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Um mundo novo

Eles esticam, puxam e garantem a eficiência dos atletas do badminton

Por Rio 2016

Encordoadores têm a responsabilidade de preparar as raquetes dos atletas para o máximo desempenho em quadra

Eles esticam, puxam e garantem a eficiência dos atletas do badminton

Paulo Fam conta que o trabalho de encordoador exige atenção ou uma raquete pode ser quebrada (Rio 2016/Paulo Múmia)

Eles esticam, puxam e são fundamentais no badminton. Ficam discretos em um canto das instalações do Riocentro, mas todos os jogadores que participam do evento-teste do badminton para os Jogos Rio 2016 os procuram: são os encordoadores de raquetes.

O britânico Tim Willis, supervisor do serviço no evento-teste, trabalha no setor desde 2001, pouco depois de parar de jogar profissionalmente. “Eu fazia o meu encordoamento quando era atleta para economizar”, conta Willis. Ele diz que não é difícil aprender o serviço, porém deixa claro que nem sempre é feito como deveria e a sua função é orientar seus subordinados sobre como fazer o encordoamento dentro de um padrão estabelecido pela companhia para qual trabalha. A responsabilidade é entregar ao atleta exatamente o que ele pediu.

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Na tensão certa

Paulo Fam é o único brasileiro da equipe. Mais acostumado a fazer os serviços manualmente, ele conta que usar máquinas tem seus desafios. “Não tem muito segredo, mas precisa de muita técnica na passagem de corda, bastante cuidado, ou você pode quebrar a raquete. Não dá para se distrair".
 


Paulo Fam (à esquerda), único brasileiro da equipe, é supervisionado por Tim Willis no evento-teste do Riocentro (Foto: Rio 2016)


Willis explica como tudo funciona. “Os atletas preenchem um papel no qual colocam o nome, o tipo de corda que vão usar (no evento-teste existem quatro modelos disponíveis, de mais grossas a mais finas) e a tensão". Segundo Willis, os atletas de alta performance gostam de cordas bem esticadas. A preparação de cada raquete, segundo ele, leva em média 20 minutos e o trabalho da equipe é pesado em eventos importantes. “Em grandes competições, como em Paris recentemente, chegamos a encordoar 450 raquetes em um dia”, conta o britânico.
 


Na preparação das raquetes o atleta escolhe a corda e a tensão, que são ajustadas em máquinas específicas (Foto: Rio 2016)


O trabalho tem seus benefícios, um deles, segundo Willis, é favorecer a amizade com os atletas. Todos eles já se beneficiaram de seus serviços e, em alguns casos, é possível acompanhar uma carreira inteira, da estreia à aposentadoria.

“Eu cresci com esses caras. E os vi começar muito jovens. Vi Lin Dan em seu primeiro jogo”

Tim Willis, encordoador de raquetes


A experiência permite conhecer detalhes. “Lin Dan gosta da raquete com tensão de 31 libras e corda tipo pg 80 (a mais popular e a segunda mais finas entre as usadas no evento-teste)”, indica, sem titubear, Tim Willis. Entre os atletas, o britânico conta que seu amigo mais próximo é o malaio Lee Chong Wei, que nesta quinta-feira (26), passou a ser o novo número 3 do ranking da Federação Mundial de Badminton (BWF), deixando o bicampeão Olímpico, o chinês Lin Dan, em quarto lugar.

Ao contrário dos atletas do badminton, que ainda lutam por pontos para ir aos Jogos Rio 2016, Willis está com sua vaga garantida. Será sua terceira participação Olímpica. Para descrever como é fazer parte dos Jogos ele usa um único adjetivo: “divertido”.