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Um mundo novo

Duas décadas no topo: Robert Scheidt e o desfile de medalhas

Por Rio 2016

Velejador será o mais vitorioso atleta olímpico brasileiro se conquistar o ouro em Londres 2012

Duas décadas no topo: Robert Scheidt e o desfile de medalhas

Robert Scheidt conquistou o ouro em Atenas 2004 (©Getty Images/Ben Radford)

Era a quarta vez que Robert Scheidt entrava com a delegação brasileira em um desfile da Cerimônia de Abertura de Jogos Olímpicos, mas quem via o brilho nos olhos e o ar de deslumbramento apostava que era a primeira. Terno verde, boina branca e bandeira brasileira nas mãos, honraria para poucos na história, acenava para as mais de 90 mil pessoas no Estádio Olímpico de Pequim como um jovem iniciante. Já era bicampeão olímpico e nove vezes campeão mundial na Vela.

As duas medalhas de ouro e duas de prata conquistadas desde Atlanta 1996 fazem de Scheidt o segundo maior atleta olímpico brasileiro de todos os tempos. Para ultrapassar Torben Grael, também velejador, precisa chegar ao topo do pódio em Londres 2012. Chega como favorito. De novo.

Os oito títulos mundiais na classe Laser, o primeiro em 1995, e os dois na classe Star, o último em 2011, colocam o brasileiro no topo do esporte nas últimas duas décadas. Para completar o desfile de medalhas, quer estar na raia da Baia de Guanabara em 2016 e vencer em casa. Terá 43 anos. E a mesma alma de menino.

Confira a entrevista:

Onde você estava e qual foi a primeira sensação quando, em 2 de outubro de 2009, o Rio de Janeiro foi anunciado como sede dos Jogos?

Estava na Itália, treinando. Eu vi pela internet. Foi uma felicidade imensa, um momento fantástico. É uma grande oportunidade para o Rio e para o Brasil em diversas áreas. Com certeza, teremos também muito trabalho pela frente, mas vamos fazer grandes Jogos em 2016.

Que tipo de legado Rio 2016 deixará para os atletas da Vela no Brasil?

Para os jovens velejadores, o intercâmbio é essencial. Depois dos Jogos de Londres, entre 2013 e 2016, muitas delegações virão ao Brasil para se adaptar às condições. Velejar com os melhores do mundo é muito importante. Será uma grande oportunidade para os brasileiros, já que o circuito é 90% na Europa. Muitos garotos não têm condições de ir, são prejudicados pela distância.

Você tem 38 anos e permanece no topo há quase duas décadas. Longevidade com grandes resultados é para poucos no esporte. Como aliar experiência e desempenho físico na Vela?

Competi por muitos anos na classe Laser, que exige muito da parte física. É só você ali, fazendo tudo. Em 2005, fiz a transição para a Star, que também exige, mas menos. Na Star, o atleta atinge o auge com 35, 40 anos. A experiência conta muito nas decisões que você toma dentro do barco. A renovação na Vela brasileira e mundial existe, novos valores surgem, mas você geralmente encontra também atletas de idade mais avançada com grandes resultados em Mundiais e Jogos Olímpicos.

Londres 2012 será sua quinta edição de Jogos Olímpicos. Nas duas primeiras, travou duelos inesquecíveis contra o britânico Ben Ainslie na classe Laser. O que dizer desta rivalidade histórica?

Em Atlanta 1996, eu era muito jovem, tinha 23 anos, era minha primeira experiência nos Jogos. Estava relativamente tranquilo para aquela situação. Cheguei como favorito, senti um pouco mais, mas aguentei a pressão de estar ali e acabei levando o ouro. Aquela conquista gerou um grande reconhecimento. Foi o impacto de uma primeira medalha olímpica.

Em Sydney 2000, cheguei novamente como favorito. Comecei ganhando, caí um pouco, reagi e teve o problema da última regata [Nota: Em uma batalha épica, Ainslie posicionou sua embarcação de forma a atrapalhar o desempenho do barco de Scheidt. Ambos caíram para as últimas posições. Após desvencilhar-se do adversário, o brasileiro se recuperou na prova e conseguiu a 22ª colocação, uma abaixo da necessária para o ouro]. Claro que fiquei triste. Tinha aquela expectativa de todos pelo bicampeonato, igualar o Ademar Ferreira da Silva [primeiro bicampeão olímpico brasileiro, no atletismo, em Helsinque 1952 e Melbourne 1956]. Mas, acima de tudo, tenho orgulho. Uma medalha de prata significa muito, ainda mais da forma como foi, por detalhes. 

Qual edição dos Jogos mais te marcou?

É difícil dizer, mas Atenas 2004, por essa sensação do bi, foi muito especial. Eu era favorito, o Ben Ainslie tinha saído, foi competir na classe Finn, mas peguei condições adversas. O vento era fraco, o que era ruim para mim. Fiz um regime grande para competir, baixei bastante o meu peso. Mas fiz uma competição bem regular, tudo deu certo e pude conseguir o segundo ouro.

Fale um pouco sobre sua parceria com Bruno Prada. Como analisa a transição do trabalho individual da classe Laser para o de equipe na classe Star?

A mudança não foi brusca. Tomei a decisão de mudar de classe em 2005, para o ciclo olímpico de Pequim, e encontrei uma pessoa com o mesmo comprometimento em relação a treinos, viagens, e com a mesma vontade de vencer. Conheço o Bruno desde criança, velejamos juntos quando mais jovens e não tivemos grandes problemas. Somos caras diferentes, um é mais extrovertido, falador, o outro mais tranquilo, por exemplo, mas são questões com as quais lidamos bem. É claro que sempre há um atrito normal dentro do barco, acontece com todos, mas formamos uma equipe muito boa, muito unida. 

Com a vaga para Londres 2012 garantida, o que fazer de diferente de Pequim 2008 para conquistar o ouro?

Em Pequim, a prata teve gosto de ouro. Eram nossos primeiros Jogos na Star, eu fiquei doente, começamos mal, mas conseguimos recuperar e, no fim, foi uma medalha muito comemorada. Agora, para Londres, nossas condições são bem melhores. Certeza da medalha, a gente nunca tem, senão não teria graça, mas, nos próximos meses, é cuidar do físico, fazer a lição de casa, chegar bem e tomar as decisões certas na competição. É velejar consistente e ter inspiração naqueles seis dias.

Neste estágio da carreira, ainda há o que apurar tecnicamente?

Sempre tem o que melhorar. O barco é como um violino, você precisa afiná-lo para cada condição diferente que encontra. São muitos detalhes que precisam estar ajustados. Você precisa fazer o trabalho passo-a-passo.  Cada competição, cada condição de vento diferente, faz você se desenvolver um pouco mais como velejador.

Para terminar, veremos Robert Scheidt na raia da Baia de Guanabara no Rio 2016™?

Gostaria muito, mas vai depender das categorias olímpicas. Tenho um objetivo a curto prazo, que é Londres 2012, e aí vamos analisar com calma o próximo ciclo. [Nota: Por decisão da Federação Internacional de Vela, a classe Star não está incluída na lista de 10 eventos selecionados para Rio 2016™]