Investment grade beneficia candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos de 2016
O analista de investimentos Alan Cardoso avalia os efeitos da nova classificação para a economia brasileira
O analista de investimentos Alan Cardoso avalia os efeitos da nova classificação para a economia brasileira
A elevação do grau de classificação do Brasil anunciada pela Standard & Poor´s (S&P) em abril é mais do que um bom sinal para a economia brasileira. De acordo com Alan Cardoso, analista de investimentos do Banco Prosper, trata-se de um momento histórico. Em entrevista ao site Rio 2016, ele conta como os efeitos do investment grade - uma espécie de selo de qualidade -, podem ser positivos e importantes para a candidatura aos Jogos Olímpicos. Para o especialista, todos os indicadores que representarem estabilidade serão observados com interesse pela comunidade internacional, pois significam tranqüilidade e segurança para investimentos. O cenário institucional brasileiro, que evoluiu de forma incontestável nos últimos anos, hoje apresenta índices extremamente favoráveis. A implantação do Plano Real e a introdução da nova moeda, na década de 1990, foram o ponto de partida para a mudança. O controle da inflação permitiu a realização de planejamentos de longo prazo e a viabilização de estratégias empresariais sólidas. Veja os detalhes a seguir:
Quais as principais razões que fizeram o Brasil alcançar o atual estágio econômico e a classificação de investment grade?
Devemos ressaltar uma série de fatores, entre eles a estabilidade macroeconômica, o histórico de continuidade política, a independência operacional do Banco Central e o amadurecimento do mercado de capitais. Tudo isso garante ao Brasil uma posição confortável e um crescimento significativo, mesmo diante de turbulências internacionais.
Onde podemos identificar o ponto de partida deste cenário?
Na implantação do Plano Real e na introdução da nova moeda, em 1994. A inflação, até então, assustava investidores internacionais e dificultava qualquer tipo de planejamento. Agora, e há quase 15 anos, os índices estão inteiramente controlados.
O que representa, na prática, a mudança anunciada pela S&P?
Representa a garantia de que o país tem condições de pagar sua dívida soberana, o que dá tranqüilidade para o investidor internacional. Ou seja, ele percebe que existe capacidade de cumprir compromissos, maturidade - com a permanência do modelo econômico - e crescimento da economia com ambiente estável.
A postura do Brasil diante da crise americana teve impacto na decisão da agência?
Certamente. Estamos conseguindo enfrentar bem os problemas dos Estados Unidos e o reflexo disso no mundo. Não há dúvidas de que é um teste de resistência para a nossa economia.
Seria possível afirmar que o investment grade ajudará a candidatura Rio 2016?
Claro, com certeza. Mais do que tudo, a elevação do grau de classificação do país é uma espécie de selo de qualidade. Isso assegura um nível de solidez da economia que permite fazer investimentos de longo prazo com tranqüilidade.
A situação da dívida externa brasileira contribuiu para a estabilidade?
Também. A dívida externa líquida tornou-se negativa com o crescimento das reservas cambiais. Isso quer dizer que o Brasil tem dinheiro para cumprir o pagamento, se quiser. Em outras palavras, os ativos em moeda estrangeira são suficientes para honrar toda a dívida pública externa.
Podemos esperar mudanças no cenário econômico brasileiro?
Não acreditamos em grandes mudanças imediatas. O investment grade é mais um fator de desenvolvimento econômico aliado a excelentes circunstâncias do mercado interno e forte demanda do mercado internacional. A classificação obtida solidifica a posição do Brasil como um excelente destino para os investimentos de longo prazo.