Não há transmissão de imagens em alta definição que faça com que a paulista Valéria Carneiro e a carioca Tatiana Zanon sentem em frente à televisão para assistir aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Afinal de contas, fã que é fã não aceita trocar a emoção de perambular por uma cidade que está recebendo os Jogos e assistir a algumas competições ao vivo pela poltrona de casa.
A carioca é presença garantida nas cidades-sede dos Jogos desde Atenas 2004, enquanto Valéria acompanha tudo de perto desde Sydney 2000.
“É uma sensação única. Durante os jogos não há diferenças, não há guerra. Há rivalidade e competitividade, mas é um ambiente de paz, de alegrias, de surpresas. Ser vitorioso não é estar no topo do pódio, pois estar ali já faz com que todos sejam vitoriosos. Nos Jogos, você está entre os melhores, entre os mitos ou com os futuros mitos do esporte. Uma vez lá, não consegui mais viver sem”, destaca Tatiana.
Já Valéria se recorda também de momentos difíceis, mas que não abalam o prazer por estar entre grandes nomes do esporte mundial. “Existem sentimentos que só são possíveis durante os Jogos: a emoção e o orgulho de ver o seu país ganhando um jogo ou uma medalha, a sensação de união entre os povos, o orgulho de andar nas ruas exibindo a sua bandeira e também a tristeza quando seu país perde”, conta.
A paulista explica que a motivação para assistir aos Jogos começou com a vontade de representar o Brasil. “Desde os 12 anos, pensava em participar dos Jogos como atleta do vôlei. Não consegui ir desse jeito, mas quando entrei para a faculdade decidi que quando começasse a trabalhar, iria me organizar para ir como espectadora. Em 2000 realizei meu sonho e desde então não consigo mais imaginar como seria voltar a assistir pela TV”, diz ela, atualmente com 40 anos.
Espectadores da história
Assim como Tatiana, Valéria aponta o gostinho de ver os atletas escrevendo a história do esporte como outro fator preponderante para a mobilização de tantas pessoas durante os dias em que os Jogos são realizados. Outro ponto importante para as “fãs olímpicas” é a inspiração deixada pelos artistas do grande espetáculo do esporte para futuros atletas.
“Londres foi muito feliz com o slogan ‘Inspire a Generation’ (Inspire uma Geração). Em Atenas assisti pela primeira vez a uma partida de tênis e tive o privilégio de ver Gustavo Kuerten em quadra. Guga inspirou uma geração de novos tenistas”, diz a carioca Tatiana.
Valéria teve o privilégio de assistir a conquista do ouro brasileiro no voleibol masculino, também em Atenas 2004, que considera um dos momentos mais marcantes durante sua trajetória em Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
“Assistir a Cerimônia de Abertura dos Jogos em Sidney foi realmente especial. Era a primeira vez que eu assistia aos Jogos e chorei do começo ao fim. Outro momento em que senti a mesma emoção foi na final do voleibol masculino em Atenas. Não tenho palavras para explicar o que senti quando meus amados meninos do vôlei conquistaram o ouro”, conta a paulista. Na ocasião, o Brasil derrotou a forte seleção da Itália por 3 sets a 1.

A carioca Tatiana Zanon esteve esteve em Pequim 2008 e se encantou com os Jogos entregue pelos chineses. Arquivo pessoal
Que venha o Rio 2016™
Como boas fãs do esporte Valéria e Tatiana têm grandes expectativas pela realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Brasil. E a torcida é para que tudo dê mais do que certo.
“Espero que o Rio reúna o que vi de melhor nos últimos quatro Jogos. Espero ver um parque olímpico lindo, ingressos a preço acessível, facilidade de locomoção e que os brasileiros sintam esse espírito olímpico, de união entre os povos. Será uma oportunidade única e os olhos do mundo estarão voltados para nós. Penso que as pessoas vão espalhar esse sentimento pelas ruas e que posso voltar a sentir o que senti em Sidney”, destaca a paulista.
A carioca, por sua vez, espera que a paixão que move atletas, torcedores e amantes do esporte tome conta da cidade. “O Rio fala em ‘Paixão e Transformação’ e eu espero ver essa paixão refletida em cada detalhe da cidade e dos Jogos. A transformação eu espero que aconteça na nossa realidade, de um povo alegre e batalhador. Estão acontecendo muitas obras de infraestrutura na cidade, mas o legado que o Rio 2016 deixará para o povo carioca, para os brasileiros e pessoas do mundo inteiro que vêm visitar a Cidade Maravilhosa será para sempre”, diz Tatiana.