Força zen: astro do levantamento de peso medita para ter sucesso no Rio 2016
Após cirurgia, o colombiano Oscar Figueroa quer ganhar confiança em evento-teste da modalidade na Arena Carioca 1
Após cirurgia, o colombiano Oscar Figueroa quer ganhar confiança em evento-teste da modalidade na Arena Carioca 1
Oscar Figueroa ganhou a medalha de prata nos Jogos London 2012 (Getty Images/Lars Baron)
Texto: Valeria Zukeran
O peso não está apenas no metal das anilhas, mas na responsabilidade de carregar o orgulho Olímpico de um país nos ombros. O colombiano Oscar Figueroa é um dos destaques principais do Aquece Rio Campeonato Sul-Americano de Levantamento de Peso, evento-teste do esporte para os Jogos Rio 2016. Pode o atleta, com a ajuda de técnicas de concentração como a meditação, superar obstáculos e repetir ou melhorar a medalha de prata conquistada em Londres 2012 na categoria até 62 kg? Seu desempenho na Arena Carioca 1, desta quinta-feira (7) até domingo (10), vai ser um bom indicador.
São muitos os componentes que resultam em um levantamento de peso bem-sucedido. A força é fundamental, mas precisa vir com técnica e precisão nos movimentos para eficiência no arranco (ou arranque) e no arremesso. No caso de Figueroa, some-se a isso o fato de que o levantamento de peso é o esporte que mais deu medalhas Olímpicas à Colômbia, ao lado do ciclismo.
“Os colombianos até entendem as dificuldades, mas a pressão existe porque o público em geral espera muito mais de nós. Esperam grandes resultados”. E como o atleta lida com a expectativa? “Faço muita meditação e gosto de estar em contato com a natureza”, diz Figueroa, revelando seu lado zen. O ambiente no Rio de Janeiro é favorável: “Existem lugares que todos vão visitar e quero ir, como o Cristo Redentor, mas também gostaria muito de conhecer o Jardim Botânico”, conta.
Inspiração é importante para Figueroa, que no evento-teste vai competir na categoria até 69 kg. Para o Rio 2016, o colombiano vinha bem: foi quinto colocado no Mundial do ano passado, mas uma nova lesão na coluna - na lombar - obrigou o atleta a fazer uma cirurgia em janeiro. O evento-teste será sua primeira competição após a recuperação. “Estou com uns 65% da capacidade máxima. Vim para ganhar mais confiança para os Jogos”.
Na sequência do evento-teste há o Pan-Americano em junho, onde pretende chegar aos 90% para atingir o auge de sua performance em agosto, nos Jogos Olímpicos.
Não convém subestimar o poder de superação de Figueroa, sempre lutador. Aos 9 anos, ele teve de deixar sua cidade natal, Zaragoza, acompanhando a família. O motivo: fugir dos conflitos entre militares e a guerrilha na região. Ainda menino mudou-se para Cartago, onde começou a experimentar vários esportes, destacando-se no levantamento de peso.
Figueroa começou a ganhar projeção em 2001, quando foi campeão Mundial Juvenil. Na sequência, teve um problema de joelho e abandonou parcialmente o esporte para seguir carreira militar. Mesmo treinando sem convicção no quartel, conquistou vaga para os Jogos Atenas 2004. Ficou em quinto lugar, perdendo a medalha de bronze no critério de desempate: Figueroa tinha 75 gramas a mais do que os adversários que levantaram o mesmo peso que ele.
O resultado foi um incentivo. Dois anos depois, o colombiano foi medalha de prata no Mundial, o que colocou o atleta na posição de um dos favoritos à medalha nos Jogos Pequim 2008. A experiência na China, porém, foi um grande pesadelo: no dia da competição, Figueroa ficou sem forças na mão direita para levantar a barra, resultado de uma hérnia na coluna cervical. Passou de esperança Olímpica a eliminado.
Quatro anos depois, nos Jogos Londres 2012, ele competia na condição de um dos favoritos, respaldado por uma medalha de bronze no Mundial do ano anterior. Começou a disputa entre os primeiros colocados, quando surpreendeu ao aumentar o peso a ser levantado - de 142 kg para 177 kg, o recorde Olímpico. Falhou na primeira tentativa e na segunda. Tudo parecia se encaminhar para o fiasco, mas na terceira e última chance conseguiu. O desempenho rendeu a medalha de prata, desta vez por ser mais leve que adversário, que ficou com o bronze. “É preciso ter atitude para superar os obstáculos. Ter um sonho, uma meta, e o motor principal: a família. Quando tudo isso se combina, a gente consegue superar qualquer obstáculo", conclui.

Anfitriões dos Jogos, a equipe brasileira vem ao evento-teste cheia de expectativa. Entre os 15 atletas em ação, destaque para Fernando Reis, esperança de medalha Olímpica. “O grupo está concentrado para treinamentos desde janeiro e vai colocar o trabalho à prova”, revela o coordenador técnico Edmilson Dantas. “Vamos registrar todo o desempenho em vídeo e realizar estudos de biomecânica para os Jogos."
O Campeonato Sul-Americano vai reunir cerca 120 atletas de 13 países e testar quatro áreas para os Jogos Rio 2016: competição esportiva, resultados, exames antidoping e apresentação esportiva, segundo o líder de competição do levantamento de peso dos Jogos Rio 2016, Pedro Meloni.
