Fábrica de talentos russa se prepara para brilhar na ginástica rítmica nos Jogos Rio 2016
Pelas mãos de Irina Viner-Usmanova, nova geração do país tentará manter hegemonia das antecessoras
Pelas mãos de Irina Viner-Usmanova, nova geração do país tentará manter hegemonia das antecessoras
Margarita Mamun se apresenta com as maças no Campeonato Mundial em Kiev (FIG/Volker Minkus)
As últimas quatro edições dos Jogos Olímpicos demonstram a força da Rússia na ginástica rítmica. Desde Sydney 2000, as ginastas russas são as únicas a ocupar o topo do pódio no maior evento esportivo do mundo, seja na prova individual ou na competição por equipes, acumulando oito ouros, duas pratas e um bronze, num total de 11 medalhas conquistadas de 12 possíveis.
A pouco mais de dois anos dos Jogos Rio 2016, a potência internacional se prepara para manter a hegemonia em terras cariocas e tem como um de seus principais desafios encontrar uma substituta à altura de Yevgeniya Kanayeva. Bicampeã Olímpica na prova individual e dona de 17 ouros em campeonatos mundiais, Kanayeva parou de competir no final de 2012, aos 22 anos, quando passou a integrar a Federação Russa de Ginástica.
Na nova geração russa, duas ginastas se destacam como favoritas a manter a bandeira do país tremulando no alto do pódio em 2016. Líder do ranking mundial, Margarita Mamun, de 18 anos, brilhou em 2013 ao conquistar dois ouros no Campeonato Mundial (assista abaixo à sua apresentação com a bola), dois no Campeonato Europeu, quatro no World Cup Final, três no Grand Prix Final e quatro na Universíade.
O ano de 2014 também começou muito bem, com quatro ouros no Grand Slam de Moscou, disputado no início de março.
“Ainda faltam dois anos para os Jogos Olímpicos e todas as ginastas da seleção russa estão treinando muito forte. Ninguém sabe ainda quem representará o nosso país. É uma responsabilidade muito grande e o desgaste psicológico é enorme, mas vamos saber lidar com isso com a experiência”, afirma Mamun.
Mais jovem, Yana Kudryavtseva, de 16 anos, também se destacou em 2013, tornando-se a atleta mais jovem a vencer a prova individual geral do Campeonato Mundial, com 15 anos. Na competição, ela levou três ouros (veja abaixo sua apresentação com a fita). No mesmo ano, ganhou mais três ouros no Campeonato Europeu e um no World Cup Final.
Neste ano, já contabiliza outros três ouros no Grand Prix de Thiais, na França. Campeã mundial júnior em 2011, ela ocupa o quarto lugar no ranking mundial.
“Espero crescer muito como ginasta nos próximos anos. Todas as competições serão importantes. A responsabilidade de manter a liderança é ótima. A Rússia está nessa posição porque possui diversos técnicos talentosos, coreógrafos, massagistas experientes, equipe médica e excelentes locais de treinamento. Se eu conseguir disputar os Jogos do Rio, darei o meu melhor”, afirmou.
A tarefa de garimpar os novos talentos fica a cargo da consagradíssima Irina Viner-Usmanova. Técnica da seleção desde 1992 e presidente da Federação Russa desde 2008, Irina já deu ao país oito medalhas Olímpicas e mais de 70 ouros no Campeonato Mundial. É por suas mãos que passarão as principais esperanças de medalha da Rússia nos Jogos Rio 2016.
“A Irina é um gênio. A ginástica rítmica mundial não teria um nível tão elevado e tantas conquistas sem a contribuição dela”, resume Mamun.

Após mais de duas décadas de conquistas, Irina acredita que a troca de experiências é um dos fatores fundamentais para o sucesso. E o amor pelo esporte é grande o segredo.
“É um sucessão de gerações. As ginastas mais jovens têm uma grande oportunidade de aprender com as mais experientes, nos treinos, e com os técnicos acontece a mesma coisa. Cada ginasta é diferente e é muito interessante poder lapidá-las a partir do talento natural que elas possuem. Nós nunca pensamos nas medalhas. O que amamos é trabalhar com criatividade, alma e ideias interessantes”, finaliza a técnica da seleção russa.