Disputa por medalhas no golfe deverá contar com 60 atletas de 30 países no masculino e no feminino
Federação internacional faz recomendações sobre o torneio. Revelação do esporte em 2007, brasileira Ângela Park tenta voltar ao cenário mundial
Federação internacional faz recomendações sobre o torneio. Revelação do esporte em 2007, brasileira Ângela Park tenta voltar ao cenário mundial
A natureza exuberante do Rio de Janeiro é mais um aliado para fazer do futuro Campo Olímpico de Golfe um dos mais bonitos do mundo (Zeca Resendes/CBG)
O crescimento do golfe no cenário mundial, o suporte de organizações internacionais e dos principais jogadores tanto do circuito masculino quanto do feminino, foram os principais motivos que fizeram o esporte voltar a ser olímpico. Informações preliminares sobre o primeiro torneio de golfe desde os Jogos Olímpicos de 1904, quando apenas Estados Unidos e Canadá disputaram medalhas, indicam que o torneio terá a presença de 60 dos maiores atletas do mundo no masculino e no feminino.
A Federação Internacional de Golfe (IGF) ouviu os atletas e propôs o formato stroke play (soma no número de tacadas) para a competição, em um campo que totalize 72 tacadas (18 buracos). Em caso de empate, tanto pelo primeiro, segundo ou terceiro lugar, um playoff de três buracos também é recomendado. Os 15 primeiros colocados no ranking da Associação Profissional de Golfe (PGA) e da Associação Feminina Profissional de Golfe (LPGA) estariam elegíveis para disputar a competição olímpica, que teria um mínimo de 30 países de todos os continentes sendo representados.
Números estes que ainda terão que ser aprovados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pelo Comitê Organizador Rio 2016™, segundo Walter Russo, Coordenador de Competição Esportiva responsável pelo golfe.
“Essa é uma ideia inicial da federação internacional e que será analisada ainda. O que vale ressaltar agora é o fato de que o Rio de Janeiro terá o seu primeiro campo público oficial, onde qualquer pessoa vai poder jogar sem precisar ser sócio ou convidado. Será usado para eventos do circuito internacional de golfe e pelo público em geral. O desenvolvimento de projetos sociais ligados à iniciação no esporte e o fator econômico como outro pilar importante também são destaques do retorno do golfe ao cenário olímpico”, considerou o coordenador.
O esporte tem a chancela do COI para ser disputado nas duas próximas edições dos Jogos Olímpicos. A presença maciça dos principais nomes da atualidade na disputa no Rio 2016™ e em 2020 é um dos principais chamarizes do golfe para que se mantenha no programa olímpico. “O esporte será avaliado após esse retorno aos Jogos, ou seja, qualquer detalhe é importante para se manter no programa e a participação dos principais atletas é fundamental”, disse Russo.
O golfe acumula cerca de 30 mil campos e 60 milhões de praticantes em mais de 120 países, segundo dados da IGF, o que faz do esporte um dos mais populares do mundo. Países em desenvolvimento como a China, por exemplo, vivem um momento de explosão – nos últimos quatro anos, triplicou o número de campos chineses.
Soma-se a isso o fato de o esporte contar com vários atletas na lista dos mais bem pagos segundo a revista “Forbes” famosa por divulgar as fortunas das principais personalidades do mundo. O norte-americano Tiger Woods liderou a lista entre 2001 e 2011, e no ano passado ficou na terceira colocação. O também golfista Phil Mickelson ficou em sétimo. A constante presença de golfistas no ranking dos mais bem pagos do mundo reforça o vínculo da imagem do esporte ao êxito profissional, atraindo novos praticantes em todo o mundo.
Além de protagonizar matérias nas editorias de esporte e economia dos principais veículos da imprensa internacional, os astros do golfe também são figurinhas fáceis nas páginas sociais. Os dois primeiros colocados do ranking, Tiger Woods e o norte-irlandês Rory McIlroy, por exemplo, namoram duas das maiores estrelas do esporte.
Tiger disputou o recém-encerrado Masters de Augusta sob os olhares atentos de Lindsey Vonn, esquiadora campeã olímpica no downhill, nos Jogos de Inverno de Vancouver, em 2010, e McIlroy chegou até a contar com a ajuda da tenista dinamarquesa Caroline Wozniacki, ex-número 1 do mundo, como caddie (responsável por carregar o material esportivo) durante o primeiro Major do ano.
Ângela Park tenta retornar ao LPGA Tour
O golfe feminino não tem tanto glamour quanto o masculino, mas também rende muito às principais atletas do mundo. Revelação do esporte em 2007, ao encerrar o ano em oitavo lugar no ranking da LPGA, a paranaense Ângela Park faturou nos dois primeiros anos como profissional mais de R$ 4 milhões em prêmios.
No entanto, problemas pessoais fizeram com que ela se afastasse do esporte em 2010, com apenas 22 anos. Ângela queria viver uma “vida normal” e passou a trabalhar como recepcionista trilíngue em um hotel de Los Angeles, nos Estados Unidos, cidade onde mora desde criança. Ela tentou retornar ao esporte no ano passado e jogou alguns torneios sem sucesso.
A possibilidade de disputar os Jogos Olímpicos faz os olhos da brasileira descendente de coreanos brilharem: “Cheguei ao topo muito cedo e acho que isso foi o problema. Senti falta do golfe e aprendi que jogar é o que mais gosto de fazer. Até 2016 terei mais de três anos de treinos e acredito em boas chances de medalha. Vai ser uma honra poder representar o Brasil nos Jogos Olímpicos”.