. Eu compus o que seria um hino para a oitava Copa Africana das Nações, em 1972. Nós perdemos (Camarões foi derrotado pela República Popular do Congo na semifinal e teve de se contentar com o terceiro lugar), mas o lado B cumpriu seu destino, as pessoas o elegeram como hit nos Estados Unidos e no resto do mundo.

Depois deste fracasso/sucesso, não fiz mais música voltada para o esporte. Preferi explorar outros campos. Mas adoro muitos esportes. No tênis, um dos meus favoritos, gostava daquele brasileiro que teve ótima carreira nos anos 90, Guga. O tênis hoje é um pouco físico demais para o meu gosto, prefiro estilos mais artísticos. Mas há bons jogadores, claro. E jogadoras, com alma e graça!

Como você se sente sendo creditado como um dos pais da discothèque, a disco music?

Cada músico tem sua visão de gênero – muitos preferem não pensar em termos de classificação. Sei que algumas pessoas dizem que fui pai da disco music, mas, se isso é verdade, na hora, pelo menos, eu não sabia disso. (risos) Eu estava tocando minha música, movido pela emoção, por inspiração. Mas essa cultura chegou e foi um bom momento, sempre vi muita dignidade na música feita para dançar.

Michael Jackson, em “Wanna Be Startin’ Somethin'” (incluída no álbum best-seller "Thriller", de 1983) e Rihanna (em 2007, no hit “Please Don’t Stop the Music”) usaram trechos de “Soul Makossa” sem autorização, mas acabaram sendo obrigados judicialmente a lhe dar crédito – e pagar. Você já recebeu tudo que devia? Como se sente?

Pois é, a Rihanna também não creditou...  Mais de vinte anos depois do Michael Jackson, um grande artista que sempre respeitei e admirei, ainda tem gente que não me credita. A minha música virou um standard, mas isso não quer dizer que não tenha um autor. Mas para isso temos os advogados. Eles trabalham para isso (risos). Eu tenho a tendência a ouvir o que já escutei antes na minha vida. Não estou mais por dentro da música dos jovens.

De que maneira você acha que o Rio pode contribuir à festa dos Jogos Olímpicos?

Vocês sabem organizar festas e competições. Têm estadios para grandes capacidades, têm o Maracanã, um cenário magnífico. As coisas podem estar difíceis, mas quando se aproxima o evento, as pessoas se concentram e vibram.

"Quero ver quando os times brasileiros e os atletas africanos entrarem em ação. Todo mundo vai se motivar. Há uma magia que supera tudo"

Esperamos que nada saia errado, né? Não existe risco zero. Mas creio que estes Jogos Olímpicos e, depois, os Jogos Paralímpicos, vão ser um marco. A magia vai funcionar, como vimos na Copa do Mundo da França, em 1998. Antes dela, também houve momentos de crise e questionamento.

Estes serão os primeiros Jogos Olímpicos realizados na América do Sul. Quando você acha que um país da África vai sediar uma edição dos Jogos Olímpicos?

Ah, nós já tivemos a Copa do Mundo na África do Sul em 2010, com sucesso. Acho que um evento desses poderia acontecer, tanto na África do Sul como em outros países do continente. Eu estive em duas Copas Africanas das Nações, em tempos diferentes, em 1964, quando ainda tinha outro nome, e em 1972. A cada quatro anos, um país africano organiza uma grande competição de futebol. É claro que a escala é diferente, mas acho que os Jogos Olímpicos podem acontecer no continente em um futuro não muito distante.

 

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