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Um mundo novo

Feras mundiais testam as corredeiras de Deodoro: "O circuito não dá descanso"

Por Rio 2016

No Rio para o Desafio Internacional de Canoagem Slalom, atletas encaram circuito com fluxo de água desenhado para desafiar concentração e habilidades técnicas

Feras mundiais testam as corredeiras de Deodoro: "O circuito não dá descanso"

Atletas de 26 países vão testar as pistas de competição e de treinamento em Deodoro (Alex Ferro/Rio 2016)

São 122 atletas de 26 países descendo corredeiras em Deodoro desde o domingo (22). É a primeira vez que eles testam o novo circuito em treinamento intensivo para o Desafio Internacional de Canoagem Slalom, que começa nesta quinta-feira (26) e vai até domingo (29). A competição faz parte do Aquece Rio - série de eventos-teste das instalações dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Medalhistas mundiais e Olímpicos - como o italiano Daniele Molmenti, o tcheco Jiri Prskavec, a francesa Emilie Fer e os gêmeos eslovacos Pavol e Peter Hochschorner - estreiam o Circuito de Canoagem Slalom, que foi apresentado em setembro e será oficialmente inaugurado nesta quinta-feira (26).

A abertura da corrente de água no circuito de Deodoro: 

 

As primeiras impressões

O Desafio Internacional de Canoagem Slalom testa as duas pistas em provas de canoa individual (C1) e de dupla (C2) - que usam remo de pá única -, além do caiaque individual (K1), com remo de duas pás. Já após os primeiros treinos, os atletas relataram que o percurso, de 280 metros de comprimento, é muito técnico. “Exige muito das nossas habilidades”, disse o brasileiro Leonardo Curcel, sexto colocado no Mundial Júnior de Wausau 2012, nos Estados Unidos, na prova C1. “Requer muito da parte mental porque o circuito não dá descanso. É preciso manter o foco na descida toda”, observou o italiano Daniele Molmenti, campeão Olímpico no caiaque individual em Londres 2012.

Saiba mais sobre a canoagem slalom

Competidores que treinaram na pista de 280 metros consideraram o circuito bastante técnico (Foto: Alex Ferro/Rio 2016)

 

Circuito com tradição 

O Circuito Olímpico de Canoagem Slalom é um projeto do escritório de arquitetura brasileiro Vigliecca & Associados, com consultoria da empresa Whitewater Parks International.  Testes hidráulicos foram realizados na Universidade Técnica Tcheca, referência em pesquisas na área que foi fundada em Praga em 1706 e tem muita tradição em estudos de engenharia hidráulica. O professor Jaroslav Pollard, que foi o responsável pela construção da maquete hidráulica, conta que um dos maiores desafios da equipe foi o  prazo de cinco meses para a conclusão no laboratório experimental da universidade. 

Assista à simulação das corredeiras na maquete do circuito:

 

Por que não usar as corredeiras naturais nas competições?

'No circuito artificial, garantimos mais nível técnico ao esporte. Formatamos uma pista que exigisse variadas habilidades dos atletas' 

Jaroslav Pollard, engenheiro da universidade tcheca responsável pela construção da maquete do circuito de canoagem no Rio

 

Na prova C2, os atletas descem o circuito em canoas e usam remos de pá única (Foto: Alex Ferro/Rio 2016)

 

Nos testes de laboratório, diz Pollard, também se trabalhou para deixar a parte central da pista “mais interessante”. É  próximo a esse trecho que ficará a maioria dos torcedores durante os Jogos Olímpicos. "A água não podia correr velozmente e sem controle. A criatividade está na variedade de regimes de água em cada segmento do circuito”, explica o engenheiro.

"Além de observar as provas no novo circuito, o Desafio Internacional de Canoagem Slalom testa o sistema de resultados e o trabalho de oficiais e equipe técnica", diz John Mcleod, gerente de canoagem slalom do Comitê Rio 2016.