Holandesas tentam manter hegemonia no tênis em cadeira de rodas no Rio 2016™
Elas conquistaram ouro, prata e bronze nas simples, além de ouro e prata nas duplas em Londres. Jovem Natália Mayara é esperança brasileira
Elas conquistaram ouro, prata e bronze nas simples, além de ouro e prata nas duplas em Londres. Jovem Natália Mayara é esperança brasileira
As holandesas dominam o tênis em cadeira de rodas mundial (IPC/Evgeniya Bocharnikova)
A Holanda domina o tênis em cadeira de rodas feminino. Ouro e prata em simples e em duplas nos Jogos Paralímpicos Pequim 2008, as mulheres holandesas foram ainda melhores em Londres 2012. Sob o comando de Esther Vergeer, tetracampeã Paralímpica em simples (2000 a 2012) e dona de quatro medalhas em duplas (ouro em 2000, 2004 e 2012 e prata em 2008), a Holanda mantém a hegemonia no esporte e vê surgir novos talentos a cada edição dos Jogos.
Em Londres, Vergeer derrotou a jovem Aniek van Koot, de 22 anos, na decisão. No início desse ano, após alcançar todas as glórias possíveis dentro de quadra, ela encerrou a carreira prematuramente para se dedicar com exclusividade em outra missão: ajudar jovens com deficiência e promover os valores Paralímpicos, que incluem coragem, determinação, inspiração e igualidade.
“Meu tempo como atleta foi ótimo. Praticar esportes, estar ativa, competitiva, fazer o melhor que eu podia fazer foi sempre muito bom. Descobri quem eu sou e o que sou capaz de fazer. Focar nas minhas habilidades em vez das minhas deficiências. Agora eu criei um lugar na sociedade onde me encontro feliz e confortável. Estou devolvendo às pessoas tudo o que elas tanto me deram”, disse a ex-atleta de 31 anos, em entrevista exclusiva ao site rio2016.com.
No momento, a maior tenista em cadeira de rodas de todos os tempos, com a incrível marca de 700 vitórias e 25 derrotas, além de 148 títulos, foca a atenção para a Fundação Esther Vergeer. Organizar atividades esportivas e levar o esporte para crianças e jovens com deficiência são alguns dos seus objetivos.
“Temos que fazer o mundo acordar para a urgência e relevância do esporte para todos. Destaco o efeito positivo que traz para a saúde, desenvolvimento social e inclusão na sociedade”, afirmou Vergees, que ainda não conhece o Rio de Janeiro. “Realmente espero ter a chance de visitar a cidade em 2016 e fazer alguma coisa pelos atletas que competirão nos Jogos”.
Se Vergeer deverá contribuir e muito com a próxima edição dos Jogos Paralímpicos fora das quadras, a jovem Aniek van Koot poderá mostrar seu talento dentro delas. Em Londres, ela fez sua estreia nos Jogos e só guarda boas recordações do que chamou de competição mais excitante, emocional e excepcionalmente linda.
“Vai ser muito difícil superar a incrível atmosfera criada nos Jogos de Londres, mas eu tenho certeza que os brasileiros mostrarão uma vibração extra. Darão mais que 200%. Desejo ao Brasil tudo de melhor nessa preparação para 2016”, disse van Koot, que guarda a medalha de prata conquistada em Londres na casa dos pais e no Natal passado a colocou no topo da árvore colocada no centro da sala da família. “Pensei: essa é a decoração mais bonita que você podia colocar na árvore Aniek”.

Natália estreou em Jogos Paralímpicos aos 18 anos e vê mais investimentos no esporte para atingir o seu sonho: disputar e, se possível, subir no pódio no Rio 2016™ (Foto: Arquivo pessoal)
Natália Mayara é esperança brasileira
Apesar de dominar o pódio em diversos esportes Paralímpicos, o Brasil ainda busca a primeira medalha no tênis em cadeira de rodas. Em Londres, a jovem Natália Mayara se tornou a primeira mulher a defender o país em uma edição dos Jogos, mas deu azar de encarar a número 3 do mundo, a também holandesa Jiske Griffioen, logo na estreia.
“Perdi o jogo por 6/2 e 6/0, dei o meu máximo e saí feliz com minha atuação. A responsabilidade era muito grande. Representei o meu país com a consciência tranquila”, disse Natália, hoje com 19 anos e muito futuro pela frente. “As holandesas seguem nas primeiras colocações do ranking mundial, pois elas têm o que precisam para um ótimo desempenho como, boas quadras, fisioterapeutas, nutricionista, técnicos exclusivos e material, além de talento é claro, que as fazem serem as melhores”.
A atleta pernambucana mora em Brasília desde que sofreu um grave acidente ainda criança ao ser atropelada por um ônibus e amputar os membros inferiores. Em 2013, ela já conquistou três títulos (no Chile, em Brasília e em Nova Iorque) e segue treinando para realizar o seu sonho: ser a primeira brasileira no pódio dos Jogos Paralímpicos no tênis em cadeira de rodas.
“Espero que eu consiga atingir as minhas metas e trazer essa alegria para todos que estão acreditando em mim, com muito treino e dedicação. Hoje recebo assistência do Time São Paulo e da empresa Smart, especialista em cadeiras de rodas, que me concede o material de jogo e pessoal, além da manutenção”, disse a fã de Esther Vergeer. “Cheguei a competir contra a Esther. Ela é consistente, concentrada, forte e tem estratégia impecável o que a torna invencível. Me inspiro nela e espero um dia chegar no mesmo nível”.