Febre na Escandinávia, handebol divide atenção na mídia com esportes de inverno e futebol
Esporte é um dos três mais populares na Noruega, Dinamarca e Suécia, além da Alemanha
Esporte é um dos três mais populares na Noruega, Dinamarca e Suécia, além da Alemanha
Equipe feminina da Noruega comemora a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 (Jeff Gross/Getty Images)
Esporte de verão mais popular na Noruega e um dos três esportes mais populares em países como Alemanha, Suécia e Dinamarca, o handebol é um fenômeno que está começando a crescer no Brasil. Ainda com pouco espaço na imprensa nacional em comparação ao futebol, vôlei ou automobilismo, por exemplo, o handebol é o esporte mais praticado nas escolas públicas brasileiras. O que falta então para ganhar mais atenção da mídia?
Para o técnico dinamarquês Morten Soubak, que mora no Brasil há oito anos e desde 2009 dirige a seleção brasileira feminina adulta, a dificuldade de promover um esporte em um país continental e que acompanha o futebol como se fosse uma religião é enorme. Falta investimento, um grande ídolo e um campeonato nacional que mantenha os principais atletas do país atuando em solo nacional.
“No Brasil, a maioria dos atletas começa a praticar o handebol na escola. É bem interessante. As crianças estudam juntas, participam de competições juntas. Temos poucos clubes no país, por isso é preciso buscar outros meios para manter meninos e meninas por mais tempo no esporte. Na Dinamarca é totalmente diferente. Não tem muito esporte nas escolas, tudo é feito nos clubes. Mas é difícil comparar com o Brasil, um país continental com a Dinamarca, que é do tamanho do Rio de Janeiro. Esta diferença é um desafio que precisamos enfrentar”, considerou.
O técnico dinamarquês e o espanhol Jordi Ribera, da seleção brasileira masculina, viajam o Brasil garimpando novos talentos para o handebol brasileiro. Soubak diz que o seu maior temor é perder atletas de futuro no esporte, o que geralmente acontece quando o menino ou a menina alcança a maioridade. Apesar das dificuldades, ele enxerga um futuro promissor para o handebol no país.
“Precisamos de um calendário que contemple campeonatos durante todo o ano. Não adianta apenas termos os Jogos Brasileiros da Juventude (denominados Olimpíadas Escolares até 2012), que são uma baita competição, se no resto do ano as atletas ficam paradas. É preciso que as federações e a confederação de handebol se mobilizem", comentou. “Conheço treinadores e professores de educação física de diversas escolas brasileiras. Acho importante manter esse contato, discutir certos aspectos do jogo, saber da vida das meninas, o dia a dia no esporte para acompanhar o desenvolvimento de cada uma e de cada equipe. O que eu costumo dizer é: se persistir no seu trabalho, um dia você vai ter uma chance de brilhar”.

Morten Soubak dá instruções ao time brasileiro na vitória por 27 x 25 sobre Montenegro pela segunda rodada da fase classificatória dos Jogos de Londres. (Foto: Jeff Gross/Getty Images)
2012: uma campanha sem precedentes
Eleito o segundo melhor técnico de 2012 pela Federação Internacional de Handebol (IHF, na sigla em inglês), Soubak comandou a equipe feminina brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres. O Brasil realizou uma campanha sem precedentes, ao encerrar a fase classificatória em primeiro lugar do grupo. Nas quartas de final, porém, o time de Alexandra Nascimento, Dani Piedade, Duda Amorim e da goleira Chana chegou a abrir seis gols de vantagem (15 x 9) sobre a Noruega, atual bicampeã olímpica, mas foi eliminado na luta pela inédita medalha.
Vale lembrar que, antes do bicampeonato norueguês, a Dinamarca havia conquistado três títulos olímpicos consecutivos no handebol feminino – de Atlanta 1996 a Atenas 2004. No masculino, os países escandinavos também estão sempre lutando pelo pódio. A Suécia conquistou quatro medalhas de prata nas últimas seis edições dos Jogos Olímpicos e a Dinamarca é a atual vice-campeã mundial – perdeu para a Espanha na final disputada em janeiro, em Barcelona.
Em 2011, o Brasil sediou pela primeira vez o Campeonato Mundial feminino. Os organizadores contabilizaram 574 jornalistas credenciados, que transmitiram a competição para 135 canais de TV do mundo todo. A Noruega foi o país que enviou mais profissionais para cobrir o evento (36) e a Dinamarca ficou em segundo lugar, com 32. Queridinha no país, a seleção feminina da Noruega é capaz de mobilizar um quinto da população do país diante da TV. De acordo com a emissora dinamarquesa TV2, cerca de 900 mil noruegueses – o país tem aproximadamente 4,9 milhões de habitantes – assistiram à vitória da equipe sobre a Islândia, em São Paulo.
Na Alemanha, o handebol só perde em popularidade para o futebol e o automobilismo. Na Suécia e na Dinamarca, fica em segundo lugar, atrás do futebol e na frente do hóquei no gelo. Na Noruega é o principal esporte de verão, atrás apenas do biatlo e do hóquei no gelo, ambos esportes de inverno.