Aplicativos Rio 2016

Amplie sua experiência nos Jogos.

Download
Para quem vai a sua torcida?

Para quem vai a sua torcida?

Escolha seus atletas, times, esportes e países favoritos clicando nos botões ao lado dos nomes

Nota: As configurações de favoritos são gravadas em seu computador através de Cookies Se você deseja mantê-las, não limpe seu histórico de navegação

Por favor, ajuste suas preferências

Verifique se as suas preferências estão ajustadas. Você poderá modificá-las a qualquer momento

Expandir Conteúdo

Os calendários serão apresentados neste fuso horário

Expandir Conteúdo
Contraste
Cores originais Cores originais Alto contraste Alto contraste
Ver todos os recursos de Acessibilidade
Um mundo novo

Espírito de luta: Cuba e a tradição no Judô

Por Rio 2016

Ilha na América Central supera desafios e rivaliza com gigantes asiáticos

Espírito de luta: Cuba e a tradição no Judô

Yalennis Castillo comemora a medalha de prata na categoria 78kg em Pequim 2008 (©Getty Images/Quinn Rooney)

A República de Cuba, território insular no Mar do Caribe, América Central, conta pouco mais de 11 milhões de habitantes. É menos de um terço da população da área metropolitana de Tóquio, capital do Japão, berço e maior potência do judô mundial. Entre homens e mulheres, os judocas cubanos não passam de 3.000. Na última edição dos Jogos Olímpicos, em Pequim 2008, em sete categorias de peso, as cubanas subiram ao pódio em quatro. As japonesas, em cinco.

 

Para explicar o milagre cubano, Rio 2016 convidou o técnico Justo Noda, um dos responsáveis pela introdução do judô feminino no país e atual comandante da equipe nacional masculina, para um bate-papo durante os treinos para a etapa do Grand Slam de Judô 2011, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro. Confira a entrevista:

 

A tradição das artes marciais vem do Oriente, e até hoje grande parte dos campeões olímpicos são de países da Ásia. Cuba, entretanto, tornou-se uma potência, principalmente no feminino, rivalizando em conquistas com China e Japão. Qual o diferencial cubano?

 

O povo cubano é um povo guerreiro. Já lutamos muitas batalhas, a principal delas contra os EUA há mais de 50 anos [o país vizinho ao norte promove um embargo econômico a Cuba]. Eu acho que isso nos faz fortes. Isso é o que nos faz ser Cuba. O que aconteceu aqui na luta contra Tiago Camilo, de quem sou muito fã, grande judoca, duas vezes medalhista olímpico, mostra o que é Cuba. [Nas semifinais do Grand Slam Rio de Janeiro 2011, o cubano Gonzalez Monteiro, número 31 do ranking mundial na categoria até 90kg, levou três punições, resultando em um wazari contra, durante a luta. Restando 10 segundos para o fim do combate, aplicou um ippon em Tiago Camilo, número 7 do mundo e atleta da casa].

 

As cubanas vêm obtendo sistematicamente melhores resultados que os homens. Por quê?

 

O judô masculino chegou a Cuba no ano de 1951. As mulheres começaram em 1982. Trabalhei com o feminino desde o início até 1995. Penso que entre os principais fatores do sucesso do judô feminino estão as características da mulher cubana, a determinação e força de vontade. Não são mulheres submissas. Se têm situações em que precisam demonstrar posição, personalidade, não pensarão duas vezes. Isso faz parte da idiossincrasia da mulher cubana e isso vai para o tatame, sem dúvida. Além do mais, a mulher cubana é forte por natureza. Com o nível de treinamento, desenvolve esta força, a compleição física ajuda e é um auxílio para a técnica.

 

De que forma são descobertos os talentos para o Judô em Cuba?

 

Em Cuba, existe em cada província uma escola que se chama EIDE (Escola de Iniciação Desportiva Escolar). Os meninos de dez a 16 anos, os melhores de cada província, são reunidos nesta escola, que abriga todos os esportes, com professores, com estudo, com tudo, e aí começa o desenvolvimento. Depois, temos uma escola nacional, com a mesma lógica. Maiores de 16 anos passam para esta escola, que prepara para a equipe nacional. E aí passam para nós. Com 10, 11 anos, os possíveis talentos são trazidos e dão sequência com a atenção necessária.

 

Como o modelo cubano compensa o fato de o contingente populacional ser pequeno em relação às grandes potências do esporte?

 

Tenho um dado que pode te assombrar. Em Cuba, temos de 2.500 a 3.000 judocas, contando homens e mulheres, praticando judô de forma sistemática, ou seja, todos os dias. É um número bastante reduzido. O Brasil, por exemplo, chega a ter dezenas, centenas de milhares, um universo muito maior. Temos também ajuda de alguns países, é verdade, mas o Estado cubano nos dá todas as condições, tudo que precisamos. Os meninos de 10, 11 anos, não têm que parar os estudos, não têm que pagar alimentação, vestuário, nada, é tudo gratuito. Os professores que orientam estão disponíveis. Quando chegam na equipe nacional, continua o mesmo: o Estado te dá estudo, alimentação, hospedagem se são de locais fora de Havana [capital do país], e uma equipe de treinadores. É um coletivo. Sou técnico, mas tenho uma equipe de cinco profissionais que trabalham comigo. Um médico, um psicólogo, um terapeuta e um auxiliar. E o feminino também, o mesmo, cinco profissionais. Nas escolas das províncias, cinco, seis, até sete treinadores, dois por categoria (12/13 anos, 14/15 anos e 16 anos). Este coletivo de trabalho contribui muito nos resultados. Estamos sempre em contato, todos se conhecem e trabalham juntos.

 

Os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 são a primeira edição dos Jogos na América do Sul. Qual o impacto dessa conquista para os países da região?

 

É uma excelente conquista para o Brasil e para toda a América, incluindo nós de Cuba. Somos rivais dentro do tatame (risos), mas amigos do lado de fora. Sou amigo dos técnicos brasileiros, atletas, temos um grande intercâmbio e uma ótima relação. O Brasil tem tradição no judô, as pessoas gostam de luta aqui. Vão receber muito bem o judô e, no geral, estou seguro que serão uma grande edição de Jogos Olímpicos.