O tenista brasileiro Marcelo Melo já participou das disputas de duplas de dois Jogos Olímpicos sem resultados expressivos: em Pequim 2008, foi eliminado nas oitavas e, em Londres 2012, não passou das quartas de final. Mas vai entrar em 2016, quando os Jogos acontecem em seu país, como o número 1 do mundo no ranking de duplas da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Um alívio para quem já ouviu no começo de carreira que "não tinha futuro no tênis", como desabafou em seu perfil no Facebook na segunda-feira (1), após vencer o Torneiro ATP 500 de Viena, na Áustria, e quebrar a hegemonia dos irmãos americanos Bob e Mike Bryan, no topo de duplas desde 2003 (Leia post completo abaixo). Um feito que até agora só havia sido alcançado por outros dois tenistas do Brasil, e no rankind de simples: Gustavo Kuerten, em 2000, e Maria Esther Bueno, no início dos anos 1960.
“No meu caminho, apareceram pessoas dizendo que eu não seria capaz. Nunca acreditei nelas"
Marcelo Melo, em seu perfil no Facebook
Entrar no ano Olímpico com toda essa moral não era a única prioridade do tenista que é conhecido no meio como Girafa, por ter 2.03m de altura. Para galgar um lugar no pódio nos Jogos Rio 2016, o mineiro que vem de uma família de tenistas traçou uma estratégia com Bruno Soares, com quem joga a Copa Davis desde 2010 e deve ser seu parceiro na disputa que acontecerá no Centro Olímpico de Tênis, na Barra da Tijuca, no ano que vem. Mesmo jogando ao longo de 2015 com outros parceiros, os dois procuraram se inscrever nos mesmos torneios para treinar juntos com mais frequência e ganhar mais entrosamento com um único foco: os Jogos Olímpicos. "É a competição que todos querem ganhar. Tanto que Federer, Nadal e todos os melhores do tênis querem jogar", ressalta Marcelo Melo em entrevista para o rio2016.com.
Saiba mais aqui sobre o tênis nos Jogos Olímpicos Rio 2016
Pingue-pongue
De Londres, onde disputa o ATP Finals, Marcelo Melo conversou por telefone com a repórter Valéria Zukeran para rio2016.com:
Você decretou o fim da era Bryan?
“Chegar ao primeiro lugar no ranking na era dos Bryan, que dominaram o circuito por tanto tempo e ainda estão jogando, foi muito gratificante. Os jogadores mais top vieram me dar os parabéns.”
O que os tenistas do topo do ranking comentam sobre o Rio de Janeiro?
“Djokovic [sérvio, primeiro do ranking mundial de simples] se identifica muito com o Brasil, gostou de ter ido e quer voltar. Quem não conhece o Rio de Janeiro, pergunta onde vai ser a competição e como é a cidade. A visão dos tenistas sobre a cidade é muito positiva. Os que não ainda conhecem, querem visitar. Os que já foram, querem voltar.”
No universo do tênis mundial, com os grandes torneios, como os mais top encaram os Jogos Olímpicos?
“É a competição que todo mundo quer ganhar. Tanto que Federer, Nadal e todos os melhores do tênis querem jogar. Nosso planejamento para o ano que vem será entorno dos Jogos Olímpicos e o deles também. E, para nós, ganhar no Brasil é um sonho ainda maior.”
Qual é o trunfo da dupla Marcelo Melo e Bruno Soares?
“Eu e Bruno já jogamos juntos há muito tempo. A maneira como representamos o Brasil na Copa Davis sempre atraiu muito público. Nossos jogos são sempre os mais cheios. No Rio, nós tentaremos usar a nossa experiência da melhor maneira possível porque é uma oportunidade de ouro atuar nos Jogos Olímpicos em casa.”
3 momentos de Marcelo Melo nas redes sociais
1. Primeiro do ranking mundial de duplas da ATP
2. Vitória no Torneiro de Roland Garros por Gustavo Kuerten
3. Com o amigo Novak DJokovic sobre os Jogos Rio 2016
Leia mais...
Para Guga, Centro Olímpicos de Tênis impulsionará crescimento do esporte no Brasil
Ganhar uma medalha para seu país nos Jogos Rio 2016 é prioridade para Djokovic
Roger Federer: "Jogar no Rio seria maravilhoso"
Rafael Nadal aposta no sucesso dos Jogos Rio 2016
12 instalações dos Jogos estão mais de 90% prontas